quinta-feira, 25 de junho de 2009

Eu silencio! Eu também sou culpado!

Dizem que o silêncio é o melhor dos remédios, que conforma e cura, que remete novamente à normalidade e em curso as situações da vida. Que conforta e nos faz esquecer. Que corrige os rumos, naturalmente. Que é sabedoria. Nem sempre!

Ando indignado e em silêncio, inconformado e em silêncio, violentado e em silêncio. Assim, à margem do destino tenho ignorado, ou aceitado, o que acontece ao meu redor. Levemente critico. Falo em intensidade baixa, replico pouco. Guardo comigo muitas das mágoas e sofro, até que o silêncio as dissipe e, conformado, me faça esquecê-las.

Assim como eu, a maioria das pessoas se comporta. Fecham os olhos diante dos acontecimentos e já absorvem com naturalidade as barbáries do nosso país e do mundo. Estimulam o preconceito, ao não recriminá-lo, incandescem a violência, ao ignorá-la, fortalecem a impunidade, ao silenciarem.

O que vemos hoje, não é somente uma crise política, econômica, religiosa, ou ainda da família, mas sim uma crise moral, onde os valores foram esfacelados e os reflexos permeiam por toda a sociedade. O que dizer de um Congresso podre, da hipocrisia da desigualdade, de uma igreja estúpida ou do fracasso do lar?

Somos frutos das nossas ações, essa é a natureza. Temos nos omitido absurdamente, deixando nas mãos de poucos o que é de todos. Somente nos lamentado. Perdemos gradativamente o direito à dignidade e à cidadania. Morremos e matamos, silenciosos. Somos vítimas e cúmplices. Nos defendemos e atiramos. Somos tão culpados quanto os outros.

“Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, , rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.”

(Maiakovski)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ela!

assim ela entrou
escancarou a porta sem ligar para nada
disparou o alarme e fez as borboletas revoarem

chegou e ficou
instalou-se como se fosse a dona
exigiu mais do que a alma e incendiou

abusou
colocou asas nos sonhos dourados
rompeu as amarras e desenhou o céu

de repente cansou
guardou os guizos e mergulhou na noite escura
simplesmente não disse nada e silenciou as borboletas

assim ela saiu

deixou um rastro de luz e amor
pulverizou lágrimas e dor

terça-feira, 23 de junho de 2009

Esse Polaco Karateca!

“o paulo leminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filho da puta
de fazer chover
em nosso piquenique”

Extraído do livro “Caprichos e Relaxos”

Leminski é um bom curitibano, mora em nossos corações. Filho de pai polaco e mãe negra, nasceu em 24 de agosto de 1945. Viveu a maior parte de sua vida em Curitiba, tendo passado parte de sua infância em Santa Catarina. Um vanguardista na poesia, também fez experimentos em tipos de poesias que não tem uma raiz brasileira, como os haikais. Um boêmio de carteirinha, freqüentava vários bares, onde transcrevia em guardanapos os sentimentos, breves e profundos. Lembro dele no Bife Sujo, que eu freqüentava, quando vivia. Era uma alegria encontrá-lo, sempre rodeado de gente, pura arte.

Sua casa no Pilarzinho era um ponto da cultura curitibana, e muita gente fazia questão de vê-lo, pela sua genialidade, pelo seu encanto. Artistas famosos, como Caetano, ou novos talentos de nossa cidade, influenciados pelas suas palavras, pelas suas combinações, pela sua vida.

As oportunidades que teve em São Paulo e Rio, nos melhores jornais e revistas, não o afastaram de Curitiba, e sempre que questionado dizia que “pinheiro não se transplanta”. Um poeta maravilhoso, e uma vida bem vivida, pulsante. Morreu em 1989, no dia 07 de junho. Em frente ao Hospital Nossa Senhora das Graças, uma vigília silenciosa das centenas de pessoas que oravam e se despediam, em meio às lágrimas.

Isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Paulo Leminski

domingo, 21 de junho de 2009

Genial!

Torquato Neto era de Teresina\PI. Nasceu em nove de novembro de mil novecentos e quarenta e quatro. Escorpiano, foi um dos principais personagens da revolução cultural que difundiu-se no Brasil e um dos mentores intelectuais do movimento tropicalista. Suicidou-se aos vinte e oito anos, deixando um bilhete: “Tenho saudade, como os cariocas, do dia que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar.”

No dia dez de novembro de mil novecentos e setenta e dois, perdemos um dos mais críticos e geniais poetas da atualidade. Gosto demais da sua obra!

Estou sereno, estou tranqüilo
Estou contente
Nesta manhã nascendo devagar
Andei calado, triste
Indiferente
E de repente esta vontade de cantar
Um samba de ismael, uma ciranda
Uma toada do gonzaga, a asa-branca
Riacho do Navio
Luar de paquetá

Estou sereno, estou tranqüilo
Estou contente
Nesta manhã nascendo devagar
Mas de repente uma certeza espanta
Ninguém mais canta
E eu sozinho não posso cantar

Ah, quem me dera que hoje fosse o dia
De eu ser feliz na rua humildemente
Cantando com vontade e com alegria
Em companhia de toda a gente
Ah, quem me dera que outra vez na vida
Meu coração não se perdesse à toa
E que eu soubesse muito bem que é muito boa
Esta cantiga nova que inventei

Estou sereno, estou tranqüilo
Estou contente
Mas só deus sabe até que dia
Eu estarei

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Versos Poéticos!


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A Sinuosa Serpente do Amor!

Quisera eu ter o dom de iludir o amor. Fazê-lo nascer e crescer em um ambiente frutífero, próspero. Cuidar dele, e deleitar-me nas suas infinitas nuances. Fortalecê-lo ao meu gosto, e ao meu prazer reduzi-lo às minhas possibilidades. Sem querer entendê-lo, desenhá-lo. Construí-lo sem medo, tal qual um quebra-cabeça imaginário, que transcende os limites do chão e do céu e projeta um universo em uma caixinha de fósforos.

Quisera eu ouvir o silêncio do amor. Enroscar-me nas suas armadilhas e no gozo. Morrer de viver, inundado nas fantasias harmoniosas e intensas. Invocá-lo, sempre que me faltarem respostas para os meus atos bobos e inexplicáveis. Sem querer limitá-lo, expandi-lo. Fortalecê-lo para acobertar esse meu peito imenso e aberto, que só absorve e transforma sentimentos em luz, em dias claros ou tempestuosos, em noites nubladas ou encobertas de estrelas.

Quisera eu frutificar o amor. Deflagrar o movimento silencioso das células e do oxigênio que as faz multiplicar, em meio ao ofegante respirar dos corpos cansados. Mentir para mim mesmo, e querer acreditar que um dia este sentimento irá acabar, para sempre. Sem querer matá-lo, iluminá-lo. Recuperar o brilho do olhar e os gestos afetuosos, os abraços e os beijos molhados, no limiar do encantamento da sinuosa serpente, dominadora, da florida estrada.

Bem vindo à vida!

(escrito hoje, na mesa do Colarinho, e na proximidade dos amigos)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Intolerância!

Pesquisando na Wikipédia, que por sinal adoro, encontrei a seguinte definição para a palavra tolerância: do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física.

Infelizmente trago este assunto pelas cenas que todos presenciamos em Curitiba, nos canais de televisão, nestes últimos dias, onde um jovem, adolescente, agrediu violentamente uma família, por motivo banal de discussão no trânsito, sob o olhar indiferente do próprio pai e os olhares perplexos de inúmeras pessoas próximas. Assustador, revoltante, digno de repúdio de toda a sociedade.

Independente dos motivos, duas questões me chamaram muito a atenção, nesse caso. A primeira está muito relacionada ao conceito de tolerância. Se tolerância se relaciona ao grau de aceitação a uma regra moral e cultural, o que estamos ensinando aos nossos filhos? O que podemos esperar de uma nova sociedade cujos valores construídos estão sendo totalmente dissociados do respeito, do afeto e do amor? O pai do jovem ao não repreendê-lo, endossou e reforçou positivamente as atitudes do filho.

O segundo ponto foi a extrema violência, que não poupou nem as mulheres, as quais foram agredidas com golpes na face, com a intenção plena. Lamentável!

Kennet O´Donnel, o qual tive a oportunidade de conhecer em trabalhos realizados em meu penúltimo empregador, possui um livro denominado “Raízes da Transformação”, que traz diversos valores a serem desenvolvidos para se compensar esse turbilhão que assola a nossa vida moderna. Especificamente para compensar a falta tolerância, reconhecer no outro as diferenças, empatia, bem como um exercício da compreensão, oferece outros caminhos que nos permitem sim respeitar o outro e exercitar a nossa cidadania.

Este é um exercício cotidiano de todos nós, para que o breve futuro que estamos construindo não se manifeste turvo e assustador, mas límpido e calmo, de forma que possamos realizar os nossos sonhos e termos a certeza de que viver vale a pena.

sábado, 13 de junho de 2009

Uma fuga de si próprio!

Alguns assuntos ainda são tabus na vida das pessoas. Enfrentar é difícil, ocultar, conviver ou negar, mesmo diante de tantas evidências, torna-se fácil. A vergonha, o medo e a falta de coragem, a negligência pela busca de ajuda, prolonga e potencializa um interminável sofrimento, solitário, que remete à margem da vida aquelas pessoas que ainda não encontraram um caminho seguro para a sua jornada.

É perfeitamente possível sorrir, brincar, divertir-se, por algum tempo, mas depois retorna-se ao cinza das emoções, dos sentimentos, na profunda tristeza. Após uns drinks com amigos, eles voltam felizes para suas casas, seguem com suas vidas e do outro lado, a desesperança, acobertada pelas frustrações e pela falta de expectativas. A cama, as cobertas, as lágrimas, o sofrimento, são companheiros por hora inseparáveis. A culpa ainda é dos outros. Eles são o inferno!

Segundo a OMS, a depressão, do latim depressione, afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens. Em 20% dos casos segue um curso contínuo, especialmente quando não há um tratamento adequado. Aproximadamente 2/3 das pessoas com depressão não buscam tratamento e a maioria dessas irá tentar suicídio pelo menos uma vez. 17% conseguem se matar. Com o tratamento adequado, 70% a 90% dos pacientes recuperam-se.

É importante salientar que a depressão não é somente um estado de espírito, tristeza ou lamento, mas sim uma doença, e como tal deve ser tratada. As manifestações e seus reflexos variam de pessoa a pessoa e sinalizam um período ou necessidade de mudança e crescimento. Fases que antecedem novos horizontes e o amadurecimento de um ser em constante evolução.

Fala-se em dois tipos de depressão: monopolar e bipolar, sendo que o primeiro termo não é usado oficialmente. Na depressão monopolar surgem fases depressivas, já a bipolar se caracteriza pelo transtorno afetivo e a alternância de fases deprimidas, com maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor.

Tenho lido muito sobre os processos depressivos, para ter conhecimento e para conter e entusiasmar as minhas fases de mudança. Uma conclusão que chego, do ponto de vista sociológico, é de que as pessoas voltaram-se muito mais para o indivíduo e pouco para o sociável, estimuladas constantemente pela própria sociedade consumista. Você precisa ter mais e ser menos, para ser aceito neste modelo. Quem não pode enquadrar-se nele é excluído e aí vem o sofrimento. Quem não aceita e se afasta desse conceito, encontra a mais pura felicidade e compartilha-a gratuitamente, remedia e ilumina, traz a verdadeira vida para a sua alma e para as almas das pessoas.

Namastê!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Um tempo ao tempo!

Dizem que o tempo tudo cura e “dar tempo ao tempo” pode ser a melhor saída para remediarmos os nossos corações. Ao deixarmos a vida seguir, temos a sensação de que a normalidade novamente toma conta das nossas ações e que gradualmente o colorido da alma nos faz retomar o controle dos nossos próximos passos.

Fui ler um pouco sobre o que os especialistas dizem a respeito e como tratam o assunto. O fato principal, que pude constatar, é de que não existem regras comuns, já que o sofrimento é único, e íntimo. Perdura a dor enquanto as mágoas se mantiverem presentes e normalmente as mágoas são fruto de um rompimento inesperado e inexplicável. Daí a importância de se fechar os ciclos, já que a quase certeza pode ser mais cruel e torturante do que a própria certeza.

Infelizmente a doença social que aflige a maioria das pessoas, levando-as à solidão e à carência, catalisa e potencializa a dor, esmigalha a auto-estima e impulsiona o desafeto. Encostar a cabeça no travesseiro para curar uma dor e esperar o tempo passar, ao invés de dar um fim para se seguir adiante, pode não ser o melhor caminho. Resolver, sim!

“As pessoas se esquecerão do que você disse, se esquecerão do que você fez, mas nunca se esquecerão do que você as fez sentir”

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Aos apaixonados, a vida, todo dia e hora!

Hora de segurar as lágrimas, de perdoar e esquecer as mágoas, de correr para o abraço e se encantar com os beijos, de admirar a vida, de clamar pela alegria e de sorrir.

Hora de acender a chama, de namorar no escuro, de se entregar maduro, de se orgulhar do outro, de aproveitar a vida, de clamar pela alegria e de sorrir.

Hora de relembrar os momentos, de ver passar o tempo, de vincular os sonhos, de validar os planos, de agradecer a vida, de clamar pela alegria e de sorrir.

Hora de decidir o rumo, de acontecer os sonhos, de realizar os planos, de valorizar a vida, de clamar pela alegria e de sorrir.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O amor e a razão!


"Se ela entrar na minha vida, eu saio"

domingo, 7 de junho de 2009

Triste Fim!

Realmente o que se esperava. As pétalas caíram e a flor morreu. Tudo secou. Muito e pouco se fez e a espera foi dolorida. Não houve mentiras, mas omissões. Não houve culpados e nem tampouco cúmplices. Deixou-se. O desgosto e a dor. A raiva e o ressentimento. A dúvida e a tragédia. Muita depressão. Agressões vazias. Um amor enterrado. Planos desfeitos e aquele falso sorriso. Voltamos a animar a platéia e a tentarmos enganar o destino. Voltamos, para a tristeza de alguns e alegria de outros.

Triste fim para uma bela história, recheada de fantasias e sonhos, mas iluminada pela dúvida e pela covardia. Uma doce loucura. Um triste e covarde fim! Um indesejável fim...

O Segundo Ato!

Nada pior do que a rotina, ou o tempo, que quando não cuidado faz as paredes racharem. Os beijos secam e do úmido da paixão somente os respingos. O brilho se esvai, ou quase, e faltam motivos para sorrir. Os casos são quase os mesmos e os gestos previsíveis. Não há som e tampouco tilintar, guizos nos sapatos são ocos. Na lembrança, o como era e não o como poderia vir a ser. Suportam-se, mas sem demonstrar entusiasmo. Os olhares são escassos e a meia verdade invade os corações. Não magoar demais é a regra, mas enquanto houver regras a mágoa se prolifera. A dúvida, os meios e os fins. As pessoas e os gestos. Os gostos e o ralo. As borboletas se acalmaram e o frio que antes invadia a alma, tornou-se suportável, silenciou. A alma não é mais a mesma e os corações pouco aceleram. As horas mal passam e espera-se ansiosamente a silenciosa morte. Nada mais a fazer...

Cadê o sorriso como alimento? Cadê? O sentido não há, assim como rumo. Uma espera dolorida, o negro das emoções...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Primeiro Ato!

Eu vi e não acreditei! As borboletas revoaram e as pernas tremeram. Os dias foram tensos e intensos, a vontade e os sonhos inundaram o meu universo. O desconhecido virou um desafio e o sol novamente brilhou, aqueceu, quase fez florir.
Um dia os sorrisos se cruzaram, os beijos molhados e o presságio de um amor, os abraços apertados, o gozo. A distância e a saudade louca, a prata das estrelas e o ouro do poente. Os risos, os desejos e o tempo. A réstia de luz na cabeceira, os tecidos espalhados ao vento. O cheiro e os fluídos. O riso, o sono merecido e o novo despertar. Quanto eu quis e mergulhei. Quis muito e fiz, eu trouxe.
Uma paixão louca, um carinho e o inevitável amor! Os olhos fechados e a inexistência de limites!

sábado, 30 de maio de 2009

Poeminha de Paixão!

Ao perder-te eu a ti
tu e eu teremos perdido.
Eu, porque tu eras o que eu mais amava;
tu, porque era eu que te amava mais.
Mas, de nós dois
tu perdes mais do que eu.
Porque eu poderei amar a outras
como amava a ti,
Mas a ti não te amarão mais
do que te amava eu!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Conversa de Boteco!

Dias atrás, lá no Colarinho, na expectativa das inovações e desejando pleno sucesso aos amigos Rubens, conversávamos em um pequeno grupo sobre a lei anti-fumo, em vigor na cidade de São Paulo, seus reflexos, implicações, perdas e ganhos e a provável adequação para outros estados. - Os fumantes deveriam sair do bar, diziam uns; - os não fumantes não deveriam ir ao bar, diziam outros;- o que seria do movimento dos botecos? dizia o dono do bar, lógico...; - e a saúde das pessoas?... todos deveriam ter consciência..., e por aí foi a conversa... Como toda conversa de boteco, não houve consenso!

Quando se usa o termo “proibir”, independentemente do que seja a proibição, gera-se uma repulsa natural. Talvez pela inquietude da natureza humana, onde apesar de nos vermos obrigados a seguir regras para uma convivência social harmoniosa, tendemos a desafiar e questionar as mesmas regras sob um prisma individual, segundo os nossos interesses e as nossas percepções.

Como “proibir” o uso do cigarro em bares e restaurantes? Essa é uma atitude autoritária e unilateral, não se respeitando o direito individual das pessoas. Tanto daquelas que fumam, quanto das que não fumam. Segundo estatísticas o número de fumantes no Brasil encolheu para 25% da população. Maioria contra minoria, o bem contra o mal..., caça às bruxas...

É sabido que o fumo prejudica a saúde, e que as doenças derivadas do vício do cigarro oneram os serviços de saúde e a previdência social. Mas o que dizer das outras inúmeras causas que agridem a saúde das pessoas, o meio-ambiente e a sociedade em geral? Como estão sendo tratadas?Um grande imbróglio político e polêmico. Muita falácia, muito jogo!

O fato é que um bom boteco sem fumaça de cigarros ou de charutos não é um bom boteco! Se conseguíssemos sugerir um pouco mais de educação a alguns fumantes, para que não se livrassem da “sua” fumaça, simplesmente esticando o braço para a mesa de trás, certamente encontraríamos a tão merecida paz, para que assim as turbulências das conversas ansiosas, ricas e vorazes não fossem incomodadas ou interrompidas, e que da inevitável intoxicação, os fumantes passivos tenham a chance de continuar a viver muito mais do que os suicidas.

Viva a liberdade e o respeito!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Há um deserto em nossos corações!

O tema desta postagem me fez refletir profundamente sobre a luta silenciosa, interior e permanente das pessoas. Sobre o lado bom e o ruim, sobre a solidariedade e a ganância, sobre a desigualdade, sobre a manipulação, sobre o bem e o mal que habita os nossos corações.

Temos acompanhado atentos, ao processo recente de luta da ministra Dilma, diante de um câncer linfático, ou do vice-presidente José de Alencar, com sua coragem e otimismo diante das inúmeras intervenções pelas quais já passou e pelas que estão por vir. Sensibilizamos-nos profundamente com a situação, muito delicada, e torcemos por um bom final.

Elegemos Ana Maria Braga como um exemplo de superação, sobrevivente também de um processo agressivo de doença, e ficamos indignados por Luciano Huck, quando teve seu relógio Rolex, arrancado do braço, em um assalto em uma avenida de São Paulo. Para o cantor Valdick Soriano, já falecido, e que teve uma vida de louros e sucessos, fizemos campanha arrecadando recursos para que ele não passasse por situações mais difíceis ainda, depois de usufruir de tudo o que ganhou. O cantor Belo, preso por associação ao tráfico e agora em liberdade provisória, arrasta multidões para os seus shows..., sentimos pena e injustiça.

Por momentos, esquecemos que em um país em desenvolvimento, para não dizer pobre e desigual, como o Brasil, milhares de pessoas passam por situações similares, ou muito piores, sem o atendimento, a atenção e o acesso dos poucos. Morrem..., são violentados dos seus direitos, muitos sem saber, muitos sem poder. Esquecemos que isso existe, bem próximo de nós, às vezes ao nosso lado...

Não sei se isto é coisa de brasileiro, um coração mole, às vezes até demais, mas nos sensibilizamos com o choro de alguns políticos, ao se desculparem publicamente pelos seus roubos e falcatruas e os reelegemos como nossos representantes. Sentimos muito com a separação, por vaidades ou contratos publicitários, de um casal formado no Big Brothers, e assim corrompemos a família e os valores. Transferimos os nossos anseios para um trem fantasma com montanha russa em um parque de diversões falido e passamos a sonhar os sonhos dos outros.

Ao percebermos que as frustrações superam as expectativas o jogo muda e passa a valer de tudo, ou quase, e que às vezes esquecemos. A doce universitária rica que participou do assassinato dos pais, o intocável deputado embriagado que matou irresponsavelmente dois jovens, os jovens de classe média alta que incendiaram o indígena ou que faziam parte de quadrilhas de assaltantes, o famoso jornalista que assassinou a ex-namorada, o juiz de futebol que favorecia resultados, a criança que aos 12 anos de idade já possui mais de 10 passagens pela polícia. Realidades de um deserto que separa e une, de uma fronteira entre as flores e o abismo, no limiar e no fim dos pensamentos e das ações.

Onde queremos e onde iremos chegar?

domingo, 17 de maio de 2009

Quanto Afeto!

Mudei para o centro da cidade recentemente, para um lugar simpático, grande demais para a minha solidão, mas um tanto acolhedor. Talvez pequeno, diante dos meus sonhos, mesmo com esse desapego que carrego comigo e que às vezes me faz refletir sobre o quanto não tenho acumulado para o meu futuro. O apartamento é a minha cara, segundo os amigos, que torcem sempre para o meu melhor. Recebê-los em casa é um louro, guardá-los no lado esquerdo do peito, uma alegria, uma satisfação, puro combustível!

Saí de casa, dias atrás, e no primeiro cruzamento fiquei encantado..., um tanto surpreso também, confesso, mas esperançoso! Nas proximidades onde moro circulam muitos adolescentes, estudantes dos cursinhos que a região abriga. Foram muitos beijos carinhosos, abraços encantados, sorrisos felizes. Para elas parecia que o mundo tinha parado, congelado e nada mais importava. Um afeto incondicional diante dos meus olhos, invejosos. Os poucos minutos em que, não intencionalmente observei, naquela esquina, enquanto o sinal estava fechado, foram suficientes para que eu lembrasse das poucas demonstrações carinhosas e de uma série de desencontros e desamores, que tenho presenciado nos últimos tempos. Pensei no quanto nos faz bem a harmonia, a paz e o amor.

Indo um pouco além, caminhar pelo centro da cidade é muito interessante, e olhar as pessoas, me faz imaginar os seus anseios e dificuldades, as suas alegrias, as suas derrotas e vitórias, simplesmente pelo jeito de andarem e pelas feições. Sorrisos, caras fechadas, andares descontraídos, ou tensos, rápidos ou tranqüilos. Presenciar discussões de casais tem sido normal, além de várias agressões entre pessoas que escolheram por ficarem juntas. Triste!

Voltando aos beijos e abraços carinhosos das adolescentes, refleti com profundidade sobre a falta de afeto que existe no mundo, sobre as disputas, os egoísmos e sobre as nossas escolhas. O fato de presenciar um momento imensamente feliz de duas pessoas me fez resgatar somente bons sentimentos. Questionei-me do por que fiquei tão surpreso com as demonstrações de afeto, se o afeto deveria ser a base e o propulsor das nossas relações? Também, que temos em nossas mãos um grande desafio, de buscarmos o simples e o básico, para que tenhamos uma vida mais feliz.

Penso que se faz necessário, urgentemente, um olhar para nós mesmos e somente depois para o outro, despindo-nos das más intenções, dos preconceitos, quebrando paradigmas e estabelecendo outro modelo mental. Construir novas relações, sadias, sermos pessoas melhores.

Temos um universo em nossas mãos e uma grande missão, onde cada um é único e feito para amar e para ser amado!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Para onde vamos!


Acho muito interessante refletir sobre as falas e frases das pessoas, as quais no decorrer do tempo se perpetuam com uma velocidade imensa e adquirem novas configurações, em novos contextos. Ao procurarmos interagir com esses momentos, trazemos uma reflexão de alguém para a nossa realidade, para a nossa vivência, para o nosso querer. Interpretamos sob a nossa ótica, com a nossa liberdade e nossos preconceitos, e pela nossa razão e ordem, novamente compartilhamos com outros.

O que dizer sobre a frase de Carlos Drumond de Andrade: “Há vários motivos para não se amar uma pessoa. E um só para amá-la...”? Que motivo único eu teria para amá-la, ou quais para não amá-la? Eu sei quais, realmente sei todos, mas são meus..., e os seus serão sempre os seus....

Shakespeare quando disse “Nós só ficamos em ordem quando estamos fora de ordem”, quis dizer o que? Talvez que necessitamos nos despir das conveniências sociais para mostrarmos realmente quem somos..., ou que transgredir é natural do ser humano e que estes momentos nos elevam. Quem pode dizer? Eu também sei, sob o meu desígnio. O que você acha?... você acha....

Assim, vibro demais com a capacidade humana e com a criatividade das pessoas, que ao transportarem para o seu universo dizeres passados, trazem um novo sentido e um novo entendimento, em um novo contexto. Realimentam espontaneamente as vivências e a vida. Criam expectativas e estimulam o crescimento continuo...

Fecho esta reflexão com Einstein: “A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original”.

Qual é o tamanho dos nossos sonhos? Qual?

terça-feira, 12 de maio de 2009

De Volta do Exílio!

De volta ao blog, como se exilado estivesse. Fico impressionado o quanto estamos reféns da tecnologia, e a pouca competitividade nos remete a termos que acatar as infidelidades e o desrespeito dos nossos prestadores de serviços.

Mudei de endereço recentemente e foram dez dias de brigas para que o prestador cumprisse o combinado e transferisse meu acesso à internet para a casa nova. Também esqueci a minha senha de acesso ao blog, junto ao Google e lá estou refém, pois não consigo uma nova senha, o que me impede de atualizar as postagens de outros lugares e de outras máquinas. Fiquei quase incomunicável e me sentindo na clausura!

Tenho pensado o quanto perdemos energia para solucionarmos problemas que não causamos e o quanto nos agredimos ao termos que aceitar condições pouco favoráveis a nós mesmos. Ainda vivemos um grande engodo nas relações comerciais. Acendi velas para todos os Santos...

Aproveitando o embalo da volta à ativa quero cumprimentar os amigos e amigas que acompanham este blog e desculpar-me pela minha ausência involuntária. De volta, em meio à pandemia e às deturpações políticas, ao saque ao Brasil e aos brasileiros, às novas influências e novidades musicais, aos bares de Curitiba e do mundo, às conversas, às pessoas e aos acontecimentos, temos muitos assuntos para colocarmos em dia... Compartilho a minha satisfação e a minha alegria pelo regresso e brindo a todos!

Namastê!