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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O que foi feito do amor!


“O amor que tu me destes era doce e se acabou”! Para alguns é o mundo moderno, para outros o caos, para alguns, pecado, para outros, destino, para alguns, escolha, para outros, obrigação, para alguns, reclusão e para outros, felicidade... Competição, desencanto, ilusão, prisão e desgosto ou afeto, companheirismo, construção, confiança e lealdade? Em que bases estão sendo solidificados os relacionamentos?

Até pouco tempo, o sonho de qualquer pessoa era de encontrar o grande amor da sua vida, casar, construir uma família, um teto, uma relação familiar e harmoniosa, fazendo com que o ciclo virtuoso da vida frutificasse. Hoje, o que se houve são demérito, loucura e frustração, como se a culpa fosse da instituição casamento, ou relacionamento, e não das pessoas. Tratam-se as companheiras ou companheiros sem nenhum pouco de respeito, em chacotas de bares, em rodas de fofocas, em brincadeiras depreciativas, e sonham viver a vida dos outros, como se as suas não lhes bastassem.

Deixando qualquer preconceito de lado, estar com alguém pode ser bom, ou pode ser ruim. Pode ainda ser as duas coisas: bom e ruim, dependendo de como o casal trata os seus assuntos, o quanto se permite e o quanto se esforça para que a relação seja próspera e feliz. É claro que ter que aturar alguém, em qualquer situação da vida, seja por questões afetivas, financeiras ou mesmo pela falta de opções não é nada fácil, ainda mais neste mundo moderno onde tudo é uma grande vitrine e basta você se expor ou ir atrás de quem se expõe e pronto, termina-se mais uma relação sólida, para ingressar em outra, duvidosa.

É óbvio que as escolhas são de cada um, mas na face de cada pessoa encontra-se moldada as amarguras de uma relação desfeita, dolorida e infeliz, e por mais que as mentiras e as palavras contrariem as verdades, ninguém busca uma relação de insucesso. O que se colhe com tudo isso são sofrimento, lágrimas e insegurança, que se perpetua e de alguma forma contribui para que as novas relações sejam cada vez mais vazias. Mas ainda é uma questão de escolha, entre construir e não construir, entre ficar e deixar, entre se comprometer ou desistir.

É importante lembrarmos sempre, que uma relação é uma grande vivência, composta por vivências bem pequeninas e que fazem toda a diferença.  É preciso amar a pessoa que escolhemos, e é preciso sabermos amá-la. É preciso colorir ,para que a vida se transforme, e colorir a dois, pois é muito melhor do que só. Lembrarmos também, que em nossos sonhos a outra pessoa deve estar sempre presente, pois para se acordar ao lado de alguém é preciso dormir com ele(a), um sonho tranqüilo e harmonioso.

Namastê!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Valentine's Day


Nos Estados Unidos e em outras partes do mundo a data de hoje é importante - “Valentine’s Day”, assim como para nós o significado também é, dia 12 de junho, o “Dia dos Namorados”. É uma data afetuosa, onde os casais reforçam os seus vínculos e as suas escolhas. Uma data para declararem-se, presentearem-se e fortalecerem  a relação a dois, ou a mais, se assim desejarem, a selar os seus destinos, mesmo que provisoriamente.

Não obstante aos apelos do comércio, que em datas como esta apresenta um extraordinário aquecimento de vendas, com presentes, restaurantes, viagens e motéis, gosto sempre de refletir sobre o que mais podemos esperar desses marcos, e uma questão me chamou a atenção: precisamos de uma data em especial para reforçar as nossas intenções?

O amor está presente em nossas vidas, todos os dias e é uma benção quando estamos ao lado daquela pessoa que nos faz ainda mais felizes. Uma relação sólida e um amor maduro exigem respeito, admiração, paixão, desejo e cumplicidade. Exigem querer..., mas um querer tanto, que as adversidades e chateações do dia a dia, as rotinas e os desencantos jamais são suficientes para provocar um rompimento. Assim, todos os dias serão mágicos, dias de namoro.

Agora, se o seu ou a sua escolhida, precisa ser lembrado em um único dia especial no ano, que é uma pessoa especial para você, e para que tenham mais atenção um ao outro, talvez as suas escolhas possam estar equivocadas e o cristal, se não quebrado, pode estar prestes a quebrar. Aproveite então o dia de hoje, mas celebre todos os dias com o seu ou a sua escolhida, pois o amor pode ser eterno, mas as escolhas não.

Namastê!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

É você quem eu amo!


“Diga que me odeia, mas diga que não vive sem mim”, canta Rita Lee na sua música “Bem-Me-Quer”, composta em parceria com Roberto de Carvalho, uma de suas maravilhosas composições. Tenho falado insistentemente que nas relações afetivas é permitido o transbordo, quando as emoções estão afloradas, pois quando ocorre, demonstra que as pessoas se sentem confortáveis e confiantes, umas às outras. Na maioria das vezes uma catarse de sentimentos revigora a relação, desde que haja a cumplicidade e o respeito.

É óbvio que não existem regras absolutas quando se trata de uma relação afetiva e tampouco quando um casal decide “discutir a relação”. Tudo é relativo! Há que se considerar o passado, o presente e o futuro, os acontecimentos, o estado emocional, a previsão do tempo, a liberação hormonal, os desejos e as reparações. Ahh..., e não esquecer as comparações, os conselhos e os veneninhos que são lançados pelos amigos ou amigas invejosas. Pronto, um redemoinho está prestes a invadir aquelas almas gêmeas, podendo tornar-se um tornado, ou quem sabe um furacão... Depois, a calmaria!

Quando duas pessoas esgotam os seus reservatórios de dúvidas, de ressentimentos, conhecem-se mais profundamente e percebem que se amam ainda mais. Mantém consigo o desejo e a certeza, de que aquela pessoa que está ao seu lado realmente é a pessoa da sua vida. Entendem que o belo e o perfeito é tudo aquilo que lhes faz bem, e que no âmago das suas vidas existe o “eu” e existe o “nós”, a serem compartilhados. Assim se fortalece o amor, na conquista diária e no esforço dos corações apaixonados.

Namastê!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A ternura de ser mulher!


Nas diversas facetas da paixão, há um puro lapidar do amor, edificado em bases sólidas,  em encantos e  desejos, a desabrochar sentimentos castos e virginais. Ao entregar-se ao amor, amortecida pelo receio e ensandecida de excitação, lançou sobre si mesma uma nuvem de felicidades e aguçou no íntimo, sua alma iluminada. Decidiu-se então, encharcou-se de malícias, sem maldades, e entregou-se.

Não havia como suportar, ou refutar, já que a dor poderia ser ainda maior. Mas não era a dor que importava, e sim o desejo. Se fraquejasse, poderiam emergir decepções e frustrações, mas mesmo assim não se sentia pressionada, pois sabia que era o momento. Toda mulher sabe quando é o seu momento, pois é único, e aquele era o momento dela. Não havia dúvidas, por mais vacilante e cruel que um engano pudesse ocorrer, e as suas consequências, estava pronta.

Os lábios trêmulos, em beijos ardentes. A volúpia de estar ali, prestes a emergir no pecado, pois sempre fora induzida a esperar. Os abraços intensos e o estímulo fugaz. Os corpos nus e tão próximos. O sussurrar das palavras e os gemidos. Os primeiros carinhos transbordos de emoção e o lacrimejar de alegria e medo. Tão obscura fora a sua vida, repleta de momices, e tão dissimulada. Chegara à hora de ser mulher.

Diferentemente de muitas mulheres que conhecia, ou que ouvira falar, escolheu o seu par, e era o seu grande amor. Por mais que aquele amor não durasse para sempre, e ela sabia que isso poderia acontecer, tinha a certeza que ele era a pessoa certa. Era para ele que decidira se entregar. Com ele, traçou planos, e fez eclodir as suas fantasias. Com ele sentiu-se ansiosa, e depois segura. Em nenhum momento desejou outra pessoa. Sabia muito bem diferenciar sonhos da realidade, e assim percebeu que tinha amadurecido.

Por mais marcantes que tenham sido os momentos e detalhes, as pessoas, os lugares, nada lhe extasiava mais do que saber que tinha crescido e que a sua experiência fora única, e exclusivamente sua. Que o desconforto fora selado pelo carinho e pelo gozo, e que ali se tornara mulher, desabrochara. Não havia o que contar, ou comemorar, mas guardar para si o seu momento, como um cristal único, precioso, a levar consigo pelo resto da sua vida. 

Transformou-se então, dividiu toda a ternura, doçura  e encanto de ser mulher. 

terça-feira, 25 de maio de 2010

O que lhe dizem, e o que você ouve?

Particularmente, adoro ler os resultados, e principalmente as análises, de pesquisas diversas. Não pesquisas eleitorais, de interesse público, ou de publicidade, mas aquelas que tentam justificar sobremaneira o comportamento humano, e tentam induzir as pessoas a se aceitarem ou a se rebelarem contra a ordem social e os costumes. Aquelas que nos fazem refletir sobre os nossos atos em relação às outras pessoas, sobre os nossos desejos, interesses e repúdios, e sobre a nossa felicidade.

As duas últimas pesquisas que li realmente me instigaram. Nenhuma foi realizada no Brasil, pois ainda somos subdesenvolvidos, e subdesenvolvidos devem acatar e não orientar. A primeira, em sua conclusão, trouxe indicativos de que a maioria dos casamentos desfeitos apresentarvm um comportamento comum nos casais: uma felicidade muito maior do homem, do que da mulher, em termos gerais. A segunda, dizia que homens casados com mulheres mais jovens, ampliam a sua expectativa de vida, enquanto mulheres casadas com homens mais jovens antecipam a própria morte.

Antagonismo ou não, interiorizar estes insights e combiná-los, é arriscado demais, e pode levar-nos à depressão, ou a tomarmos decisões precipitadas. Casar-se com uma mulher mais nova pode fazer os homens muito felizes e ampliar a expectativa de vida deles, mas implica em separação breve, já que a sua felicidade será muito maior do que a dela.. Por outro lado, casar com um homem mais novo pode deixá-la mais feliz do que ele, e garantir um casamento mais longo, que poderá ser abreviado pela própria morte precoce...

A questão principal são as escolhas! O que nos faz feliz e o que nos eleva, de forma que possamos usufruir ao máximo das nossas relações e das nossas vivências. Pesquisas e informações, assim como conselhos e orientações, são indutores para as nossas reflexões, cujas decisões cabem a cada um. Bobagens às vezes, relevantes, outras. . O tempo cronológico pouco importa, o tempo das emoções, sim... A vida é o que realmente importa, e poderá ser breve, ou não, independente do tempo!

Homens e mulheres vagam por aí, à procura ou à espera de um relacionamento perfeito. Desvanecem de toda sua ternura e cimentam os seus corações. Nas suas vaidades, carregam o peso de se acharem plenos e sucumbem. Mergulham no negro e vazio das emoções e expelem sentimentos ácidos, repletos de frustações e desilusões. Mas como tudo na vida se pode racionalizar, seguem no fio da navalha e encontram conforto em estudos bizarros, os quais, como suspiros, justificam as suas incapacidades.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Quem você quer ao seu lado?


Há alguns dias, recebi em meu email a mensagem de uma pessoa conhecida, com o seguinte teor: “Fiz uma limpa em minhas listas de contatos e se você não se encontra mais lá, é que não tem feito nenhuma diferença na minha vida, então resolvi lhe deletar.”. Imediatamente corri a acessar a lista de contatos, para verificar se havia sido deletado... Para a minha alegria e alivio, eu ainda estava lá...

Refleti muito sobre a atitude corajosa dela, um tanto extrema, em um momento em que as pessoas andam solitárias e procurando com quem se relacionar, mesmo que sejam relações vazias. Chegam a participar de grupos, trupes, somente para se sentirem aceitas, mesmo não tendo nenhuma afinidade e interesses, além de relações superficiais, para terem o que contar aos outros, o que registrar.

Vejo pessoas, que possuem mais de 300 amigos no orkut, ou em outros sites de relacionamentos, e recebem centenas de recados, mas que não são capazes de solidificar as relações, pois são relações aparentes. Da mesma forma, encontro pessoas que mantém as suas poucas amizades e as cuidam, para que se fortaleçam cada vez mais e continuem infinitas no tempo, para que os abraços carinhosos e verdadeiros do presente se perpetuem no futuro.

Eu também tenho em minhas relações, muitas pessoas que não fazem nenhuma diferença em minha vida, mas que talvez eu faça nas delas, algumas que atrapalham, assim como outras sem as quais não viveria feliz, sentiria muito, e sinto a falta delas... Mas o que queremos conservar? ... como bem lembrou Juliana Machado em um comentário anterior no blog.

Ainda sobre o assunto, temos que descobrir aquilo que nos torna melhores, felizes, e que nos estimula a seguirmos com as nossas escolhas. Certamente iremos querer ao nosso lado, não quem nos afunda, que nos machuca, mas sim, aquelas pessoas que nos elevam, mesmo que não percebam o quanto são importantes em nossas vidas...

Namastê!

domingo, 10 de janeiro de 2010

A escolha do seu par...

Meu amigo Amici enviou-me este texto, primoroso e genial, escrito em 2004, por Stephen Kanitz. Não pude deixar de compartilhá-lo, principalmente em razão de tantos desencontros nas vidas de pessoas que muito se amam.

“Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar. Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress. A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par. Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile. As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam. Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de "ficar", o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero. Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o "ficar" descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota. “

Stephen Kanitz é administrador por Harvard (http://www.kanitz.com/)
Editora Abril, Revista Veja, edição 1877, ano 37, nº 43, 27 de outubro de 2004, página 22

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Deixo rolar?

No universo das relações, um tema tem incomodado muita gente, e tem sido motivo de análises, diálogos e posicionamentos diversos, envolvendo a mídia, profissionais especialistas, gurus, ilusionistas e até videntes: quando uma relação evolui, do simples ficar, e torna-se "séria".

Não há dúvida de que a sociedade evoluiu, e muito, quando o assunto é a “vida a dois”, e diversos tabus envolvendo relacionamentos, foram quebrados. A revolução sexual, a independência e equiparação das mulheres, o volume de informações disponíveis, além de uma necessidade de auto-afirmação, motivado pelas doenças sociais, são alguns catalisadores deste processo que vivenciamos, o qual confronta a solidão e a independência, com a decisão por uma vida ao lado de alguém.

Por natureza, o ser humano necessita de um parceiro, e busca no outro, um complemento às suas necessidades, sejam elas afetivas, profissionais, ou mesmo para coisas simples da convivência no dia-dia. Não me refiro a uma dependência, mas sim ao bem estar e ao querer, pois ao encontrar no outro, interesses comuns e afinidades, desejos e sonhos convergentes, tornam-se grandes as possibilidades de a relação estar selada.

Acontece, porém, que as pessoas têm se colocado espontaneamente em um jogo perigoso, do ficar por ficar, do satisfazer simplesmente os seus desejos egoísticos, do usar o outro. Noites casuais, seduções e provocações vazias e um desejo incontrolável de se mostrar capaz, para depois dividir com as amigas ou amigos, as conquistas e os louros, sob suspiros e ovação da platéia medíocre. No vazio das emoções, o arrependimento e a culpa e a frustração pela incapacidade de se relacionar, além da infelicidade pela incapacidade de amar.

“Sou tão maravilhosa, que não param de me ligar ou mandar mensagens”, frase que ouvi de uma pessoa próxima e infeliz, no seu narcisismo motejo; “Sempre vou morar em um local apertado, para que ela entenda que não cabe mais uma pessoa na minha vida”, outro depoimento infausto, como se o mais importante fosse o espaço físico e não o do coração. “Quero a minha independência para poder aproveitar a vida”, como se para aproveitar a vida, o importante é estar só...

Incongruências, obtusidades, impropriedades. Neste cenário, dois predicados, sem nenhum preconceito, cabem às pessoas, e sintetizam esses comportamentos e atitudes – imaturidade e promiscuidade. Podem estar isolados ou combinados, serem supérfluos ou intensos. Podem ser atemporais ou momentâneos. Podem ser frutos da escolha pessoal, ou da imposição. Podem ainda, ser controlados ou libertos. Podem influenciar, e orientar o destino. Em um sentido amplo, ser a vida ou a morte.

domingo, 22 de novembro de 2009

O que divide e o que expande?

A raiva e os ressentimentos dividem, o amor expande...
O egoísmo e o desprezo dividem, o carinho expande...
A mentira e a traição dividem, a verdade expande...

Nas nossas relações, vibramos com cada avanço... Quando estamos bem, todos os atos e acontecimentos, que atendam ou superam as nossas expectativas com o relacionamento, nos elevam, e nos trazem a certeza de termos encontrado a pessoa certa, com a qual queremos compartilhar todos os momentos da nossa vida, sejam eles bons ou ruins, complicados ou banais.

Colocar mostarda em um hot dog, esparramar as roupas na cama e descabelar-se, lavar o carro, voltar à academia, arrumar a casa, dividir a última bala, deixar um recado na caixa postal, não incomodar-se com os atrasos, comer torta ou lasanha sem culpa, são exemplos de situações, que por mais simples que sejam, em sintonia, possuem um significado imenso para a relação...

Assim como, preocupar-se com o futuro, arrancar um sorriso nas horas difíceis, abrir mão de coisas e situações, dividir as preocupações, ignorar a TPM, acalmá-la com um abraço acolhedor, expor-se perante os amigos, são exemplos de situações mais complexas, que também possuem um grande significado, mas que quando se tem a certeza daquilo que se quer com a relação, tornam-se simples...

Finalizando esta postagem, nos relacionamentos, o que divide ou expande são as escolhas, que podem nos remeter ao amor ou à raiva, à acolhida ou ao desprezo, à verdade ou à mentira. Escolher estar junto com alguém, deve ser uma decisão madura, pois sempre existirão avanços e renúncias. Felizmente, se escolhermos a pessoa certa, as alegrias sempre serão muito maiores do que as frustrações!

Boa semana, e boas escolhas!!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tu és responsável...



“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...”

Antoine de Saint Exupéry

Atiramos ao léu as nossas conquistas e as nossas relações, sempre que abrimos mão do cuiidar. Deixamos as coisas seguirem e até ignoramos aquele que tanto nos quer e nos faz bem. Comportamos-nos tais quais irresponsáveis extrativistas, ao sugarmos arbitrariamente o sulco que tanto necessitamos, e que nos alimenta a alma. Deixamos..., enganamos ao outro e a nós próprios, e assim matamos aos poucos a relação e a razão da nossa própria existência.

Seguimos com nossas vidas obtusas, deixando para trás um infinito mar de decepções, que as outras pessoas carregam por nós. A mágoa incessante, alimentada pelos espinhos incrustados na vã existência, em um mar de lágrimas e sofrimentos. Os enganos, expansão das ilusões e dos sonhos despetalados. Os ressentimentos e as marcas deixadas no âmago das nossas vidas, e nas reflexões, a turbulência incessante do desgosto. Maltratamos a rosa, menosprezamos o amor e silenciamos as borboletas.

Ódio é pouco, mas não é o ódio. Raiva é pouco, mas também não é a raiva. A decepção sim, pela escolha em nos entregarmos de corpo e alma à luz, e ao nos sentirmos acolhidos, um mergulho frio na escuridão voraz do abandono. Doce ilusão, cristais despedaçados, tempestade de culpas.

Resiliência!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

As amizades e o tempo!

Quando crianças nos ensinaram piamente sobre a cronologia, sobre as nossas responsabilidades e o cumprimento das nossas obrigações. Sobre como sermos cidadãos decentes e o nosso papel na sociedade. Sobre como exigirmos os nossos direitos, e cumprirmos os nossos deveres, para uma cidadania plena. Ensinaram-nos também, que a família, a escola e a religião são instituições fundamentais para a formação do nosso caráter.

Sem que nos ensinassem, aprendemos que a convivência com outras pessoas é uma tarefa difícil, na medida em que dividir, compartilhar e aceitar o outro é uma decisão de cada um, e entre as broncas dos pais, dos professores ou dos clérigos, pelo nosso egoísmo nato, nos sentimos acuados, confusos e aprendemos que sempre que os interesses forem convergentes, o caminho se torna mais ameno, fácil e divertido, se bem acompanhado.

Assim, aprendemos a confiar no outro, e de alguma forma, inicialmente, nos tornamos dependentes por pleno interesse, cujos vínculos se transformam, quando bem cuidados, em afetivos. O tempo cronológico não tem muito a ver com este tipo de transformação, a qual acontece quando os corações se encontram próximos, e respira-se o outro. Respeita-se o outro. Admira-se o outro.

Experimentei no último sábado, compartilhar minhas alegrias com amigos de mais de 35 anos de convivência, amigos de mais de 20 e 10 anos, amigos recentes, todos plenos na minha caminhada. Em cada olhar e em cada abraço, um sentimento puro de bem estar, de amor e de felicidade, simplesmente por tê-los próximos, e uma saudade imensa daqueles que por algum motivo ali não estavam.

Indelével o sentimento mútuo que permeia as pessoas que se querem bem, e que ultrapassaram as razões das conveniências. Admirável o sentimento puro que perpetua a vida das pessoas que escolheram seguir juntas, e que continuam as suas jornadas lado a lado. Louvável o sentimento das pessoas que cultivam as amizades, e que se doam ao outro, nos simples gestos, na magnificência da alma.

Finalizo esta postagem com uma carga imensa de emoção, seja pela imperdoável perda ou distanciamento de algumas pessoas com as quais deveria caminhar junto, e pelo agradecimento às amizades construídas e consolidadas ao longo da minha natividade.

Um brinde ao outro!

Namastê!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O querer de cada um...

Há alguns dias atrás estava conversando com um casal de amigos, enquanto tomávamos alguns drinks lá no Jockers, que particularmente considero o melhor pub de Curitiba. Falávamos sobre pessoas, sobre relacionamentos e sobre as nossas escolhas, que nos trazem alegrias e que nos fazem sofrer.

No centro do diálogo, o querer de cada um: estar, admirar, estimular, amar, escolher, viver... O ceder, abrir mão, esforçar-se, sacrificar-se, tudo pelo querer. O mergulhar em um novo universo, construindo a dois um futuro muitas vezes incerto. O deixar levar-se, com as boas intenções e os frutos de um amor intenso. O levar, colocando purpurina nos vazios da relação. À margem, mergulhamos na imaturidade, nas atitudes descabidas, no ressentimento e na mágoa. Uma conversa estimulante, com grande carga de emoções.

O que mais me instigou em nosso bate-papo, e que ainda tem me provocado reflexões intensas, foi a afirmação de que “às vezes empoderamos demais o outro, e pagamos um preço alto por isso”. Gostei muito, pois realmente os excessos que cometemos em favor da outra pessoa, nos tornam mais dependentes dela, seja pela admiração, paixão ou amor. Não acreditamos que as relações possam chegar ao fim e ficamos reféns de uma incerteza, e vítimas das nossas próprias escolhas. Adorei...

É bom falar sobre relacionamentos, ainda mais quando buscamos incessantemente a felicidade, e felicidade tem tudo a ver com estar com a pessoa que você ama. A pessoa com quem você escolheu estar. Algumas pessoas dizem serem felizes sozinhas, mas isso não passa de desculpas, para justificar a incapacidade de viver o outro e com o outro. Escondem-se, enganam, vivem e morrem amarguradas, nos seus pseudos mundos perfeitos e cruéis... Desacreditam e praguejam, invejam. Nas suas frustrações, sonham com dias melhores, os quais virão somente com as suas próprias transformações.

Acho que é isso, e agradeço aos amigos pela vivência...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sucesso?

Alguns dias atrás eu vi, adesivado no vidro traseiro de um carro, a seguinte reflexão: “Nenhum sucesso compensa o fracasso do lar”. Uma afirmação forte e verdadeira, a meu ver, que me fez refletir mais aprofundadamente sobre as relações entre homens e mulheres, do ponto de vista das expectativas, desejos e sonhos.

É sabido que, no Brasil, os divórcios aumentaram em 200%, segundo as últimas pesquisas realizadas pelo IBGE, e um em cada quatro casamentos fracassa. Também, que diversos fatores são elencados como possíveis causas de um rompimento, desde questões financeiras (principal causa) até a ideologia da liberação de homens e mulheres.

Tenho ouvido muito, frases do tipo: “ninguém é de ninguém”, “minha liberdade não tem preço”, “quero aproveitar a minha vida”, e me assusta a tranqüilidade com que as pessoas se posicionam assim, demonstrando uma imaturidade tão grande, que jamais poderia sustentar qualquer tipo de relação. Ao mesmo tempo, vejo homens e mulheres solitários, frustrados e muitas vezes desesperados, descrentes do afeto e do amor. São pessoas que passam pela vida, carregam e distribuem amarguras. Às vezes, fingem e enganam os outros, mas matam aos poucos aquilo que de mais importante lhes foi dado: a vida!

Não é necessário perguntar, basta olhar nos olhos de uma pessoa solitária e que se diz feliz assim, para entender que certamente ela oculta e guarda consigo, no fundo do coração uma mágoa e uma desilusão cruel, que lhe consome e lhe remete aos piores sentimentos e crenças. Ao distorcer a sua própria realidade, transfere, e racionaliza, para as plantas, animais ou para o trabalho o seu amor fraterno e incondicional. Faz um esforço para esquecer que estamos aqui para vivermos relações a dois.

Ao refletir sobre os casais, e o fracasso deles, não posso me furtar de abordar a dor e o sofrimento de um desamor. Por mais que se busquem justificativas, o sentimento de perda impele para momentos de resignação, difíceis de dissimular. Ainda mais se o rompimento for unilateral, e se o outro ainda guarda consigo expectativas, sonhos e um amor profundo, que tão cedo não irá se dissipar.

Por natureza temos o dom de ser feliz, cada qual ao seu modo, mas brindar o sucesso diante de um fracasso amoroso é no mínimo lamentável, para não se dizer vexatório e patético.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

No limiar das emoções...

O tempo sempre foi o responsável por curar feridas profundas, abertas em função dos relacionamentos frustrados, dos desejos traídos, da dor e da perda de um grande amor. Todos sabiam que isso iria acontecer, inclusive ele. Preferiu ignorar os fatos e fechou os olhos. Deixou que a vida seguisse, lhe levasse, alimentando um sonho arriscado, volátil, no emaranhado das inúmeras relações vazias que permissivamente lhe habitavam.

Julgou, que mais uma vez, mais uma, o amor lhe sorria, e foi dominado pela paixão! Como se lê em qualquer livro de poesias, paixão não impõe limites, surge, invade e rasga o peito. Impulsiona, impele ao coração uma música única, uma nota solitária e intermitente, um grito impetuoso, um mar revolto, que deflagra não só os desejos mais íntimos, mas cega a alma e desfaz a realidade.

Assim, partiu para conquista, fortalecido pela vontade sua de ter, de possuir, de entregar-se, por querer muito. Sem limites, inundado por um desejo absurdo, por uma paixão incontrolável, atirou-se de peito aberto, já que mal algum seria maior do que a ausência dela. A paixão, como o sentimento mais egoísta do ser humano, ignora o outro, pois no ímpeto, a si próprio basta para se obter felicidade. Já o amor, consolida, transforma os picos de euforia e deslumbramentos em satisfação e serenidade, os desprazeres em aprendizados e novas oportunidades. Dá sentido à vida!

Quando se quer muito, e algo se torna muito importante na vida das pessoas, conquista-se! Assim aconteceu com ele..., trouxe para o seu lado, o seu bem mais precioso, fruto dos seus incontáveis sonhos, dos seus incontroláveis desejos. Acolheu-a em seu peito e deleitou-se. Lambuzou-se, e seus olhos dilatados pela adrenalina da paixão e pelo êxtase das emoções, se acalmaram. Por alguns instantes teve a certeza de que a sua vida tomaria outro rumo, a dois, construída com cuidado para que fosse eterna, tal qual o filme que passara em sua mente infinitas vezes, desde a primeira vez que a vira.

Puro engano! A frágil construção ruiu, tal qual castelos de areia, ou cartas de baralho em brincadeiras infantis. A inseguraça e o medo emergiram de forma irascível, e dominaram a relação. Ela nunca estivera com ele. Matou-se a paixão e o carinho, suprimiu-se os desejos. A dúvida, dissipou a confiança, e o amor morreu. Da admiração, nada! ...nem mesmo uma amizade, pois a brutalidade do rompimento corroeu a relação. Da paixão audaz, mágoas e ressentimentos.

De volta à razão, restos de uma bela história. Pequenas lembranças a serem esquecidas. Tristezas a serem diluídas nas possíveis novas experiências. Uma saudade fugaz e uma amargura, nódoa da alma marcada. Expectativas enterradas e no limiar das emoções, opostos. Novas relações vazias...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Amor virtual?

Um pouco me assusta o fato do exponencial crescimento das pessoas solitárias, que buscam, virtualmente, encontrar soluções para acalmarem os seus inquietos corações. A Revista Veja tem trazido, nas últimas semanas, algumas reportagens sobre o assunto, e aos menos preparados, o tema é bastante delicado! Como entender uma pessoa que possui mais de 2.000 amigos virtuais, mas que na vida pessoal não consegue conviver com mais de 15 ou 20 pessoas? ... ou ainda, a obsessão por encontrar novos relacionamentos virtuais, sem ao menos ter a intenção de conhecê-los pessoalmente?

Deixando de lado os perigos, ou os cuidados que devem ser tomados ao se conhecer pessoas através da web, realmente não sei bem como tratar o tema: quebra de paradigmas, uma nova onda, ou insanidade. Talvez uma mescla de todos!

O ser humano sempre teve uma queda pelo desconhecido, grandes curiosidades sobre o oculto e uma excitação pelo perigo. Ao menos aquelas pessoas que estão vivas, nas quais pulsam uma energia incontrolável, ou algumas vezes latente, que quando se dissipa as eleva às alturas e dá um pleno sentido à vida!

Insatisfações e obscenidades, como a traição ou outros delitos ainda mais graves, fazem da internet um campo próspero para abusos. Conhecer alguém, brincar, trocar elogios e até relacionar-se, pode ser uma prática sadia e segura, desde que algumas regras sejam observadas. A primeira regra, é o entendimento de que nenhuma relação virtual substitui o afeto e o carinho de uma relação pessoal. O toque, o abraço, o beijo, as cócegas..., são sensações únicas, que nos fazem nos sentirmos vivos, prontos para novos riscos e para novas vivências. Outra regra fundamental é ter muito claro o que se quer com relações assim, para evitarmos as frustrações, frutos de interesses difusos. Ainda, caso realmente se esteja buscando conhecer alguém, devemos agir com maturidade, naturalidade, transpondo a relação do mundo virtual para o real, sem prejuízos emocionais, e encontrando pessoas que queiram você como você realmente é, sem fantasias.

Conheço pessoas próximas que se conheceram de forma virtual, se apaixonaram no mundo real e vivem felizes, muito felizes! Assim como outras, cujas expectativas não se confirmaram. Tenho feito boas amizades, ao conhecer pessoas na rede, e acho que pode ser uma forma de se vencer algumas barreiras, como o medo e a timidez, na busca de se fazer novos amigos, ou encontrar um grande amor.

Lembre-se, a web e as redes sociais estão presente nas nossas vidas, não podemos ignorá-las. Assim como em todo o mundo, existem pessoas mal intencionadas, porém a grande maioria, são boas pessoas, procurando se relacionar com boas pessoas. È assim na rede e é assim na vida real. Sejamos bem vindos à modernidade!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Aconteceu...

Por força do hábito, temos entendido o pavor como uma expressão ligada a sentimentos ruins, frutos de situações desagradáveis. A primeira vez que a vi, senti um pavor. Minha respiração alterou-se, meu coração disparou, minhas pupilas dilataram e minhas pernas tremeram. Gelei. Jamais havia sentido algo assim..., um turbilhão de indecifráveis emoções. Entrei em choque...

Entendi que ali estava tudo aquilo que buscava, se é que buscava algo. Sem sequer saber seu nome, ou quem era, sem sequer dirigir-lhe uma única palavra, sem sequer reparar a sua celestial beleza, sem sequer indagar-me sobre nada, encantei-me e encontrei-me. Perdi a lógica e o raciocínio... Lembro-me como se fosse hoje, e foi a sensação mais maravilhosa que já senti em minha vida!

Encontros assim, não ocorrem ao acaso, não com essa intensidade, não com essa certeza. Inesperado encontro, somente meu, que enraizou em meu peito um caleidoscópio, que me provoca as mais absurdas reações, sempre inexplicáveis, que me fazem pulsar absurdamente. Sinto pavor até hoje. A cada momento, e a cada lembrança, minhas pernas tremem e meu coração ainda dispara. Adoro isso!

Não existem explicações para os sentimentos, simplesmente sente-se. Não existem explicações para a paixão, simplesmente acontece. Não existem explicações para o amor, simplesmente surge. Brotam como uma nascente, renovando o espírito e a alma e jorrando vida em nossas sinuosas vidas.

Quando acontece, simplesmente, não existem explicações. Quando você percebe, já aconteceu!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Fora de Controle!

Uma amiga, muito querida mesmo, me sugeriu ontem, que também escrevesse sobre os homens em meu blog e relampejou a seguinte tirada: “se quiser deixar um homem desesperado, é só esconder o controle remoto...”. Adorei e tive que concordar, já que eu tenho cinco aparelhos em minha casa, não vivo sem eles e não os troco de jeito nenhum por um único, o tal de controle universal, mais moderno e complexo. Um estudo diz que nas casas das famílias de classe média, existem pelo menos quatro controles remotos.

Fui dar uma olhada em quem foi o causador dessa confusão toda, que em alguns casos torna a convivência harmoniosa do lar, uma guerra e um caos. Achei o registro de que em 1950 o primeiro controle remoto foi criado pela empresa Zenith Radio Corporation e era ligado ao aparelho de televisão por meio de um cabo, o que incomodava muito, já que tinha um limite de distância e dificultava a mobilidade. Coisas simples assim... Depois vieram as inovações.

Fiquei a presumir que nos primórdios, ter um aparelho de televisão com controle remoto era motivo de orgulho para o casal, mas também que essa alegria tenha durado pouco. Começaram cedo as altercações, por infindáveis motivos: da falta de atenção à birra mesmo! Já vivi isso e ouço muito de amigos, de amigas, casais, namorados, pais, tios, de pessoas de todas as idades, nacionalidades, times de futebol, etc..., o quanto o controle remoto interfere em um relacionamento. Causa dor, mágoa, revolta e até separação... Em casos extremos, pode chegar a ser motivo de ódio e até de homicídios e suicídios.

Em outra ocasião, também de uma amiga, ou ex-amiga (é difícil conseguir extirpar uma benção como a amizade, mas tem gente que consegue...), tive que ouvir que os homens eram similares a um controle remoto, com somente uma tecla, de liga e desliga; e que as mulheres eram controles remotos complexos, com painéis extra-sensoriais, inclusive. Entendi claramente..., o assunto rompeu as barreiras tecnológicas e o sucesso ou fracasso de um casal passou a perpassar também pelo “combine-se” do bom uso do controle remoto, e é motivo para DR´s profundos, ampliando o mercado de trabalho para os terapeutas e analistas.

Por essas e outras, mesmo sendo um apaixonado por tecnologias e inovações, fica fácil entender o porquê não troco os meus cinco controles remotos simplificados, por um universal, mais complexo. Teria que ler o manual e fazer um curso. Penso que o importante seja o resultado e a satisfação, como alavanca para a felicidade. Quanto a escrever sobre homens, é justíssimo, mas talvez não tenha a habilidade suficiente para tal, já que sou expert somente no meu universo particular. Prometo me esforçar.

Aproveito para inserir abaixo um link de um filminho que o amigo Edgar, lá de Foz do Iguaçu, me enviou e que pode ajudar no entendimento das relações entre homens, mulheres, tecnologia de ponta, controles remotos, homicídios e suicídios. Deixo meu saudoso abraço àqueles que não vejo há algum tempo e lembro-lhes que não estar próximo dos olhos, não significa estar longe do coração!

http://oblog.virgula.uol.com.br/mynameis/?p=57


(foto extraída do site www.contaoutra.com)

segunda-feira, 9 de março de 2009

A Harmonia na Diferença

Gosto muito da forma e dos textos que Danuza Leão produz. Acho uma escrita doce, sagaz, acolhedora e, sobretudo realista. Ela escreve sobre a vida cotidiana e sobre relacionamentos, temas sobre os quais também gosto de refletir e sempre que o faço fico com a impressão de que temos dado muito mais importância para coisas simples, básicas e pouco relevantes, e esquecido daquilo que é essencial. Esbanjamos-nos desesperadamente com as cascas e pouco sentimos o doce da polpa. Alimentamos o corpo e esquecemos da alma.

Trouxe um texto agradável, mas um pouco polêmico, para quebrar as deferências que fiz às mulheres nos últimos dias e mudar o foco das reflexões, apesar de admirar demais aquelas que nos tornam grandes. Estranho é constatar que mudar sempre gera um estresse, muitas vezes ruim, mas benéfico para aquelas pessoas que carregam uma inquietude no peito.

Quando nos propomos a fazer algo diferente, parece-me que as dificuldades criadas são tantas e os obstáculos se potencializam diante do novo, que nos falta energia a ponto de desistirmos, simplesmente por ser algo novo.

Um novo relacionamento, um novo trabalho, um novo desafio, uma nova idéia, trazem consigo uma teia emaranhada de complexos e complicações, advindos de nós mesmos e das pessoas próximas. A famosa dúvida, que se sobrepõe e sufoca a nossa capacidade de realização. Será que temos em nosso DNA um “freio de mão” que nos delimita a sermos pequenos?

Danuza estimula, nesta obra, a reflexão sobre uma pequena, mas importante, passagem nos relacionamentos, descrito agora, mas presente também há 50 anos e provavelmente projetado à frente. Um sentimento que se multiplica pelas gerações e se mantém vivo, imortalizado. Um exemplo dos fantasmas internalizados em nós próprios e que nos faz perguntar: vale a pena um novo? Neste caso em especial, um novo relacionamento...

A harmonia na diferença
Danuza Leão


Se eu morrer você vai casar de novo?” Só uma mulher é capaz de fazer esse tipo de pergunta, e a resposta tem que ter vários, mas vários “nãos”, misturados com milhões de beijos e seguidos da frase: “Ficou louca?”. Sinceramente: você já ouviu falar de algum homem que, mesmo de brincadeira, tenha feito alguma pergunta parecida com essa? É claro que não.

Ah, as mulheres... Elas querem provas de amor eterno o tempo todo, mesmo depois da morte. Passam a vida testando os pobres dos homens para saber se eles gostam mais delas ou da mãe, ou do barco, ou do carro novo, ou do Flamengo, ou – sutilmente – dos filhos.

Se ele não lembrou que hoje faz oito anos e 17 dias daquela tarde de chuva em Paris em que se abrigaram debaixo da marquise para se beijar – e não mandou flores, como homenagem à data –, é um sinal claro de que o amor (dele) acabou. Se num incêndio, no meio das labaredas, não lembrar que precisamente naquele dia, 15 anos atrás, falaram pela primeira vez em casamento, ela é capaz de se jogar da janela ou – pior – de amarrar uma bela tromba por dias seguidos. Isso se tiverem a sorte de escapar com vida, o que, no caso, talvez não seja o melhor negócio.

Ah, as mulheres... Se quando ela entrar no carro ouvir um CD que não tem nada a ver com a história de amor dos dois, é sinal de que alguma coisa não anda bem, e mais: a prova de que existe uma história rolando com outra.

Se for a fita de Caetano cantando em espanhol e ele cantarolar LA BARCA sabendo a letra todinha de cor, me diga: é ou não é prova evidente de traição?Já os homens são diferentes. No caso inverso, são capazes de dizer, numa boa: “Parece que você adivinhou, eu estava louco para comprar essa fita”. É possível ter uma relação com alguém de cuca tão fresca? Claro que não. Ah, esses homens...

Quando uma mulher vê o seu de gravata nova e caprichando na frente do espelho, já fica com a pulga atrás da orelha: “Aí tem”, é o mínimo que pensa. Já o homem, quando vê sua mulher lindona, de salto alto e corte de cabelo novo, convida logo para jantar fora, feliz de poder exibir a mulher, que, para ele, é a mais linda do mundo. Difícil a harmonia entre esses dois seres tão diferentes. Difícil, mas não impossível.

Ele bem que tenta, mas, se chega em casa com um ramalhete de flores, ela pensa: “Alguma andou aprontando”. Se propõe uma viagem, nunca ouve um sim logo de cara. As crianças vão entrar em provas, a casa precisa de uma reforma, talvez seja a hora de trocar de carro. E, quando concorda, começa a discussão sobre o roteiro. Atravessar Portugal e Espanha de carro, nem pensar. Tem que ir a Paris ver as modas, conhecer a ala nova do Louvre, contar que St. Germain não está com nada, que o único lugar onde se pode ficar agora é no Marais.

Ele às vezes pensa em como seria feliz se pudesse viajar com dois amigos só para dizer uma porção de bobagens, esticar o almoço às vezes até 5, 6 da tarde, exagerar no vinho apenas para se sentir bem livre, não ter que reservar um restaurante e chegar na hora marcada com a mulher do lado contando de todas as compras que fez. Mas e a coragem?