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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Vida!


Gosto de pessoas desarmadas, cuja única ameaça, e golpes que possam vir a me surpreender, sejam a vivacidade das idéias e a docilidade das intenções. Ainda assim, convivo com maiores e menores em quaisquer coisas, iguais e diferentes, geniais e imbecis. Ao final, mesmo desgostoso com os infiéis da alegria e pobres de emoções, acabo por aprender o quanto é bom não ser igual a eles, enquanto louvo a intensidade, mesmo das tolices, sem arrependimentos.

Percebo então, que pouco há a se ensinar, e que os exemplos são factóides dos nossos desejos e interesses, que da ingenuidade surgem as grandes modificações, pois lá não existem maldades, e que sofisticação é um infortúnio. Que a longevidade pode estar muito mais próxima do que pensamos, pois eternos são os momentos, os abraços e a calmaria que eles nos trazem, mesmo em lembranças, e digo sempre que o fato de estarmos respirando é uma intenção muito simplista para quem se dispõe a viver a vida, e ainda assim, a deixamos escorrer pelas palmas das nossas mãos.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Verdades e Mentiras...


Não existem verdades absolutas, existem verdades, mentiras e o silêncio. Aprendemos com o tempo que o mais importante é sobrevivermos, e naturalmente nos foram proporcionadas possibilidades e escolhas, as quais nos harmonizarão maior ou menor conforto, ganhos ou perdas. Também nos foi facultado interferirmos nos destinos dos outros, levando-lhes um bem ou mal estar, ao usarmos as verdades, mentiras ou o silêncio.

Sem juízo de valores, desde cedo vamos aprendendo a fazer as nossas escolhas, através dos exemplos, das broncas e também das boas e más experiências, o que contribui para a formação e conformação do nosso caráter. Passamos a ouvir que uma mentira para o bem não faz mal, ou que às vezes o silêncio é melhor do que a verdade. Também, que existe o perdão para tudo e basta o arrependimento, o que nos permite não só invadirmos uma seara delicada, como nos conformarmos com as conseqüências.

Se formos verdadeiros ou não conosco, sofremos ou vibramos com as próprias vitórias e derrotas, e ninguém é responsabilizado ou culpado, além de nós mesmos. Podemos então tratar as causas, se assim julgarmos conveniente, e seguirmos as nossas vidas com tranqüilidade. Já, quando envolvemos outras pessoas, podemos causar euforias ou desastres maiores, pois por nossa influência aqueles tomam decisões, que podem ser felizes, ou irreparáveis.

Nem por isso a nossa consciência pode ser afetada. Mas é importante refletirmos sobre mentiras e verdades, e também sobre o silêncio, pois apesar de não sermos responsáveis, podemos ser culpados, e ao reconhecermos a culpa muitas vezes torna-se fácil sermos perdoados pelo outro. O difícil, para aquela pessoa de bem, é perdoar-se.

Namastê!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Mercadores da Infelicidade


 É comum de se dizer nos dias de hoje, que algo não tem preço, ou mesmo que as facilidades para se conseguir algo são tantas, que aquilo se torna com muito pouco, ou quase, sem valor. Ou ainda, que tudo aquilo que você possui pode não mais lhe pertencer, pois estão em uma vitrine, para a cobiça de tantos. Uma dicotomia de entendimentos que se perpetua naquilo tudo que permitimos ou que julgamos entender.

Vivemos em um momento de difícil mensuração das coisas da vida, pois tudo aquilo que a nós tem um significado valoroso, aos outros talvez não, ou seja, pouco provável. A vida moderna nos encaminhou a precificar tudo, inclusive as nossas atitudes, palavras, amizades e intenções. Criamos então, um grande mercado com todas as suas benesses e vícios, e por onde circulamos, vamos despertando os desejos de alguém, sobre algo que nos pertença, e vice-versa.

Dessa forma, tudo se tornou comercializável, inclusive aquilo que nos determina. Do sorriso ao corpo, do prazer às alegrias, dos desejos aos valores, das relações ao amor. O marketing nos ensinou a maquiarmos os nossos sentimentos e embelezarmos a nossa alma, para então iludirmos outras pessoas. Aprendemos a fingir e enganar sem remorsos, a mentir sem culpas e a roubar felicidade. A suportar a dor e a crueldade da antirelação, simplesmente para participarmos de grupos ou comunidades. Viramos mestres em nos boicotar.

Enquanto a chama do “ter” nos invade, guardamos em gavetas escuras o nosso “ser”, para que o resgatemos sempre que insuportável for nos olharmos no espelho. Essa é a nova ordem, da qual todos, inescrupulosamente, aceitamos as regras. Como produtos, envelhecemos, e endurecemos os nossos corações, sempre na esperança de que alguém não perceba a nossa rigidez de emoções e nos aceite.

Namastê!   

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

E agora?

Algumas pessoas acham que conseguem resolver os seus dramas e problemas, simplesmente transferindo-os para os seus analistas ou psicanalistas. Agem como inocentes em processos potencializados por elas mesmas e saem dos consultórios leves e sem culpa, mas levam consigo, novamente, os seus próprios problemas, criados por situações ou fantasias que têm medo ou não estão preparadas para enfrentar.

Assim, continuam a culpar e a racionalizar as suas frustrações, e ao depositarem nos outros as causas e razões para os seus sofrimentos não crescem, não evoluem e se limitam. Ainda assim, muitas vezes se acham melhores e resolvidas e tentam impressionar, enganar, realimentando as suas próprias fraquezas.

Pense nisto!

terça-feira, 19 de abril de 2011

O Que Buscamos Afinal?



Basta abrirmos os nossos corações, para que uma paz imensa nos habite. É no pulsar sereno, que encontramos o entendimento daquilo que nos basta. As coisas andam obscuras demais, e há tanto o que refletirmos que deixamos escorrer pelas palmas das nossas mãos aquilo que nos é essencial. Não conseguimos mais entender o que é felicidade, pois nos esquecemos dos motivos pelos quais queremos ser felizes.

No abraço, ao invés do encontro, buscamos o conforto; assim como nas palavras doces, que venham a consolar as nossas amarguras e ressentimentos ao invés de simplesmente nos fazerem sorrir. Recebemos com desconfiança o contato de alguém que singelamente quer matar as saudades e nos afastamos dos outros pela luxuria, pela avareza e por tantos outros pesares. Estamos nos suicidando lentamente, e ao nos distanciarmos de nós mesmos, suprimimos as esperanças de uma vida melhor.

Há que se refletir, se pensar muito nas nossas crenças e valores. Há que se buscar convergências, para então diminuirmos esse hiato que nos separa de nós mesmos e das outras pessoas. Há que se seguir com harmonia. A sapiência é um dom comum, que desprezamos ao nos desprezarmos. É uma virtude que sufocamos, ao  impormos os nossos entendimentos com veemência, como se não tivéssemos mais nada a compartilhar ou a aprender.

Que a semana nos inspire a encontrarmos um pouco mais das respostas que buscamos, mas que principalmente nos ajude a formularmos as perguntas certas. Assim seguimos, sedentos e cansados, a perseguir aquilo que tanto nos falta, mas que mal sabemos o que é.

Namastê!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Será que nos falta fé?

Dizem que Deus existe, e em sua fé estão amparados os homens de bem, e também aqueles que não sabem o que fazem. Dizem que todos os mistérios da vida são exercícios da mesma fé, que move montanhas, e é o que nos faz prosseguir em nossas jornadas.

Dizem que a benção de Deus nos é consagrada para que possamos seguir tranqüilos, seguros e felizes, e que ao recorrermos a Ele em momentos difíceis, nos sentirmos acolhidos, abraçados por uma corrente de paz e de esperança.

Dizem que o amor é um sopro de Deus a iluminar as nossas almas e que o afeto é o toque dele a aquecer os nossos corações. Que em seus ensinamentos, ao próximo devemos estender as mãos, pois assim seremos amparados pelo outro em nossos obstáculos e angústias.

Dizem ainda, que Deus criou as cores para apreciarmos a vida, e as flores, para percebermos a beleza dos jardins, aromas, doces perfumes. Criou o azul do céu, para contemplarmos a imensidão que nos rodeia, assim como o grão de areia para que possamos dimensionar as diferenças.

Alguns dizem que Deus possui olhos azuis, outros que Ele simplesmente habita os seus corações e os orienta em seus caminhos. Outros, que Ele deve ser venerado, e militam em seu nome. Há ainda quem não creia, e nem por isso se sente abandonado, ou os que negam, mas recorrem ao seu nome quando em sofrimento.

Quando olhamos o que têm nos rondado, o que têm nos acontecido, ou mesmo aos outros, parece que algo nos falta e sentimos uma grande ausência de nós mesmos. Será que nos falta fé? Qual o tamanho da nossa fé? ...Se é que a fé pode ser moldada em tamanhos... 

Assim, ao refletirmos crescemos, mudamos nossas atitudes, ou simplesmente continuamos a nos lamentar...

Namastê!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Qual o tamanho dos seus sonhos?

Imergimos em cada momento nosso a buscarmos a felicidade plena, e ao aproveitarmos a vida ao extremo um desencanto nos ronda, uma louca vontade de transgredir nos confronta, e um desejo incontrolável de dizer ao mundo o quanto podemos mais, nos enlouquece. Por mais que saibamos e tenhamos conquistado aquilo tudo que nos convém, acreditar que o nosso sonho realizou-se plenamente é uma bobagem - a menos que sonhemos algo tão insignificante, que a sua não realização não nos faça falta.

Namastê!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A morte da vida...

A morte é o cessar da vida, o ato de morrer, o fim. O momento em que deixamos para trás planos e desejos. “A morte é um sono sem sonhos”, como dizia Napoleão Bonaparte. Um rompimento, uma tragédia, uma despedida. Faz-nos refletir, refletir e refletir, retomarmos momentos íntimos, únicos: “A morte nos ensina a transitoriedade de todas as coisas”, segundo Leo Buscaglia.

Nos últimos tempos, três amigos foram vencidos pela doença e partiram. Deixaram saudades, e uma imensidão de boas lembranças. Continuam vivos e pulsantes na minha memória, e o tempo nunca haverá de suprimi-los, o que me faz reflexionar, sem culpas, sobre o quanto mais eu deveria estar presente na vida das pessoas, e, mesmo inundado pelas vidas delas, o quanto mais eu poderia estar feliz pela convivência harmoniosa. Quão iluminados cosmos, somos nós?

A morte não é somente o fim do plano da vida, mas também o deixar morrer. O quanto nos distanciamos, e enterramos as nossas relações, nossos planos, o quanto negligenciamos quem nos quer bem. O quanto desistimos, pelas nossas vaidades e inquietudes, o quanto trocamos pessoas, tais quais bijuterias velhas, por simples deslumbramentos, ou por não precisarmos mais delas, o quanto deixamos... Eis que um dia aquela chama se apagou, pois deixamos de cuidar!

A morte não é a antítese da vida, mas sua simples continuidade. Na morte perpetua-se a vida, e a chama se mantém acesa, com altivez, enquanto permitirmos nos permitir. Chegada a hora da morte, encontra-se a vida, do tamanho e na intensidade de tudo aquilo que sempre quisemos, fruto das nossas escolhas. Pode estar iluminada por um infinito céu de estrelas, ou esquecida em um quarto escuro; repleta de gargalhadas, ou no silêncio mórbido dos nossos próprios atos...

“Temam menos a morte e mais a vida insuficiente”
Bertold Brecht

Namastê!

terça-feira, 16 de março de 2010

Como anda a sua vida?


Quantas correntes suportamos, para nos sentirmos seguros? Precisamos mesmo nos sentir seguros, ou devemos ousar?

Para nos sentirmos seguros, basta fazermos tudo aquilo que já fazemos, e bem... O mesmo tipo de trabalho, as mesmas conversas, com as mesmas pessoas que tanto conhecemos, os mesmos clichês. É tudo muito confortável e os riscos são mínimos. O mesmo relacionamento e as mesmas promessas..., as mesmas mentiras..., as mesmas perguntas, assim como as mesmas respostas.

Ousar, exige que soltemos as amarras, que rompamos os elos que nos prendem ao passado. Exige coragem e determinação; um descontrolado controle, que nos permita seguir uma nova onda; um turbilhão, que nos leve a outros universos..., a outras vivências. Isso jamais nos tornará rebeldes, mas sensatos, irresponsáveis, mas visionários, ao escolhermos por não morrermos em conta gotas, e não esperarmos, mas sim fazermos acontecer.

Tenho experimentado muitos rompimentos em minha vida, e guardado muito boas experiências, com sucessos e fracassos; incontáveis ganhos e perdas, com muitos recomeços e novas escaladas. Paixões falsas e amores perdidos, assim como amizades, que vêm e se fortalecem, ou enganos que desatam. Uma inquietude tamanha, que me eleva às maiores impossibilidades e me permite voar.

Essas são minhas escolhas, e só minhas. Não uso, e jamais ousaria usar correntes, e aqueles que me conhecem bem, sabem, o que para mim é voar... Talvez esteja seguro e confortável, com a minha ousadia...

Como anda a sua vida?

Namastê!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Fechado para balanço!

Mais, ou menos amor?
Mais, ou menos ressentimentos?

Mais, ou menos rancores?
Mais, ou menos amores?

Mais, ou menos companheirismo?
Mais, ou menos amizades?

Mais, ou menos carinhos?
Mais, ou menos verdades?

Mais, ou menos respeito?
Mais, ou menos solidariedade?

Mais, ou menos abraços?
Mais ou menos igualdade?

Mais, ou menos tolerância?
Mais, ou menos paz
?
Mais, ou menos conflitos?
Mais, ou menos mortes?

Mais, ou menos trabalho?
Mais, ou menos cores?
Mais, ou menos festas?
Mais, ou menos flores?

Mais, ou menos viagens?
Mais para dentro, ou mais para fora...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A vida que segue...

Mais uma vez ele acordou cansado, como se tivesse ficado por toda a noite atento, à espera que estrelas cadentes lhe permitissem um pedido, ou ao menos que sinalizassem uma nova era, de paz e de tranqüilidade. Por mais que pensasse no futuro, as boas lembranças não lhe deixavam esquecer o passado, e os dias maravilhosos de paixão e agora de ressentimentos, ainda o sufocavam e o inundavam, empobrecendo a sua alma.

Aniquilado em suas emoções, deixou que o dia tomasse conta do seu destino e vagou..., na esperança de que algo de novo, lhe fizesse reascender aquele brilho intenso em seu olhar, o qual tantas vezes iluminou não só a sua vida, mas a de todos que o circundavam. Difícil livrar-se das amarras, mesmo quando muito se quer, pois existe algum significado para a relação, um intenso amor se perpetua, ao léu.

Ao notar que estava em uma segunda-feira, traçou novas metas e planos, e mergulhou no trabalho, como uma forma de entreter-se com outros assuntos, tentando esvaziar, então, o seu peito, das angústias que o afligiam. Segundas-feiras são marcos na vida das pessoas, por trazerem aquela sensação de reinício. Assim, uma nova jornada dolorida e silenciosa fora iniciada, tal qual um rito de autoflagelo, em mais uma tentativa de conter os seus sofrimentos.

Ainda que a dor fosse exterminada, com essa voraz atitude, restavam-lhe ainda as lembranças, bens pessoais e situações únicas, cuja destinação também precisaria ser deflagrada. Como esquecer o romance e os beijos acalorados, os presentes trocados e os toques no coração? Como apagar a imagem dela, seu sorriso, seus trejeitos? Como esquecer o seu cheiro? Como...?

Sem olhar para trás seguiu, fingindo que os seus dias se mantinham coloridos, que a intensidade do sol acalorava o seu destino, que as coisas estavam bem. Retirou seus papéis, manteve sua rotina e seguiu. Cumprimentou as pessoas e participou das suas atividades sociais como de costume. Encarou a semana, como nas últimas semanas. Fez de conta que tudo caminhava bem e simplesmente deu seqüência à sua vida sem brilho e sem graça...

domingo, 15 de novembro de 2009

A dicotomia da vida e as escolhas!

As coisas sempre nos parecem mais difíceis do que realmente são. Acordar em um domingo ensolarado de Curitiba, e refletir sobre os acontecimentos da semana anterior e ter a certeza de que tudo caminhou bem, apesar das dificuldades, é estimulante. Ao projetar a semana que se inicia, me sinto capaz, muito capaz.

Por mais obtuso que possa parecer ao olhar do outro, deixarmos a vida passar e não sermos intensos naquilo que fazemos é um desperdício. Entre o caórdico e o cartesiano existe uma métrica de cada um, que determina quando e o quanto de energia será imputado para que os nossos sonhos aconteçam, e para que dos nossos atos eclodam as nossas histórias e sejamos felizes. Assim, entendo que dádiva da vida é estarmos pulsantes.

Na noite passada, sonhei novamente com um anjo, que me estimula sempre e me dá sentido à vida! Entre as palavras de conforto, a crítica e a dicotomia das minhas ações, entre o céu e o inferno. Ao final, uma calorosa acolhida, em meio às suas inexplicáveis razões para o caos. Sempre que isso acontece me sinto vivo...

È possível ficar da janela vendo a vida passar, assim como entrar no trem. É possível sonhar o sonho dos outros e ser feliz, um pouco. É possível querer e fazer acontecer os nossos sonhos, assim como limitá-los. Tudo é possível, se quisermos. Eu não deixo a minha vida, timidamente, passar...

Namastê!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Encerrando Ciclos!

Impressiona-me o fato de estarmos sempre nos prendendo ao passado, querendo que as boas experiências vividas retornem, talvez com uma nova roupagem, mas que tenham igual significado e nos reproduzam aquelas boas emoções. Assim, não nos libertamos... Vivemos presos àquele amor antigo e intenso e queremos que os novos amores sejam iguais, ou com pequenas modificações, para melhor, claro! Estabelecemos um referencial com a empresa ou o trabalho passado, e ficamos em uma zona de conforto, torcendo para que tudo se mantenha no mesmo formato, para que não tenhamos que nos expor. Mantemos nossa casa idêntica, há tempos, pois gostamos de como está e assim sabemos o local das coisas, e não temos que nos preocupar em exercitarmos nossa criatividade, e em inovar. Vamos vivendo, deixando a vida passar...

Esse ser humano expansível, genial, magnífico, estabeleceu para si próprio os seus limites, escolheu o tamanho da sua caixinha e lá permanece..., escondeu-se. Ao longo do tempo deixou de acreditar nas suas potencialidades e parou. Sempre acha que já fez demais e que carrega consigo um ativo imenso. Trata o tempo quase como seu inimigo, como um limitador das suas novas possibilidades, ações e experiências.

Fernando Pessoa retrata bem este tema, em seu texto “Fechando Ciclos” (http://www.pensador.info/p/fernando_pessoa_encerrando_ciclos/1/), e evidencia que encerrar etapas em nossa vida nos abre para novas oportunidades, para seguirmos adiante, com maestria. Acho o texto genial, e caso estejamos dispostos a refletir sobre aqueles pontos que nos fazem sentido...

Ao finalizar, reafirmo que cada um é dono do seu destino, e que as etapas que passamos em nossas vidas, as experiências profissionais, as amizades e os amores conquistados, correspondidos ou não, os vínculos afetivos, os ganhos e as perdas, nos elevam a construir uma relação significativa nossa, com nós mesmos, e com os outros. Que as escolhas que fazemos, se desapegamos, trazemos conosco ou não, esse emaranhado de sentimentos, fruto das nossas vivências, serão determinantes para induzir a nossa felicidade, por toda a nossa vida.

Namastê!

terça-feira, 29 de setembro de 2009


"... a morte é anterior a si mesma. Ela começa muito antes, é toda uma luminosa e paciente elaboração."

Nelson Rodrigues

Deslizes!

Deslizes são desencontros de expectativas, os quais frustram um desejo explícito de se vivenciar algo. Tal qual uma flor, que ao deitar ao solo antes da hora nos entristece, e nos remete à reflexão do cartesiano mundo que atribuímos a nós mesmos e cujas inflexões de ordem nos espantam. Deslizes são alertas para a vida, que pode seguir outros rumos, muitas vezes distantes do nosso domínio e dos nossos sonhos. Podem ser oportunidades, renascimento e glória.

Tentamos explicar os erros exaustivamente, como se não fosse possível errar. O mundo nos ensina a sermos duros. Aprendemos muito com os outros sobre os modelos de sucesso, mas pouco sobre os fracassos. Somos cobrados e rotulados como bons ou ruins, bem ou mal sucedidos. Supervalorizamos os desacertos e elevamos às frustrações tudo aquilo que não conseguimos realizar, mesmo as pequenas coisas. Assim, somos regidos pelo medo e pouco ousamos. Sepultamos emoções e cobramos auto-estima. Sentimos-nos impotentes e vazios e cimentamos nossos passos, diante das vicissitudes.

É preciso mudar..., e abrir a janela da alma exige coragem. Deixar entrar os bons ventos que nos impulsionam aos mais amplos desejos. Provar os saltos longínquos de uma vida caórdica. Não impor desinências aos sonhos. Acumular histórias e pintar a vida com um colorido tão intenso, que o cinza e o negro da melancolia não se atrevam a revelarem-se. Ousar, ousar e ousar...

Um olhar profundo para tudo aquilo que nos é essencial. Sorrir. Expandir as nossas virtudes e compartilhar os momentos com todos, por mais que estejamos enclausurados em nossos micro-mundos. Sermos protagonistas dos nossos destinos e influir, entusiasmar aquelas pessoas que ainda não perceberam o quanto somos capazes. Viver muito, viver e viver...

E quanto aos deslizes, são meros escorregões, descuidos, enganos, pequenos tombos. Assim aprende-se a caminhar, caindo.

Namastê!

domingo, 27 de setembro de 2009

A gente se acostuma!

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de Volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. E se com a pessoa que a gente ama, a noite ou no fim de semana, não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.
Clarice Lispector

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dificuldades e oportunidades...


“Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente.”

“Os Irmãos Karamazov”, de Dostoiévski, foi considerado por Freud como o melhor romance já escrito. Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, escritor russo, que morreu em 1881, é considerado pela crítica literária como um dos maiores romancistas e um dos artistas mais inovadores de todos os tempos. Também, diz-se, que o mesmo é o fundador do existencialismo, considerando o viés das suas obras, que exploram a autodestruição, o caos familiar, a humilhação e os estados patológicos que levam ao suicídio, ao homicídio e à loucura. Influenciou a grande maioria dos autores contemporâneos, como Gabriel Garcia Marques, Franz Kafka, Hermann Hesse, entre tantos outros.

Esta postagem menciona Dostoiévski, não pela sua genialidade, ou pela sua história, ou ainda, simplesmente, pela imensa contribuição para a formação intelectual, mas sim, por um acontecimento do qual participei. Longe do preconceito, ou do pré-julgamento, da luta de classes, ou mesmo da clausura ao conhecimento, imposta a uma infinidade de pessoas, ao visitar o Paço Municipal, local de cultura na região central de Curitiba, percebi que o porteiro, ou segurança, da instituição, entre os educados e simpáticos cumprimentos aos visitantes, mergulhava nas páginas de uma obra de Dostoiévski. Ao olhar para o mesmo, pude perceber um belo sorriso, e o encantamento com o acesso à obra de um expoente da literatura.

Minha reflexão atém-se à surpresa, em um primeiro momento, mas ao regozijo, após. A literatura, a cultura e o conhecimento estão mais próximos dos cidadãos comuns, e o acesso facilitado às bibliotecas, à internet e aos centros culturais tem permitido àqueles que queiram, e possuam iniciativa para tal, participarem mais amplamente dos diálogos para a construção de uma sociedade mais justa. Isso me encanta! Inclusão e cidadania são palavras que devem estar presentes no cotidiano das pessoas de bem; pessoas que fazem diferença...

Finalizando, trouxe este exemplo, justamente para ilustrar as enormes diferenças que existem em nosso país, assim como as oportunidades. Quero reforçar que, apesar das imensas dificuldades que enfrentamos no dia a dia, depende da escolha de cada um despertar e trilhar um caminho, que poderá ser rumo ao sucesso ou ao fracasso. Mesmo diante das adversidades, é possível esforçar-se e vencer!

Para reflexão!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quando despertar?

No berço das nossas emoções repousa um gigante, que pode nos impulsionar aos mais ousados saltos, desde que consigamos acordá-lo. Decidir por nós mesmos, muitas vezes nos atormenta, uma vez que, acolhidos no comodismo, ficamos à espera que algo de melhor nos aconteça, apesar de nós. Melhor assim..., é mais fácil!

Ao deixarmos de agir, evitamos os sofrimentos, ou os postergamos, uma vez que os conflitos são minimizados, por hora, ao acreditarmos que a natureza, certamente, dará conta de encontrar o melhor caminho para a solução dos nossos problemas. Ficamos inertes, indolentes, apáticos, imóveis, limitados ao vai e vem das ondas da vida, que vai passando.

Sentimos vontade de fazer muitas coisas, mas não conseguimos dar os primeiros passos, pois não decidimos e não agimos. Assim, nos miramos nos outros, e através deles percebemos aquilo que julgamos ser as nossas limitações. Sentimos-nos frustrados, impotentes de realizarmos os nossos sonhos. Amargurados nos recolhemos, e armazenamos uma dor intensa.

Enquanto esperamos, a vida vai seguindo seu curso, e o gigante que existe em nós, permanece adormecido. Fixamos os nossos olhares para o exterior e nos queixamos, lamentamos as nossas perdas, supervalorizamos os nossos erros, nos mostramos incapazes de tomarmos as rédeas da nossa própria vida. Tem sido assim...

E esse gigante que repousa em nós, por que não o acordamos? Pelo fato de que nos descobrirmos pode ser uma experiência dolorosa. Ao não olharmos para nós mesmos, nos ocultamos, e ao nos ocultarmos seguimos nossa vida míope, sem riscos. Vamos adiante...

Cada um é dono do seu destino e pode despertar. Para isso, no momento certo, basta abrir a porta e acordar. Precisamos lembrar, que essa porta possui maçaneta, que abre somente pelo lado de dentro.

Namastê!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Que país é este?

O Brasil realmente é um país de extremos, e por aqui podemos observar os maiores distanciamentos e desigualdades: da escassez à abundância, da pobreza absoluta à riqueza e ostentação, do analfabetismo às mais altas graduações acadêmicas, da injustiça a um dos maiores sistemas legislativos e judiciários do mundo, do fracasso ao risco do sucesso. Viver por aqui exige muita persistência e jogo de cintura, ao menos para as pessoas que escolheram participar e ajudar a construir um país com tantas diversidades.

Minhas relações pessoais e profissionais permeiam por todos os ambientes e o meu convívio com as pessoas - do rico ao pobre, do letrado ao analfabeto – me permite opinar com propriedade sobre diversos assuntos, e principalmente afirmar que, independentemente da situação de cada um, todos querem ser bem sucedidos e todos buscam a felicidade, cada qual ao seu modo.

Ainda tratamos pessoas em classes, e não obstante às ilhas da fantasia, onde poucos ostentam suas posses, muitas vezes oriundas da ilegalidade e de forma egoísta e imoral, essa mesma “classe” insiste em suprimir os valores e incentivar o fortalecimento de uma sociedade doente, pois dessa forma, garantem as suas proles, extraindo não só as riquezas, mas as energias, a sabedoria e a esperança de muitos, para usufruto unicamente dos seus.

Ando muito sensibilizado com a falta de esperanças, com o desânimo e o preconceito; indignado com o sectarismo, de qualquer natureza, enraivecido com os roubos e com o descaso. Percebo, ao olhar para as pessoas, um sofrimento intenso, e um pedido de ajuda. Não por esmolas, pois não querem que sintam pena delas, mas sim que possam ter cidadania e oportunidades para uma vida justa.

Não me calo diante deste cenário e tenho provocado diálogos e mudanças. Na minha zona de influência, replico minha forma de pensar e instigo as pessoas a refletirem também sobre os seus papéis. Assimilo os bons exemplos e as perspectivas de outros e estimulo a sinergia. Não me sento com bandidos, independente da classe social, e recrimino quaisquer ações que induzam à imoralidade. Não me intimido com ameaças e nem ameaço, prezo o diálogo sem manipulações.

Não me limito a reclamar nos botecos ou entre a família. Não me acomodo! Acredito que posso fazer muito mais, mesmo tendo realizado muitas coisas interessantes e com resultados expressivos. E você, o que tem feito?

Para reflexão, e/ou para a ação!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Toques da alma!

Ontem conversava com uma pessoa muito querida, a qual conheci há pouco tempo, mas que temos demonstrado muita sintonia. Entre os assuntos, permeou os “toques da alma”, e de que maneira somos influenciados em nossa vida, físico e emocionalmente, por nossa alma. A conversa foi ótima, apesar de inconclusiva, na medida em que cada um possui entendimentos com relação ao seu etéreo significado, de acordo com as suas experiências e vivências.

Fui buscar maiores informações na Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Alma) e a definição genérica que lá consta é a seguinte: “Alma é um termo que deriva do latim anǐma, este refere-se ao princípio que dá movimento ao que é vivo, o que é animado ou o que faz mover.” ou ainda “Os termos das línguas originais (hebraico: né·fesh; grego: psy·khé), segundo usados nas Escrituras, mostram que a “alma” é a pessoa, o animal ou a vida que a pessoa ou o animal usufrui.”. Diversos outros esclarecimentos constam no link acima, e acho que vale a pena conhecer. Aprofundando um pouco mais, busquei no dicionário algumas correlações, e a palavra “alma” está também relacionada à vida, mas também à consciência e ao espírito.

Entendi, então, e compartilho, que sempre ao utilizarmos “alma”, como estímulo ou um sentido à vida, diversas situações podem ser explicadas ou justificadas à partir dela. Quando utilizamos uma conotação espiritual, outras explicações podem ser alçadas, mas nem sempre as mesmas, para planos diferentes. Também, que aquilo que sentimos, naquele momento, cada um, cada pessoa, é o que define se estamos ancorando as nossas reflexões em um plano espiritual ou não.

Será que é preciso haver concordâncias em tudo? Penso que não..., pois cada um é único. Por momentos assim é que louvo a diversidade. Trocar experiências, vivências, respeitando o outro, suas crenças e os seus entendimentos, nos engrandece e nos eleva. É um exercício da “alma”, enriquecendo a nossa vida e o nosso espírito!

Fantástico...