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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Basta Estender a Mão...


Enquanto colorimos expectativas e esperanças, ou tentamos entender e apagar as nossas mazelas, deixamos de lado a dádiva de viver. “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”, como dizia Gonzaguinha, contrapõe um dos entendimentos clássicos que diz que “a vida é aquilo que acontece enquanto nos lamentamos do passado e planejamos o futuro”. Viver é um lamento, portanto, e assim, vivemos em uma constante busca por satisfazermos as nossas inquietudes.

Estudiosos da motivação afirmam que o ser humano é um eterno insatisfeito, e que sempre que uma necessidade nossa é satisfeita, imediatamente surgem outras por satisfazer, competindo entre si. Uma dinâmica cruel, na medida em que não nos dá a possibilidade de seguirmos tranqüilos, de sermos felizes e de nos sentirmos realizados. Temos que estar freneticamente correndo atrás de soluções para pequenas situações cotidianas e nos contentarmos com pequenas vitórias, que juntas darão sentido a uma vida feliz. Viramos heróis de caixinhas de fósforos e rótulos de balas, soldadinhos de chumbo.

Em meio a isso tudo, temos a possibilidade de encontrar um porto seguro, no afeto, no amor, nas amizades e nas verdades. Na confiança e na solidariedade suspiramos aliviados, crédulos pela missão cumprida, recompensada pelo outro. Nos afagos de quem nos ama, o conforto para continuarmos a seguir com coragem, e no abraço, o incentivo de que viver ainda vale a pena e que desistir nunca será a melhor escolha. Difícil é perceber que para algumas pessoas nada disso faz sentido, e que as coisas são assim mesmo. Mas quando se acha que chegou ao fundo poço é que se percebe que não é o fundo do poço, basta estender a mão..., e assim vamos vivendo!

Namastê!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Esse Veneno que nos Alimenta...

É engraçado como nos sentimos pequenos, quando damos um tempo para nós mesmos. Mergulhar no universo das nossas próprias emoções nos faz refletir sobre tudo aquilo que fizemos, e sobre tudo aquilo que deixamos para trás. Sonhos e expectativas a confrontar nossas realizações, conquistas, vitórias e derrotas...

Ao estarmos sós, deixamos cair as máscaras e com elas as mentiras, os papéis e fantasias. Ousamos voar, nos poucos momentos em que nos permitimos nos enxergar nus, desprovidos de preconceitos, de pudores e de vaidades. Ao inibirmos nossas armaduras e desculpas, nos permitimos estar livres para o exercício do nosso próprio destino, do arbítrio, livre arbítrio.

Tal qual uma lavagem na alma, após, nos sentimos leves, prontos para acumularmos mais mentiras nesse jogo da vida, e enquanto não somos desafiados, continuamos a nos desculpar por todas as nossas perdas - de identidade, de amigos, de sonhos, de verdades. Conformamos-nos então, ao nosso juízo, sempre que percebemos no outro algo de pior, e ao racionalizarmos, nos sentimos confortados.

Maldita ilusão, que nos faz dissimular sobre a nossa própria vida, pois enquanto acumulamos vantagens, diluímos as nossas dores e mágoas. E assim, como tudo aquilo de bom que fazemos aos outros nos faz bem, ao alimentarmos o mal, nutrimos com veneno o que nos mata..., as nossas certezas, e as nossas próprias convicções, as nossas capacidades.

Namastê!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Meias Verdades


Ainda que seja tarde demais, impor a verdade, acima de tudo, é o melhor caminho para a leveza da alma!   

Meias verdades e mentiras podem ser instrumentos para a quietação dos ânimos, ou para acalmar anseios, ou ainda para proferir a paz. Podemos adiar um desfecho, protelar, ou criar um final, ao nosso gosto. Sôfregos por um desenlace feliz, veneramos o resulto, seja a que custo for. A natureza humana sempre nos impôs a aceitarmos as coisas que nos façam nos sentirmos melhores, ou que justifiquem as nossas verdades, e inclusive as nossas mentiras.

Qual o peso que estamos dispostos a carregar? A sensatez nos impulsiona à felicidade, muito mais intensa quando o fardo é menor, já que ao ponderarmos as nossas responsabilidades, imputamos a nós mesmos nossas verdades, meias verdades e mentiras. Na nossa bagagem, enganos, fantasias e ilusões contrapõem-se aos princípios e às conformidades.

Qual o preço que estamos dispostos a pagar? Ao nos sentenciarmos, entre êxitos e maus êxitos, o remorso pela vitória ou pela derrota. Uma dúvida pungente, uma linha tênue entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Pesará sobre o nosso destino o entendimento sobre nós mesmos, sobre o queremos conservar. Um julgamento de cada um, à sua consciência.

Novamente escolhas, encruzilhadas a orientar o nosso destino. A carícia pode refutar a afetividade, assim como a boa intenção pode refutar a boa-fé. Ao mascararmos um desígnio, damos liberdade ao outro, enquanto nos aprisionamos. Satisfeitos, brindamos ao bem estar do outro, enquanto ingerirmos vagarosamente os logros à nossa própria existência.

Ser feliz ou fazer feliz?  Ser feliz é fazer feliz?  


Namastê!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Qual a sua aldeia?


Desde que se têm notícia, a vida humana sempre esteve ancorada em aldeias, as quais concentram pessoas com características semelhantes: - físicas, intelectuais, emocionais e evolutivas. É comum, o termo ser utilizado como sinônimo para concentração, encontro, reunião e até agrupamento. Uma aldeia de índios, ou de ecologistas, de internautas, de mulheres empresárias, de intelectuais, de torcedores, de bandidos, de excluídos, de separadas, de amigos... A sua definição: “localidade pequena sem jurisdição própria”.

Se analisarmos as suas origens e suas analogias, o termo “aldeia” está sempre vinculado à dependência, por mais independente que possa parecer. Uma dependência aos costumes, aos interesses, às ideologias, ou  até mesmo às drogas, entre outras. A moda também ajuda a popularizar esses termos, e as suas conseqüências, a mídia os explora, e em algum momento eles se transformam em clichês, bons ou ruins. Significa inclusão, às vezes  com incongruências, em um mundo onde ninguém quer se sentir excluído.

Uma pessoa me disse, certa vez, que estava cansada de participar de atividades com a sua turma, pois as conversas eram vazias, e desqualificavam tudo e todos que não possuíam a mesma condição social deles, por mais imorais que fossem. Queria participar do “submundo”, uma aldeia diferente daquela onde convivia. Em outra situação, deixar a gravata e o terno no armário, juntamente com todas as aparências, e seguir para a Ilha do Mel, outra aldeia. Qualifica-se, às vezes desqualificando. Busca-se a felicidade, pelo prazer ou pela dor...

Orbitar na complexidade das relações é fácil, relacionar-se não! Conviver com a diversidade é um exercício pleno de aceite, de diálogo e de compreensão. Dizer-se global, empático, justo, sem preconceitos, quando distante de princípios, é clichê; é mentir para si próprio. Quem discrimina quem: o índio ou o mestiço, o branco ou o negro? ... o emo, ou o punk, o rico ou o pobre, o magro ou o gordo? ...o empregado ou o empresário, a mulher ou o homem? ... o religioso ou o ateu? Quem discrimina quem?

Finalizando esta reflexão, como andam as suas relações e as suas emoções? Em que aldeia você está inserido?

Namastê!

terça-feira, 4 de maio de 2010

O que fazer com o tempo livre?

As pessoas que convivem um pouco mais próximas a mim, sabem que criei um hábito, não sei se bom ou ruim, de dormir muito pouco. Muito mesmo..., o suficiente para me manter acordado no dia seguinte.

Não dormir tem suas vantagens, segundo amigos, pois nos dá muito mais tempo para não fazermos nada, ou para fazermos mais coisas ainda..., como se a vida por si só não bastasse e tivéssemos que aproveitá-la ainda mais, considerando a sua brevidade. Vantagens, como acompanhar todos os noticiários e filmes da tv a cabo, já que a programação da madrugada na tv aberta é muito ruim, ainda mais para quem não deve tanto arrependimento à Deus; colocar a leitura em dia e devorar textos, livros e romances; escrever, refletir, fazer planos, rasgar planos, pensar na vida, até cair nos braços de Morfeu.

Mas nem tudo é agradável para quem não dorme, ainda mais se morar só, como eu. Se der fome na madrugada, em casa, certamente nada existirá que satisfaça – que saudades de São Paulo, e o que tiver irá custar um preço alto em pedaladas ou caminhadas. Sair, tem sido uma opção ruim, já que não se encontra aquilo que se busca, na madrugada. Se der vontade de conversar com alguém, sobre qualquer assunto, para amadurecer uma idéia, por exemplo, esqueça..., nem todo mundo terá disposição na hora em que você estiver disposto, e se insistir, poderá causar um estresse nas relaçôes dos amigos ou amigas, ainda mais se estiverem com compromissos mais sérios.

Solução não há, e nem sei se é preciso. Treinar para a maratona, ouvir programas de insônia na rádio, passar roupas, jogar paciência, assistir o sexy hot..., ouvir o mesmo cd até decorar as letras, fazer yoga, aprender novas palavras no dicionário..., pensar ou falar mal dos desafetos... Não temos mais supermercado 24 horas em Curitiba, o que poderia ser uma alternativa para uma ou outra noite da semana. Contar carneirinhos e estrelas cadentes... Talvez, arrumar uma namorada, desde que ela não durma também, pois assim poderiamos conversar muito e fazer outras coisas na madrugada, mas será que compensa?. Ou sei lá..., se alguém tiver mais sugestões...

Amanheceu e eu ainda aqui...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Twittando


Um jornalista natural de Foz do Iguaçu, mas que reside aqui em Curitiba, disse em seu blog que “alguns brinquedinhos não deveriam ser dados para crianças e nem para pessoas desequilibradas”. Na oportunidade, referia-se ao twitter, ferramenta de microblog, nova febre mundial, e ao governador do Paraná, Roberto Requião, que ainda faz uso quase que exclusivamente do twitter, para afrontar, agredir e ridicularizar seus desafetos. Um mau exemplo do uso de uma ferramenta de comunicação, que tem se tornado popular no meio político e artístico, principalmente.

Olhando por outro prisma, a utilização do twitter traz uma série de benefícios às pessoas, principalmente pelo fato de levar informações de forma ágil para um universo de interessados, que passam a seguir as personalidades que são do seu interesse e até a interagir, em alguns casos. Mas também, nos permite conhecer um pouco mais do twitteiro, na medida em que ele registra de forma escrita, mesmo que se arrependa e apague depois, a sua forma de pensar, os seus interesses e vaidades, e, principalmente os seus preconceitos.

Na mídia, agora,  pode-se acompanhar o tiroteio de políticos, artistas, cantores e apresentadores, uns contra os outros, e contra os fãs e contra o bem-estar comum. Agressões múltiplas em um português mal escrito, observações toscas e imbecis, clássicas da desertificação da sapiência e da imersão no vazio da ignorância.

Mais uma vez, temos conseguido popularizar o desagravo. Enquanto no mundo civilizado o twitter encanta, por aqui enoja, com seus garotos e garotas propaganda, como Xuxa, Luciano Huck, Preta Gil, Danilo Gentili, Debora Secco e tantos outros, além dos políticos que ao se manifestarem assim, replicam os seus maus exemplos e propagam a anti-cultura, o rancor e o ódio.

Isso tudo nos traz a certeza de que, realmente, a maior parte dos rostinhos bonitinhos da televisão não passa de rostinhos bonitinhos, às vezes mais "peitos e bundas", e que utilizam e manipulam a população, enquanto ouvem desaforadamente o tilintar em seus cofres. pois isso é o que lhes interessa. Quanto aos políticos..., esses já conhecemos...

Para nós, resta muito empenho para tentarmos  dissuadir esse tipo de imoralidade, a reconstruirmos valores, que os "famosos" tentam tanto destruir.

Pense nisso!

terça-feira, 2 de março de 2010

O quanto estamos dispostos a pagar?

Idolatrar valores como coragem, persistência, perseverança, é sempre uma ação positiva. Ser otimista, levar adiante uma idéia para ser constante, ser firme, para que se tenha sucesso e se possa conduzir uma vida feliz. Nem sempre...

A vida nos remete seguidamente a tomarmos decisões, e exige que sejamos assertivos, sob pena de ampliarmos o nosso sofrimento. Seguir com um trabalho ou mudar? ... insistir com um grande amor ou deixar? ... perdoar um desenredo ou cultivar a mágoa? Qual dor é maior: continuar a sofrer pelos incessantes desacertos e frustrações, ou colocar um ponto final nas decepções, para que novos ciclos se oportunizem?

O que fazer quando o trabalho lhe encanta, mas não lhe deixa progredir? ... quando aquela amizade não ultrapassa as futilidades? ... ou, quando a pessoa que você tanto ama, e quer ao seu lado, não sabe o que quer? Seguir tentando, ou deixar?

A sensibilidade e a coerência devem nortear e sinalizar a hora de parar, de rever os planos. Morrer tentando é sofrer em demasia pelo querer; é obstinar-se a perseguir um objetivo sem olhar o quanto lhe custa... Sonhar, sonhar e sonhar...

Qual o preço que você está disposto a pagar?

Quantos cacos e retalhos suportam o seu coração?


Namastê!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Síndrome de Poliana

Acho que todo mundo conhece um pouco, ou ao menos já ouviu falar das estórias de Poliana. Poliana é uma menina que enxerga tudo "cor de rosa", sem maldades, sempre acreditando no melhor das pessoas e da vida, sendo incapaz de fazer algum mal a alguém. É uma obra universal, escrita por Eleanor H. Porter, e muitas gerações a têm lido com emoção. A figura humana da menina Poliana sensibiliza pelo otimismo, amor, bondade e pureza de sentimentos.

A sua forma de ver a vida levou os especialistas a identificarem a “Síndrome de Poliana”, que nada mais é do que uma fuga da realidade, na medida em que o mundo não é tão "cor-de-rosa" assim, como Poliana vê, em suas façanhas. Algumas pessoas assim enxergam o mundo, e no seu emaranhado de situações e de emoções, agem, ingenuamente e inconseqüentemente. Criam uma realidade distorcida e vivem a sua brincadeira, arrastando consigo um batalhão de admiradores, também ingênuos, ou interesseiros aproveitadores.

Não temos que ser pessimistas, ou impuros, mas caminhar com os pés no chão, de forma a construirmos uma vida feliz, uma sociedade mais justa e um mundo melhor. Não significa que não possamos nos divertir, rir dos fatos presentes ou passados, e vislumbrar um futuro de louros. Mas, nos deslumbrarmos ou nos embriagarmos com pequenos fatos inexpressivos e acharmos que isso é a essência da vida...

A vida de Poliana, quando excede a estória e é transportada para a nossa realidade, nos estimula a colocarmos máscaras e a assumirmos falsos papéis. A enganarmos a nós mesmos e a iludirmos os outros. A não mostrarmos o quão belos somos e a perdermos oportunidades únicas. A trocarmos a vida pelo conto. A deixarmos as pessoas e buscarmos personagens..., sempre felizes..., vítimas felizes da ilusão.

Uma fantasia que certamente despenhar-se-á, e o ruir será dolorido, ou pode-se viver na fantasia, na alienação. Pelo acúmulo de frustrações e pelo distanciamento da realidade, será um melindre. Pelo tempo perdido, pela ausência de relações verdadeiras, e pelo inconveniente de não amadurecer, será ressentido. Pela necessidade de se reinventar, reconstruir e renascer, será um desafio, um grande e resiliente desafio.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Hipócritas!!

Em meio às confusões em Brasília, como as falcatruas do PAC, a crise no Senado, a farra com dinheiro público, e a vergonha em que se encontra o Estado perante o seu povo, enfim um novo escândalo, para aliviar um pouco a pressão que anda assolando a desmoralizada classe política do nosso grande pequeno Brasil: a hipocrisia e o falso moralismo.

Todos devem ter acompanhado o caso da estudante Geisy Arruda, de 20 anos, com seus trajes ousados, e que após estar no centro de uma enfadonha manifestação na UNIBAN, teve a sua expulsão deflagrada por aquela instituição, por “uma postura incompatível com o ambiente”. Na justificativa da faculdade, Geisy “sempre gostou de provocar os meninos”, como, infelizmente, disse o seu procurador jurídico.

É óbvio que um assunto como este é vergonhoso. Inicialmente, pelo fato de que em meio à modernidade e à liberdade conquistada pelas mulheres, uma classe intelectual, de forma hipócrita e desprezível, nos remete aos primórdios do absurdo, prejulgando, julgando e condenando, arbitrariamente e com extrema violência, incitando à discriminação, ao preconceito e ao desrespeito. Uma instituição de ensino deve ter como prerrogativas, além do ensino com qualidade, a cidadania plena e a preservação da democracia. Outro ponto que me chamou a atenção foi a enorme repercussão do caso, fazendo renascer lideranças arcaicas, as quais não perderam tempo em manifestarem-se conforme o vento, além de sociólogos, psicólogos, ONGs, grupos diversos e é óbvio, membros do governo, todos em busca de holofotes.

Esse episódio serve como um alerta para todos nós, para que façamos uma reflexão profunda sobre as bases e os valores da nossa sociedade, sobre o nosso futuro e o que queremos construir. Um exame sobre, para quem, e sob que condições estamos entregando a educação dos nossos jovens. O que ensinar e aprender... Triste cenário, ora dominado por lobos em peles de cordeiros, que esquecem que o ser humano deve prevalecer perante os outros interesses.

Oxalá, saiamos dessa!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sorrir exige talento!

Diz-se que “rir é o melhor remédio”, mas após duas horas em uma aeronave, em um vôo que não durará menos do que cinco, ainda mais no retorno, para casa e para as rotinas, não é tão estimulante assim. Passado algum tempo, parece que o relógio para, e cada minuto demora uma eternidade. Não tem mais graça, a monotonia toma conta e por mais que você se esforce, entre os lanchinhos e a sintonia dos canais de música, rir, torna-se cada vez mais difícil.

Estive pensando o quanto deve ser complicado para elas, lindas, vistosas, muito bem treinadas, com aqueles belos sorrisos e gentilezas. Além de maquiagem, elegância no andar e sobrevivência na selva, certamente “como sorrir” deve fazer parte do portfólio de capacitação, ainda mais em um universo desconhecido, onde o “outro” é sempre um estranho, mas que pagou a conta. Os manuais de qualidade de serviços, sempre denominam os estranhos que pagam a conta, como clientes, preferenciais.

Lembro de Aline, uma amiga, linda, com seus grandes olhos verdes. Era aeromoça da Varig, para vôos internacionais. Na época, uma posição muito desejada no universo corporativo desse segmento. Aline não fazia força para sorrir, pois irradiava simpatia. Uma bela amiga! No apartamento dela, tomei meu primeiro porre com Jonny Walker Red, pago pela Varig, em meio às diversas histórias, de como se livrou, ou se vingou, daqueles clientes engraçadinhos e inoportunos, e como fazia para se manter sempre cordial. Não descia do salto nunca!

Hoje, neste vôo, em que estou, há 152 passageiros à bordo, e elas, apaixonadas pelo que fazem, pacientemente, simpaticamente, sorrindo e agradecendo um a um, repetidas vezes... Na entrada, na hora do lanche, na coleta do lixo, na entrega dos fones de ouvido, na nova passada com refrigerantes, na entrega de revistas e quando aqueles “estranhos” apertam o chamado, para fazer perguntas pouco usuais, como: “quantos passageiros estão à bordo?”...

Não sei bem, mas talvez exista um compartimento de bordo onde elas possam gritar, extravasar e livrar-se da tensão, e ali guardarem energia, tal qual naquela animação, onde monstros recolhiam os gritos das crianças transformando-os em energia para o planeta deles. Quem sabe, em breve, possamos deixar a dependência dos combustíveis fósseis na aviação comercial...

Deixando as brincadeiras, quero realmente ressaltar o talento das aeromoças e comissários. Haja paciência! Sei que cada profissão exige comportamentos e atitudes diversos. Também, que cada um faz as suas escolhas, e assim aceita conviver com as exigências das funções assumidas. Isso é bom, pois sempre existe tempo para se mudar de profissão, quando a adaptação torna-se difícil, ou quando o esforço para a realização das atividades, supera os ganhos.

Apesar de tudo, acredito mesmo, que sorrir seja um santo remédio, desde que se sorria espontaneamente.