Sempre adorei fazer academia, malhar...,tanto que já devo ter iniciado umas 50 vezes no decorrer dos meus quarenta e poucos anos. É motivador, na medida em que a gente se sente melhor fisicamente para desempenhar outras atividades, como encarar doze horas em uma rave, ou agüentar uma noitada de charutos e uísque com amigos e ainda terminar em um motel, com uma garota que a gente não lembra bem quem é. Outro ponto, nem tão bom assim, mas necessário para a saúde financeira e das relações no lar, é que nos afasta um pouco dos botecos, permite que conheçamos outras pessoas e sejamos mais sociáveis, além de entendermos que sempre tem gente muito pior do que nós, o que também é estimulante...Voltar à academia é uma saga, que enfrento novamente desde os últimos dias. Ao começar pela escolha de um local, o qual não pode ser tão longe de casa, para não desanimar, e nem tão perto, para que não nos sintamos na obrigação de ir todos os dias, já que estamos pagando. O importante é começar. Passar pela avaliação, que ao contrário do que se vê nos filmes, com belas garotas de jalecos curtinhos, normalmente, é conduzida por alguém meio de mal com a vida, que faz questão de lhe dizer verdades que você já sabia, e está disposto a minimizar, como fadiga, excesso de peso, gorduras localizadas, maus hábitos, entre outras coisinhas desagradáveis. Só que ela faz questão de reforçar tudo isso, em um tom sarcástico. Eis aí o primeiro desafio: mostrar para aquelazinha que você é capaz.
Os instrutores, professores formados ou estagiários, sempre são muito atenciosos e solícitos, mas o fato de preferirem dedicar 95% do seu tempo para aquelas gatinhas saradas, não deve nos desanimar, já que ainda iremos dispor de 5% do tempo deles para dividir com o restante de descompensados, que por algum motivo em um dia de reflexão ou revolta, resolveram retornar à academia. Irão nos ensinar os movimentos que já sabemos, nos aparelhos que já conhecemos, em repetições que já praticamos – 3 séries de 12 ou de 15. A única diferença, que também não foge da normalidade, é que sempre diremos para eles que a carga está leve, como uma forma de mostrar-lhes que não estamos tão fora de forma assim como eles imaginam. Mentira... Quanto às dores musculares, nada que um bom relaxante muscular, com um drink não resolvam...
Atletas de academia aplicados, com olhares centrados, e extrema dedicação, são os terrores dos instrutores, pois os chamam a todo o momento. A necessidade de atenção, de interagir com outras pessoas talvez seja a motivação deles. Meninas de corpos esculturais, com malhas apertadas, normalmente escolhem aparelhos e exercícios que as exponham mais, tal como alongamentos provocantes em locais inesperados, o que às vezes também é estimulante, quando não é vulgar. Garotos musculosos, com regatas cavadas, fazem questão de exibirem-se e trocam de aparelhos a todo instante, como dominadores do local. Há ainda a turma dos quarenta, correndo atrás da jovialidade, para se perpetuarem nas noites curitibanas, como lobos e lobas.
Para mim, as horas de academia são interessantes. Não direi maravilhosas, pois existem coisas mais atrativas para se fazer, ao menos para o meu gosto. Encaro firme a missão, que estabeleci para mim mesmo e vou levar adiante essa idéia, até ficar satisfeito. Tenho minhas metas, assim como todos que lá estão, e não possuo nenhuma clarividência, mas ao olhar para as pessoas consigo identificar facilmente os objetivos de cada um, ao se exporem ao sacrifício de “suarem a camisa” em uma sala abafada, com uma música de má qualidade em alto som.
Com relação à saúde, ainda acredito que atividades nos parques, viagens, sexo intenso e esportes sejam mais saudáveis, apesar de não estar praticando muito de nada... Mas em épocas de praticidade, vamos ver em que dá..... Tô lá!


