A cidade cresceu e não só em números, mas nos acontecimentos. Quem diria que em pouco mais de uma década receberíamos tantas influências externas. Saímos do tradicional "leite quente", para o mundo. Quanta troca cultural e gastronômica. Quanta novidade! Estamos próximos aos grandes centros, ao caos generalizado e necessário para uma cidade grande, cosmopolita.Quem mora por aqui há algum tempo deve lembrar o quanto era difícil encontrar boas ou variadas opções de lazer, excetuando-se os parques, cartão postal de Curitiba. Não haviam muitos bares ou restaurantes, poucos cinemas. Shopping, somente um. Os poucos acontecimentos eram concorridos e o Blindagem levava ao Parque Barigui em torno de 30 mil pessoas nos "domingos no parque", iniciativa louvável do poder público local à época. Várias bandas hoje famosas, abriram o show do Ivo, Paulo Teixeira, Paulo Juk, Albertinho e Pato. Quanto orgulho de ser curitibano! No Bosque do Papa rolava um rock 'n roll de primeira, também nas tardes de domingo. Descer a serra de trem, rumo ao Marumby ou Porto de Cima era uma boa opção para a turma, com um violão para animar. Celso Blues Boy, Oswaldo Montenegro e Gloria Pires, entre tantos outros, cultivavam uma paixão incrível por nossa cidade. Tempo bom!!
Penso que hoje estamos ainda melhores, mesmo com trânsito e filas, e o saudosismo às vezes nos remete a questionarmos nosso próprio futuro. Não sei se as pessoas, à medida em que vão amadurecendo trocam tanto as prioridades, mas hoje certamente troco o chacoalhar do trem e o sanduíche de mortadela daquela época, por um bom restaurante e um blues, apesar do passeio e das paisagens serem maravilhosas. Quem não fez o trajeto, está perdendo...
Hoje convivemos com uma diversidade de pessoas, de vários estados e países, o que nos proporciona novas experiências e riquíssimas trocas. Os bares estão mais animados e a conversa flui maravilhosamente; mostras de cinema e peças de teatro excelentes, shows imperdíveis, novos ares. Gente que chega de todos os lugares e sempre contribuem para a solução de todos os problemas do Brasil e do mundo, com simples receitas de vida. Acolhemos bem aqueles que optam por viver em nossa cidade e não desmerecendo meus conterrâneos, tenho a impressão de que já cultivo mais amizades com pessoas de outros lugares, talvez pela dimensão. Ensinamos e aprendemos com o mundo e isso é o que sempre quizemos, não ter fronteiras.
Realmente é um privilégio viver em Curitiba!