Mostrando postagens com marcador Sentimentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sentimentos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Sufoco



deixo
que a tristeza me invada
por um eterno segundo
pois segundo nós
não são os nós dos sapatos
mas sim os do coração
que insistem em nos sufocar
a estrangular o amor
que a nós
aniquila

domingo, 23 de dezembro de 2012

Deslizes



Faço de minhas palavras um emaranhado de nada, para que cada um saiba o quanto vale um lampejo de fatalidades. Toco na sanfona da minha vida um blá blá blá de descontinuidades, até porque desconexas são as mal dadas percepções, do fado doido ao realejo reluzente das estrelas...
Ainda hoje refleti sobre as minhas fragilidades, como se farto fosse o meu repertório de ilusões. Pus na gaveta das entrelinhas, um fardo imenso de arbitrariedades, para que se possam compor melodias de salão, a iluminar as fantasias dos desavessos.

Ainda que se julgue os mau tratos dos desamparados, há que se plugar no nervosismo  dos desocupados, pois da natureza vazia do nada brotam os miúdos floreios dos jardins abandonados. Assim navega a notoriedade, sem tanto ofuscar aquilo que mal se compreende.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Saudade



...tem gente
que nunca deveria desgrudar da gente
e feito chiclete, superbonder, ou algo colante
estar presente a todo instante
no corpo, na mente e na alma
é essa gente que me acalma
que me deixa sempre feliz
e é o que eu quero
e o que eu sempre quis...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Cadê?



deixo às estrelas a minha solidão
decadentes meteoros
restos de mobílias abandonadas
em rimas e casas velhas

deixo o tiro que me mata ao acaso
á loucura pacata
solfejos calados na escuridão
em murmúrios fanicos

deixo gotas de graça às almas boas
aos quatro cantos que me encantam
redondezas e abismos profundos
em síncopes humanas

Cadê?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Vagando

Não me recordo de noites bem ou mal passadas, dos dias de sol ou de chuva, do inverno ou de qualquer outra estação, dos ponteiros, e tampouco dos relógios. Esqueci-me da dor e das dádivas, das horas e das madrugadas, do brilho e do escuro, do riso e dos gritos. Mergulhado no sangue da hipocrisia, alerto ao ensaio das colombinas e mal combino o balanço sôfrego das flores selvagens e vermelhas, ao ingênuo palpitar dos soluços.
 
Não é saudável rasgar páginas da existência, pois os escritos nos encantam às beiradas. É preciso tocar os papiros ásperos, como se incandescentes fossem ao seu silêncio. Ouvir, então, o despojado desgosto daquilo tudo que nos alucina, para deixar, simplesmente deixar. Lembrarmos que as pupilas exaltadas sambam, ao não quererem entender os absurdos que nos são ditos, quando o são.
Ainda ontem, disse aos meus simplórios esquisitos que não queria mais entendê-los, pois a minha loucura não traduz o arcaico clamor dos vômitos da minha insanidade. Mesmo assim, resolvi olhar para o céu, a venerar todos os cruzeiros que nos insistem naquilo que mal sabemos, ou que nos induzem a acreditá-los. Sigo adiante, sempre, e os esgotos das inconsistências contrapõem o meu voar, pássaros da dúbia liberdade.
Deixo então, aos algozes das diferenças, pequenos borrifos de felicidades, caleidoscópios de sinceridade, meus mais doces olhares, como se Deus em mim reluzisse, a florir. Deixo meu beijo e meu encanto, meu carinho e meu abraço, meu aperto apertado em muitos afetos, além da minha alegria, sangrada de purpurinas sobradas das réstias de constelações... Quem sabe julgar uma escolha, saberá o que será de um pensamento?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Lamento

Não mais me reconheço nas paredes da minh’alma como arte, mas sim como tinta ressecada e desgastada pelas virulências da vida. Atirei sobre o meu manto dourado as minhas angústias, a sufocar-me em meus sonhos, tal qual o pio sentido das engaioladas asas da liberdade. Hoje, respiro o suspiro dos tolos, como se de hipocrisia se alimentasse a esperança, e ainda assim, me julgo justo, ou justiceiro, das ambiguidades da insensatez.

 
Hei de morrer jovem, tolo e ignorante, alvo consciente das minhas inconsequências. Hei de matar inconscientemente cada resto de euforia que em meu peito vibrante habita. Hei de voltar antes mesmo de partir, de violentar em escolhas o tempo. Hei de estar sem estar, sentir sem sentir e deixar, por deixar.
 
Da pintura envelhecida, desgastada e desgastante do meu ser, hei de vomitar o último lamento nas mazelas do negro das incongruências. Dos cacos, adubar as lembranças, como em balaios das mais populares quinquilharias, e do pó, dissipar aquilo tudo que jamais fora compreendido, e que um dia o vento dos sentimentos haverá de compartilhar.

 

sábado, 7 de julho de 2012

Chove Chuva



Frio e chuva sem um amor é dor. São lágrimas a encharcar o solo sagrado do coração, a frutificar a doçura de um novo e breve encontro. 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Tempestade


As manhãs têm sido difíceis, assim como as horas em meu relógio enferrujado, que custam a passar. Em silêncio, o farfalhar dos desejos a instigar a felicidade em claves de chuva. Um meio sem jeito de conduzir o vôo alado dos cavalos que tanto me inquietam e a vontade de nada, a estimular as conexões orbitais dos meus sentimentos. Não há menino dourado, não há menino, não há nada..., somente o negro das noites sombrias que me habitaram a alma. Há um eclipse em meu coração.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Fragmentos de Vida


Quantos fragmentos de vida guardamos em pequenos compartimentos da alma, e quanto deixamos? É como se em nossa seleção, separássemos aquilo que queremos bem conservar e aquilo que descartamos, mesmo que inconscientemente, fruto de vivências boas ou nem tão interessantes assim. Lixo do nosso lixo, dores de amores, perdas e ranhuras da vida - momentos que queremos esquecer, ou boas lembranças, que por alguma razão desejamos que a cada instante novamente nos invadam.

                São avassaladores os puros sentimentos, que mal conseguimos explicar o porquê desse turbilhão que nos move às realizações mais loucas e improváveis, mesmo com uma mente sã. As ações e reações, as palavras jogadas, e as construções dos labirintos que nos provocam a encontrarmos saídas para tudo aquilo que nos convém. Incapacidades superadas na realeza do nosso pulsar, no contraditório do impossível. Conexões e energias canalizadas para o nosso bem estar, mesmo que nem tão bem o sejam.

                Por mais que nos julguemos no controle, não há controle, diante da química que nos movimenta. Resta-nos guardar ou deixar, como mencionei no início, e é lá onde cultivamos o medo e a ousadia, fruto das vibrações e frustrações, sempre bem alimentadas pelo furor dos nossos desejos, pelas conveniências da sociedade, e pela aprovação daquilo que realizamos. Como se nos aplaudirmos ou nos recriminarmos não fosse o suficiente...

                E a felicidade? Ahhh essa tal felicidade..., pode ser conseqüência ou a razão dos nossos atos!!!


Namastê!!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Expectativas


Quando a gente gosta e quer alguém, a vontade é de estar perto daquela pessoa, sempre que possível. Mas quando a nossa vontade de estar perto daquela pessoa, é bem distante da vontade dela de estar perto da gente, significa que ainda não caminhamos na mesma direção, e que talvez nunca venhamos a caminhar juntos, pois as nossas estradas não são as mesmas...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Passam os dias

Como não querer-te, se em mim habitas? Pele da minha pele, cheiro do meu cheiro, alegria dos meus dias, dor da minha dor, amor, intenso amor. Cansei de acordar ao longe, a lembrar-me de ti, desperta em meu peito vibrante. Cansei de chamar-te, em vão, a desejar o teu corpo nu a cortejar-me. Deixei de pensar no cio, e no ócio do gozo, na licitude do querer e na paz do teu abraço.

Hoje, tudo é loucura, e na ignorância das insanas madrugadas, acolher afetos, vomitar frases prontas colhidas do escárnio de qualquer sentimento vazio. Alçar às vertigens do álcool, da droga, da vida, da inquietude do desejo. No alto da paixão, dilapidar frases ao juntar letras e depreciar palavras. Tudo é válido, pois nada é real, são projeções distorcidas do viver. Ilusões, sonhos, e vôos no escuro. Ao acordar, nada...: nem lembranças, nem histórias, nem reflexões, nada... Um novo despertar obtuso, desnudo da sincroninidade das vontades, distante do bem querer.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O Amor e suas Razões


Sempre me transbordo na imensidão da tua luz, e míope de sentimentos, deixo escorrer pelas minhas mãos suadas o sangue que derrama meu coração doente. Ainda que cicatrize, será doente, pois não pulsa e não produz novidades, nada o encanta. Lembro-me de ti, mas das lembranças não se constrói o novo, somente do esquecimento. Mas como esquecer-te se teu cheiro me habita? Ausente, estás sempre presente em meus pensamentos, e trêmulo, me deixo invadir a todo segundo ao gozo, a remeter-me a tua geografia.

Derramo de mim toda a docilidade, ao depositar na escuridão das noites vazias a tua ausência. Fostes algo bom e ruim, cujo bom pouco me desperta, não me estimula e pouco gracioso é, é falso brilhante! Já o teu ruim esse me move, me surpreende e me instiga.  É ele que me impulsiona a querer-te, a adorar-te, por pior que o seja. Sofrer a gosto, não; maltratar-me, não; odiar-me, também não. É um outro olhar, um querer bem diferente de capricho, um querer muito, um acontecimento, um amor apaixonado.

Quem ama ou amou entende, sabe muito bem que quando as coisas acontecem em nossas vidas, não suportá-las seria loucura. Também sabe bem quem acontece em nossas vidas, e desprezá-las, também seria loucura. Fernando Pessoa escreveu: “Quando te vi amei-te já muito antes. Tornei a encontrar-te quando te achei.” É quando gente toca a gente, a nossa alma, e antes mesmo de tudo, já sabemos o que irá acontecer, pois já estava escrito.

Todos gostamos de amor, e com ele carregamos a dor. Quanto  mais afetuoso e acolhedor o amor, melhor; já a dor, se menos doída, também. Somos repetições de tudo aquilo que vemos, ouvimos, percebemos e sentimos. Somos reações e produtos de nós mesmos, de imagens, de coisas boas e ruins. Somos predestinados, e o nosso sofrimento eclode sempre que duvidamos, ou não aceitamos aquilo que nos é destino.

domingo, 11 de março de 2012

Amar, Sem Amar...

               Tem gente que diz amar, mas diante da primeira dificuldade vira as costas e foge. Que amor moderno é esse, muito falado e pouco sentido? Amor sem compromisso, de palavras sensíveis ditas dos mais doces lábios, mas que se perde no lodo da luxúria, do egoísmo e do interesse.

               Tem gente que diz amar diferente, mas que amor diferente é esse? Amor que mutila e mata, que destrói enquanto constrói em ruínas almas adoecidas, que multiplica mágoas e potencializa  solidão.

               Ainda assim, tem gente que diz amar, mas que ao amar assim, sem amar, sofre, enquanto faz sofrer. È gente que inveja gente, e chora contido, ao esconder a sua fraqueza e a sua sórdida incapacidade de se doar.

Namastê!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ausência

Esse vulcão que em mim habita, haverá de cobrir de cinzas a tua ausência. Das erupções e das cinzas, e da petrificação da lava, é que brotam as novas geografias, cujas histórias ficarão esquecidas em algum museu da alma.

De que lado o amor estará, senão daquele que pulsa, e que despeja em sentimentos o verdadeiro querer, ao mesmo tempo em que abomina o superficial e o fútil. É preciso deixar que o coração diga, nas encruzilhadas da paixão, qual caminho seguir.

O lamento é o dano, sem nunca deixar de destilar emoção, e aquele que não se emociona diante de uma perda é fraco, pois ao entregar ao racional o seu próprio destino, mata a si mesmo ao esgotar a sua virtuosidade.

Para que decretar o óbito de quem aqui está, mas já partiu? A sentença é penosa, está na obsessão do ter. É quando alguém lhe rouba a sua solidão e nada lhe dá em troca, como já supunha Nietzsche...  

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sem comentários...

Cada um sabe a sua hora de avançar e seguir, ou mesmo a hora de parar, de desistir. O cosmos nos guia e por mais que tentemos avançar além daquilo que nos foi permitido, nosso momento está escrito, descrito, em linhas tortuosas que nenhum sentimento egoísta consegue ler. É simples demais, é quando achamos que já fizemos tudo aquilo que tínhamos por fazer, causado transtornos, alegrias, encantos, e criado adversidades. A gente cansa, cansa de viver, cansa de estar, cansa de participar, cansa de ter que explicar o que não tem explicação, e o que ainda estamos fazendo por aqui. É um problema de cada um.

O amor é doido e é a razão de se existir: filhos, pais, amigos, conhecidos, colegas, paixões, parentes, animais, plantas, casas e mobílias, letras e palavras, é o coração que pulsa. Um apego imenso ou qualquer, que nos inutiliza para nós mesmos e nos faz nos doar, nos suga a sermos generosos com tudo e com todos. É a razão de se existir, um lamento, e quando esse amor nos abandona, não nos faz mais sentido, nos dá a certeza de que a nossa missão está encerrada, e que é a hora de partir, simplesmente para deixar mais amor, e não mágoas ou decepções.

Partir não tem nada haver com tristezas, com dor, mas simplesmente é o pleno entendimento de que nada mais se encaixa. É quando deixamos de fazer sentido para nós mesmos. Desapegamos-nos dos outros e das coisas, e nos desapegamos de nós mesmos. É quando nos falta algo, e esse algo não está aqui, em nosso plano, e não compreendemos, e então usamos da coragem para neutralizar o medo, para que então possamos seguir, felizes. Não tem a ver com religião, com passagens, com crenças, mas simplesmente com o entendimento entre cada um e a sua própria consciência.

Penso que nada mais confortante do que um sorriso, um abraço, uma lembrança talvez..., uma boa lembrança. Ainda, a alegria de tantos corações que fizemos pulsar, e tantos que nos fizeram sorrir. Infelizmente, o entendimento ainda se prevalece no plano físico, no ter, e não no ser, e não conseguimos entender o porquê do quanto estivemos presentes em nós mesmos, e talvez muito pouco tenhamos conseguido compartilhar ou transmitir das alegrias e encantos que pudemos viver.

Dizem que quem decide partir é covarde, que por alguma infelicidade desiste, ou que não possui coragem para enfrentar as dificuldades..., besteira! É como se a gente não coubesse mais em nós mesmos e simplesmente decidíssemos olhar o mundo de uma forma diferente, não confortante, outra perspectiva, mas que nos permitamos deixar as pessoas tristes por um momento, e felizes após, a seguirem os seus caminhos com aquela gota de boa lembrança do que um dia pudemos fazer, e muito além, de que um dia as pudemos fazer sorrir ou sentir.

Não há o porque se desculpar, mas quando a hora chega e a decisão tomada, é simplesmente exigirmos respeito ao reafirmarmos o que disse o poeta, Torquato Neto, “para mim chega!”!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Incoerências!

Inconfundíveis gotas a encher de vazio, e a transbordar e inundar aquilo que não nos parece sensato. É preciso jogar-se no abismo para se viver, e deixar na imensidão do nada, aquilo tudo que não nos faz sentido. Há que se ter coragem para romper, suprimir os jardins plantados, mesmo que a florir, e ao matar, não somente exterminar as flores, mas seus frutos e genitores, ir à raiz.

Naquilo que cremos está a nossa fortaleza, que nos enaltece e nos faz pulsar. Nos é permitido partir a todo momento, deixar, basta mergulharmos em nossas realidades. Memoráveis são os nossos impulsos, alertas, que ao reverberarem nossos próprios sentimentos nos movimenta. Uma brisa intensa que nos deixa sensíveis a nós mesmos, apesar do absurdo que nos invade e que nos limita.

Para se viver é preciso estar vivo, mas não basta somente o bater do coração!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Afago!

Admire-me e me ame pelo que eu sou, e não pelo que você gostaria que eu fosse. E se mesmo assim eu não te bastar, me julgue como uma brisa leve, que um dia tocou o teu rosto e te fez suspirar. Por mais que não entendas quem sou eu, deixe que o pulsar do teu coração te encaminhe, para aquilo que de mais sutil te toca e que te faz perceber que nada mais sou do que afeto..., um emaranhado de amor em sentimentos bons a aquecer e elevar o teu peito vibrante.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Manifesto!

Sempre relutei em fazer da minha vida um canteiro de amenidades. Preferi um jardim intenso de cores e cheiros, do cair de pétalas e do renascimento, do lamento às preces. Não queira agora, que eu entenda as razões fúteis das banalidades, somente pelo fato de eu estar mais presente nas superficialidades das ondas da mediocridade.

Derrubei as minhas máscaras há muito tempo e nem por isso me permitirei louvar aquilo que me emudece. Danem-se os profetas e os sábios, pois nada mais são do que multiplicadores das suas próprias crenças. Danem-se os seus admiradores e apesar do respeito, afirmo que não deixam de ser meras ovelhas a caminho do matadouro.

È preciso pensar, refletir, é preciso dourar as emoções, para que possamos então nos posicionar, a defender a nossa própria estrutura, na qual cremos e desejamos . E se você pensa que esse manifesto é a sua verdade, esqueça...! Você não entendeu nada e não aprendeu a pensar... Continua a ser manipulado, um inocente útil no jogo perverso do poder.

Estamos no limite da obscenidade, e despir-se diante do caos, nada mais é do que deixar que tudo aquilo que te comove, te afogue nos seus sentimentos e nas suas expectativas vazias.

Namastê!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sentimento Meu

Sentimento não se discute e não se fala, se cala e simplesmente se sente. Quem diz que sabe não sabe e quem discute não sente, só quem sente é quem sabe que o sentimento é seu ente. É único e de cada um pelo fato de estar presente, e incomparável há que ser respeitado, pois é mais  fraco ou frouxo, aquele que se intromete no sentimento dos outros, e ao querer se comparar com as amarguras da gente, não passa de palpíteiro, intrometido e doente.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Coração Selvagem

Descontrolado e louco..., ando ensandecido com as suas arbitrariedades... Como se não bastasse a dor da separação, o luto pelo rompimento e o flagelo da saudade, devo ainda me sujeitar às suas variantes. Nos momentos em que mais preciso  de você, me abandona, ao bel prazer de me ver sofrer e, por tua causa, despenco no grand canyon das minhas emoções. Impossível controlá-lo, e sei que é minha a culpa, já que sempre deixei o meu destino em suas mãos. Agora sinto que admiti-lo a pulsar, ou deixar de bater acelerado, sem  a minha racionalidade, é insensatez. 

Quisera você fosse tal qual um celular, com carga e descarga e a opção de desligá-lo sempre que preciso. Poderia deixá-lo em casa ao mergulhar nas minhas madrugadas insanas, se quisesse o frio das relações, ou regular a sua intensidade, para que batesse à altura dos meus interesses. Coração bandido, algoz dos meus sentimentos, anda a me maltratar por capricho, como se por vingança fizesse, pelos sustos e oscilações a que lhe tenho exposto, pelo que lhe tenho açoitado. Apesar de tudo você é meu e o que me conforta é que posso viver sem você, assim como você pode viver sem mim, por outras emoções. E talvez por isso, o gosto e o zelo por nossa desarmonia. 

(contribuição de Henrique Cabral dos Santos)