terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Tem gente que deixa uma saudade...

Tem gente que quando segue, deixa um legado e uma grande saudade. Tenho uma admiração imensa pelo trabalho de Pena Branca e Xavantinho. Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho, faleceu em outubro de 1999 e José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, agora se vai. A obra permanece, e as lembranças do talento, e do carinho.

http://www.youtube.com/watch?v=BgIDZRHVxN4&feature=fvw

http://www.youtube.com/watch?v=zd1pvijIkxU

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Síndrome de Poliana

Acho que todo mundo conhece um pouco, ou ao menos já ouviu falar das estórias de Poliana. Poliana é uma menina que enxerga tudo "cor de rosa", sem maldades, sempre acreditando no melhor das pessoas e da vida, sendo incapaz de fazer algum mal a alguém. É uma obra universal, escrita por Eleanor H. Porter, e muitas gerações a têm lido com emoção. A figura humana da menina Poliana sensibiliza pelo otimismo, amor, bondade e pureza de sentimentos.

A sua forma de ver a vida levou os especialistas a identificarem a “Síndrome de Poliana”, que nada mais é do que uma fuga da realidade, na medida em que o mundo não é tão "cor-de-rosa" assim, como Poliana vê, em suas façanhas. Algumas pessoas assim enxergam o mundo, e no seu emaranhado de situações e de emoções, agem, ingenuamente e inconseqüentemente. Criam uma realidade distorcida e vivem a sua brincadeira, arrastando consigo um batalhão de admiradores, também ingênuos, ou interesseiros aproveitadores.

Não temos que ser pessimistas, ou impuros, mas caminhar com os pés no chão, de forma a construirmos uma vida feliz, uma sociedade mais justa e um mundo melhor. Não significa que não possamos nos divertir, rir dos fatos presentes ou passados, e vislumbrar um futuro de louros. Mas, nos deslumbrarmos ou nos embriagarmos com pequenos fatos inexpressivos e acharmos que isso é a essência da vida...

A vida de Poliana, quando excede a estória e é transportada para a nossa realidade, nos estimula a colocarmos máscaras e a assumirmos falsos papéis. A enganarmos a nós mesmos e a iludirmos os outros. A não mostrarmos o quão belos somos e a perdermos oportunidades únicas. A trocarmos a vida pelo conto. A deixarmos as pessoas e buscarmos personagens..., sempre felizes..., vítimas felizes da ilusão.

Uma fantasia que certamente despenhar-se-á, e o ruir será dolorido, ou pode-se viver na fantasia, na alienação. Pelo acúmulo de frustrações e pelo distanciamento da realidade, será um melindre. Pelo tempo perdido, pela ausência de relações verdadeiras, e pelo inconveniente de não amadurecer, será ressentido. Pela necessidade de se reinventar, reconstruir e renascer, será um desafio, um grande e resiliente desafio.

A violência de todos nós...

As pessoas andam assustadas, descrentes e à mercê do perigo. Sonham com a violência, exalam o medo e se reprimem. Sentem-se violentadas nos seus direitos, violadas na sua cidadania, e com a liberdade manchada. Quase sem esperanças, torcem para que alguém lhes salve, mas pouco agem.

Quando percebem que estão sós, ultrajam com blasfêmias, racionalizam, como se não fizessem parte deste mundo doente. Atribuem culpas e se isentam, reclamam e profetizam, externam as suas insatisfações e apresentam as suas mais íntimas receitas. Promovem o seu pequeno mundo perfeito, mas pouco agem.

Falam em mudar de endereço, em mudar de cidade, em mudar de país. Gritam nos balcões dos bares e nos almoços de família, sem ponderações. Culpam inocentemente, segregam ingenuamente, maltratam com ignorância. Acham que impor os seus modos, os seus conceitos e os seus padrões, soluciona. Disseminam mais violência, e pouco agem.

Permitem, ao não participarem.

Aceitam, ao não fazerem escolhas.

Matam, ao omitirem-se.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Hora de viver...

Eu entendo o seu medo, e também o seu silêncio. O seu distanciamento, como uma forma velada de dizer não, mesmo querendo dizer sim. Desde os primeiros momentos, dos olhares aos carinhos, dos carinhos aos beijos, dos beijos aos toques, e aos sussurros, a carência de desejos, não a ausência..., o temor. O receio de novamente emergir no doloroso da paixão, de novamente machucar-se.

Sei o quanto é difícil recomeçar. Quanta energia a ser despendida. Quantas cicatrizes a curar, quantos planos a serem refeitos. Laços afetivos, intimidades destruídas, sonhos despedaçados, e a exigência de estar bem, mesmo não estando bem. È importante mostrar-se bem, como uma forma de dizer ao mundo, que as mudanças são normais, pois fazem parte da vida. Mentira!

Por mais que não queira aceitar, pois estar próximo engrandece e encanta, é preciso seguir, deixar que o ciclo se feche. É preciso respirar, e abrir as janelas do peito para que a alma seja iluminada pela intensa luz da vida. É preciso se deixar levar pelos anjos que nos acompanham e nos protegem. Ir ao encontro do abraço que tanto nos conforta. Ir ao próprio encontro, em profundas reflexões.

Não há como dissimular os sentimentos. O coração não fica latente, ele pulsa forte. Não vale mais a pena esperar, e acumular dor. É preciso viver... Eu ainda te quero muito... Seja feliz... Deixei as chaves sobre a mesa, apaguei a luz ao sair, e fechei a porta... Que Deus nos ilumine!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Esse meu coração...

Meu coração derrama lágrimas
Afunda no mar das emoções
Delira inconveniente
Na loucura dos sentimentos

Atira na insensatez
Atrevido como é
Imprudente, faz pouco caso
Desdenha tudo que quer

Reclama mas não renova
Quer muito, mas não transforma
Aprova mas não conserva
Procura mas não permite

Meu coração é vagabundo
Acostumou-se na solidão
Bate forte e faz alarde
Quando quieto está infeliz

Quem diz que sentimento
É desgoverno recorrente
Infrutuoso não se lambuza
Não vive amor ou dor

Desdourar a vida breve
Acalmar o coração
Abdicar dos desejos
É morrer acelerado

Mal sabes que ser intenso
É marca é ser humano
E que viver arrebatado
É viver abençoado

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Elas sabem o que fazem...

Não sou nenhum expert em moda, e muito menos em tendências de moda; admiro e aprovo, ou desaprovo, simplesmente o que vejo. Louvo as mulheres, muito, e dou meu veredicto sobre a classe e o charme de uma mulher, somente pelo seu jeito de andar. Ela pode ser feia, pode estar além do peso ideal, não combinar cores ou estilos, ter tinta no cabelo e até voz grossa..., ou pode ser linda de parar o trânsito, pois uma mulher caminhando, de salto-alto, de forma simétrica é um encanto... Não quero ser injusto, cruel, seletivo, bobo ou grosseiro, nem compartilhar meus fetiches, muito menos diminuir aquelas mulheres que não deveriam se arriscar, e elas sabem que não deveriam...

Por algumas semanas observei mulheres andando de salto nos bares, boates, lojas, no trabalho, nas ruas da cidade (principalmente na rua XV), e tirei conclusões interessantes. Nada científico com constatações técnicas, mas o olhar crítico de um apaixonado por elas... Aguardem, que em breve publicarei algo interessante.

Minhas amigas, conhecidas ou parentes, fiquem tranqüilas, pois não as observei, e nem o faria, por questões óbvias...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Janelas Abertas...

Há algum tempo, minha amiga Juliana, em seu blog (www.juliana-saito.blogspot.com), inseriu um post onde refletia sobre a experiência de observar da sua janela, um garoto que passava dias e noites na janela de seu apartamento, observando, e talvez refletindo sobre a vida, desejos e anseios. Foi em um período de férias, final do ano, e talvez solitário, carente, à espera que algo de novo o motivasse, ali permanecia, alternando entre as janelas da sala, quarto e banheiro, com seu olhar vazio.

Gostei muito da sensibilidade e do momento, e imediatamente mergulhei na fantasia da experiência e do acontecimento. Embrenhei-me na reflexão sobre as janelas para a nossa vida, que ousamos abrir e olhar, mas que não ousamos atravessar; nos desejos e fantasias que não empreendemos; nos receios e medos implícitos, e nas barreiras imaginárias que impomos a nós mesmos, e não nos atrevemos a transpor.

O mundo, da janela para fora, é infinitamente maior do que da janela para dentro, mas assim mesmo nos agarramos no conhecido, no que é seguro. Assim, andamos em turmas, freqüentamos os mesmos lugares e viajamos para destinos sabidos. Adotamos experiências de outros, quando nos recomendam, e seguimos na linha. Quase sempre acertamos, pois ninguém gosta de errar. O desconhecido pode ser um perigo, não precisamos ousar...

Dessa forma, vamos nos limitando, segregando aos outros e a nós mesmos. Criando rótulos e nos reduzindo. Adotando manias e nos igualando. Vamos ficando chatos, ou bonzinhos, como nossos pais, preconceituosos como nossos amigos, e renitentes, inflexíveis diante do novo. Confundimos a adoção de bons exemplos, com a simples replicação, e perdemos a oportunidade de crescermos e ajudarmos os outros a crescerem.

Na medida em que esquecemos, que cada experiência é única, e estamos aqui para vivenciá-las, que cada desejo é construído a partir dos nossos anseios e necessidades, e não os realizamos, que sonhamos os sonhos dos outros, enquanto limitamos os nossos, ficamos, simplesmente, observando, com olhares vazios, incapazes. Abrimos, timidamente, as janelas para as nossas renúncias e frustrações e as fechamos para a vida.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Homens, segundo Vinícius de Morais

Os homens bons, são feios.
Os homens bonitos, não são bons.
Os homens bonitos e bons, são gays.
Os homens bonitos, bons e heterossexuais, estão casados.
Os homens que não são bonitos, mas são bons, não têm dinheiro.
Os homens que não são bonitos, mas que são bons e com dinheiro, pensam que só estamos atrás de seu dinheiro.
Os homens bonitos, que não são bons e são heterossexuais, não acham que somos suficientemente bonitas.
Os homens que nos acham bonitas, que são heterossexuais, bons e têm dinheiro, são covardes.
Os homens que são bonitos, bons, têm dinheiro e graças a Deus são heterossexuais, são tímidos e nunca dão o primeiro passo!
Os homens que nunca dão o primeiro passo, automaticamente perdem o interesse em nós quando tomamos a iniciativa.
AGORA...
QUEM NESSE MUNDO ENTENDE OS HOMENS?

Moral da História:
" Homens são como um bom vinho. Todos começam como uvas, e é dever da mulher pisoteá-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia pro jantar "

"Mulheres existem para serem amadas, não para serem
entendidas."
Vinicius de Morais

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sobre a Brevidade da Vida

Na sua obra “Sobre a Brevidade da Vida”, Séneca, filósofo, dramaturgo, político e escritor, que viveu Roma do início da Era Cristã (4 a.C – 65 d.C), descreve em um tratado primoroso, uma fascinante obra que nos eleva a refletirmos sobre os caminhos que escolhemos seguir. Freqüentemente retorno a Séneca, assim como a Nietsche, a Maquiavel, e por que não a Vinícius de Moraes, Drumond, ou outros tantos poetas e pensadores?

Extraí alguns trechos para estimular àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de mergulhar na obra e na própria alma: “A maior parte dos mortais, lamenta a maldade da Natureza, porque já nascem com a perspectiva de uma curta existência e porque os anos que lhes são dados transcorrem rápida e velozmente. De modo que, com a exceção de uns poucos, para os demais, em pleno esplendor da vida é que justamente esta os abandona.”. “Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai.”.

Em outro trecho, Séneca afirma: “Pode haver alguma coisa mais tola, me diga, que a maneira de viver desses homens que deixam a prudência de lado? Vivem ocupados para poder viver melhor: acumulam a vida, dissipando-a. Fazem seus projetos para longo tempo, porém esse adiamento é prejudicial para a vida, já que nos tira o dia-a-dia, rouba o presente comprometendo o futuro. A expectativa é o maior impedimento para viver: leva-nos para o amanhã e faz com que se perca o presente.”. Ainda, finalizando as citações: “Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada.”.

Ao reler este tratado, esta semana, por várias vezes lembrei-me de Zilda Arns, e da tristeza dos seus seguidores, transformada exponencialmente em alegria, por terem convivido com uma pessoa tão iluminada e que não fez da sua vida uma vida breve. Assim, compartilho um pouco dessa obra e recomendo, para reflexão, como um exercício de sabedoria.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Oficina de Música de Curitiba

Por estes dias, a Oficina de Música de Curitiba 2010, tem invadido os espaços públicos e privados, trazendo alegria e mais vida para a cidade. Com uma programação intensa e uma qualidade indiscutível, os teatros e casas de espetáculos estão cheios. Percebe-se no brilho dos olhos das pessoas, a satisfação, o prazer e o êxtase. Uma paz velada, o consenso do gosto pela música... Simplesmente, um doce desejo, e muita admiração.

Além de mestres da MPB como Guinga, Hermeto Pascoal e Antonio Nóbrega, instrumentistas e compositores, como Ezequiel Piaz, Claudio Menandro e Dante Ozetti, uma infinidade de regentes e músicos de altíssima qualidade têm desfilado nas oficinas clássicas e apresentações. O circuito off, que leva os músicos aos bares da cidade, também é uma opção, e vale a pena conferir. A programação da oficina você encontra no site oficial (http://www.oficinademusica.org.br/) , e para o circuito off, é preciso estar atento às programações dos bares.

A Oficina é um oásis neste universo atual da música de baixa qualidade, e tem encantado a muitos. Já a outros, nem tanto... Eu estou muito feliz, pois, particularmente, não gosto de música sertaneja (não confundir com música caipira), e tampouco de pagodes melosos, interpretados por egocêntricos asquerosos. A Oficina não contempla esses interesses, e muita gente se sentirá desassistida. Mas para esses, existem locais adequados e momentos próprios para confortá-los, como shows, clubes de dança e salões, de forma que possam praticar seus aprendizados, ou mesmo ouvirem suas predileções em som alto, além de ouvirem em suas casas e carros.

Não é preconceito meu criticar esses estilos, mas conhecimento e sensibilidade musical. Sei que posicionar-se é complicado, ainda mais em assuntos polêmicos que causam discórdias, e até ira, mas... Infelizmente, ainda nos ronda a ignorância, e contra a ignorância, o silêncio ainda é o mais indicado, apesar de não conseguir abster-me. Melhor ficar calado..., ou não?

Se for do seu gosto, aproveite...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Penitência

lembranças perdidas
no calor dos lábios sedentos
na dor de um amor eterno
lampejos vazios de felicidade

uso de minhas garras
a arrancar-me do peito essa dor
mergulho em minh’alma doente
a confortar minha solidão

hei de viver na clausura
entranhar-me no negro destino
viver sôfrego na tortura
do obtuso mundo vão

hei de atirar contra mim
acatar as minhas incongruências
aceitar o destino de viver em penitência
na morte lenta dos meus sentimentos

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Os donos do mundo...

Às vezes penso que a falta de surpresas em nossas vidas, transforma nosso cotidiano em uma chatice. Acordar e ter o dia planejado, e saber que todas as coisas acontecerão, se não exatamente como desejamos, muito próximas daquilo que queremos, é no mínimo entediante. Diariamente, ouvimos especialistas nos orientando para planejarmos nosso futuro, nossas atividades, nossas ações, nossos modos, nossas falas, nossos ritmos..., ufa..., que saco!

Será que essa é a chave para a felicidade? Seguirmos regras e esperarmos que obtenhamos os resultados como desejamos, ou devemos ousar, estimular a criatividade, experimentar? Precaver-nos dos sofrimentos, nos abstendo de viver emoções, ou dar-nos a oportunidade para rirmos ou chorarmos? Guiar-nos pelas conveniências ou pelos nossos sentimentos?

Nas minhas reflexões tenho me certificado, cada vez mais, do quanto detesto o cartesiano e adoro o caórdico. Isso me remete aos tempos de criança, onde tudo era uma aventura. Sair de casa para qualquer lugar, cada situação era um novo momento a ser vivenciado. Um universo a ser explorado. Tomar banho de chuva e sujar os calçados de lama; admirar a natureza, a rua, os carros, as lojas, as fachadas, as pessoas... Divertir-se. Brincar com a vida, viver a vida...

Hoje somos carrancudos, preocupados demais, e com inúmeras responsabilidades. Crescemos. Queremos salvar o planeta, mas nem a nós mesmos estamos salvando. Não entendemos ainda, que cosmos é esse que nos habita e muito menos como nos relacionarmos com o universo das outras pessoas, mas queremos influenciar os outros, convencê-los das nossas verdades. Falta-nos humildade, compaixão, solidariedade. Falta-nos entendimento e compreensão. Falta-nos amor.

Ainda assim, nos achamos auto-suficientes, e em nossa visão míope e egoísta, nos sentimos os donos do mundo, à espera que alguém nos dite ou nos diga como nos sentirmos e como agirmos. Demos nomes, preferências e prioridades às posições sexuais, assim como às posições na sociedade. Criamos ritos que nos habilitam a sermos melhores ou piores, assim como estabelecemos os pedigrees aos cães. Desfilamos estilos, destilamos preconceitos. Alimentamos-nos do próprio veneno e consumimos nossa alma. Somos escravos das nossas próprias limitações.

Infelizmente...

domingo, 10 de janeiro de 2010

A escolha do seu par...

Meu amigo Amici enviou-me este texto, primoroso e genial, escrito em 2004, por Stephen Kanitz. Não pude deixar de compartilhá-lo, principalmente em razão de tantos desencontros nas vidas de pessoas que muito se amam.

“Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar. Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress. A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par. Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile. As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam. Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de "ficar", o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero. Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o "ficar" descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota. “

Stephen Kanitz é administrador por Harvard (http://www.kanitz.com/)
Editora Abril, Revista Veja, edição 1877, ano 37, nº 43, 27 de outubro de 2004, página 22

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Vida que segue...

Aos 17 anos, morava no Rio de Janeiro, na Praia Vermelha, e por intermédio de uma amiga querida, chamada Inês, conheci o trabalho musical de Zé Alexandre. Com uma voz doce, afinadíssima e composições plenas em suas letras, melodias e arranjos, rapidamente virei seu fã. Custou-me caro o empréstimo do vinil “Alma de Músico”, na época, já que tive que ficar com a irmã dela na praia (entenda-se muitos beijos e abraços em grãos de areia), para que enfim pudesse conhecer um pouco mais do trabalho daquele músico espetacular. Composições como “Alma de Músico”, “Sábado”, “Pousa”, e tantas outras, traduzem a capacidade do artista. No site http://www.zealexandre.com.br/ , você pode baixar as músicas, já que o LP não foi remasterizado.

Zé Alexandre é completo musicalmente, e foi um dos principais parceiros de Oswaldo Montenegro, ou vice-versa, tendo participado de trabalhos, como “Dança dos Signos”, e dividido a voz com ele em músicas como “Bandolins”, “Canto de Folia” entre outras. Ouvir o Zé, cantando “Estrelas”: “Pela marca que nos deixa / A ausência de som que emana das estrelas / Pela falta que nos faz a nossa própria luz a nos orientar...” é maravilhoso!

Recentemente mantive contato com ele, através da web, e desde então estamos tramando... Devo trazê-lo para um show em Curitiba, lá no Hermes Bar, ou quem sabe no Paiol. Como é estranho estar tão próximo de uma pessoa que tanto me inspirou..., que me trouxe momentos extremos de alegrias e tristezas, que me fez rir, absolutamente, e chorar, que me estimulou sentimentos, paixão e perda. Marcou uma fase da minha vida...

Recentemente Zé Alexandre gravou com Zélia Duncan a música "Viva o Cachorro", música que estará em seu próximo trabalho – CD e shows. Gentilmente, ele a enviou-me esta semana por e-mail, e quem quiser conhecer essa composição é só solicitar, que replicarei com satisfação, também por e-mail.

Compartilho um pouco de vida..., a vida que segue!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Solidão!

A solidão que nos invade não tem dia, e não tem hora. É um encontro ao acaso, quando nos despimos das nossas vaidades e nos sentimos reféns dos nossos próprios sentimentos e das nossas próprias ilusões. Não tem a ver com lugares e nem com pessoas, não tem a ver com realizações, com sucessos ou fracassos, não tem a ver com estar só, mas sim, sentir-se só.

A visão poética da solidão pode nos remeter para momentos belos, de reflexões frutíferas, de prosperidade emocional, de encontros não acordados, da plenitude e satisfação em alçarmos degraus da maturidade, no exercício da sensibilidade construtiva. Já a dor, nos chega como uma brisa leve, sutil, e nos alavanca tal qual um furacão, nos imergindo, após, em um denso negro, quase infinito, atravessando os limites do próprio ser.

Um eclipse que todos nós vivenciamos, no universo da nossa luminosidade. Um lapso temporal em nossas vidas, para nos reenergizarmos. Um encontro de contas com nós mesmos. Um mergulho na alma. Momentos mágicos de sofrimento e dor que nos fortificam ao nos sentirmos inseguros e frágeis, e onde conselhos não nos regeneram, nem abraços. Somos somente nós, e temos que escolher um caminho!

A solidão nos revigora, e nos ensina que precisamos simplesmente seguir adiante. Assim, seguimos...

Namastê!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ilha do Mel, Ilha do Mar...

Venho para a Ilha do Mel há mais de 20 anos, e passar uns dias por aqui é reconfortante. Um programa ideal para quem gosta de sair um pouco da rotina e descansar, cansando muito... Entre as baladas de reggae, forró, e outros ritmos, luau na praia, caminhadas noturnas e rodas de viola, muita conversa..., muita mesmo. Quem se dispõe a interagir, sem nenhuma segregação, encontra por aqui um ambiente favorável para novas amizades e curtições. Quem sabe até um romance, ou a descoberta de um novo amor...

Hospedar-se em pousadas, ou mesmo em barracas, nos diversos campings, ou ainda simplesmente passar o dia, pode ser um programa legal. Ao andar pelos caminhos, encontramos mochileiros de vários locais do país, bem como estrangeiros, todos com o mesmo objetivo, de vivenciarem ou usufruírem de espaços ainda conservados pela natureza, divertirem-se e conhecerem pessoas. Há um cuidado especial da grande maioria com o meio-ambiente, apesar de ainda faltar educação ambiental para muitos, que insistem em não entender que ao conservarmos o nosso planeta, conservamos nosso próprio viver.

Além de todas as praias e belezas naturais, visitar o farol e o forte são passeios indispensáveis para quem vier à Ilha, porém, assistir a um pôr do sol, como o da foto acima, lá da pousada do João da Flauta, é maravilhoso. No Astral da Ilha, pode-se alugar pranchas de surf, cadeiras e outros apetrechos de praia, além de ser um local agradabilíssimo para tomar um drink, em rodas de conversas animadas, e encarar um sashimi enquanto consulta seus e-mails ou escreve um post, como estou fazendo agora...

A Ilha do Mel sempre me encantou, e a surpresa dessa última passagem do ano foi o ciclone que assisti formar-se no mar e invadir a ponta oeste, levantando areia ao chocar-se com a ilha. Também rever amigos queridos, que os carrego comigo há muito tempo no lado esquerdo do peito, e os vejo nas minhas estadas por aqui, como se simplesmente amanhecesse um novo dia, já que o nosso diálogo e o carinho permanecem intactos.

Bela ilha, Ilha do Mel, bela Ilha do Mar...


http://www.pousadapordosol.com.br/
http://www.astraldailha.com.br/

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Um último lamento!

Ontem, ela novamente falou comigo..., não obscenidades, nem agressões, como das últimas vezes, tampouco futilidades. Entrou no macio das palavras e por alguns segundos mostrou-se envolvente, dôce. Cheguei a pensar que ela voltaria, com aquele imenso sorriso, com seu jeito de menina e um carinho envolvente, retirando novamente seus planos das gavetas. A dúvida atroz da distância é o engano, já que na falta do olhar, o colorido, pode significar uma escuridão densa, assim como o riso, pode ser apático, ou o brilho, opaco. Falhamos, quando nos falta humildade e quando estamos deslumbrados, falhamos...

Abrir a janela em dias tristes não é muito estimulante, até porque sabemos que o céu estará cinza, já que torcemos para que o tempo pare. Os vazios e os buracos na alma permanecem, assim como a ausência, ou o olhar desconfiado e ameaçador da vida. A mediocridade velada, os interesses ocultos e as relações vazias. As pessoas continuam fechadas em seus pequenos grupos de relacionamentos, seja pelo medo do novo, de viverem novas experiências, ou pela simples inabilidade. Tenho a certeza de que a distância nos faz perceber o quanto estamos suscetíveis ao meio, e o quanto somos influenciados pelos altos e baixos de quem escolhemos estar perto de nós. Comportamos-nos e fingimos deixar de enxergar aquilo que está em nossa volta, e assim convivemos, aceitando a hostilidade e o absurdo. Fazendo de conta...

Não sei se quem ama é feliz, ou se nos sujeitamos à morbidez, na esperança de alavancarmos nossas vidas vãs. Eu mesmo já pensei nisso, já vivi isso, já morri nisso. Carrego comigo as marcas, da violência e das agressões que cometi comigo mesmo, e que ainda expandem o meu lado ruim, em um contraponto feroz à minha natureza sã. Não suporto a segmentação ou a segregação, mas percebo claramente o quanto as pessoas são diferentes. Basta olhar os seus olhares, os seus sorrisos, as suas expressões, e podemos enxergar a alegria, a tristeza, o descontentamento, os planos, as vitórias e as derrotas. Enxergar as mentiras e as verdades. Capitãs dos destinos, assim são as pessoas.

É um suplicio mortal, e como é fácil morrer! Não me refiro à morte física, mas sim à morte da alma. Ficar vagando sem destino pelas próprias entranhas e desaguar em um pântano de infelicidades. Respirar a poluição da pequenez e lambuzar-se com o ócio podre da pobreza de espírito. Ainda acredito na luz, e por isso sigo adiante, resiliente, apesar das amarguras. Sobre ela, foi um sopro de Deus! ...uma brisa de luz que encantou minh’alma e que se dissipou, como tudo que é excesso, e que nos afoga intensamente.

Um lamento...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Fechado para balanço!

Mais, ou menos amor?
Mais, ou menos ressentimentos?

Mais, ou menos rancores?
Mais, ou menos amores?

Mais, ou menos companheirismo?
Mais, ou menos amizades?

Mais, ou menos carinhos?
Mais, ou menos verdades?

Mais, ou menos respeito?
Mais, ou menos solidariedade?

Mais, ou menos abraços?
Mais ou menos igualdade?

Mais, ou menos tolerância?
Mais, ou menos paz
?
Mais, ou menos conflitos?
Mais, ou menos mortes?

Mais, ou menos trabalho?
Mais, ou menos cores?
Mais, ou menos festas?
Mais, ou menos flores?

Mais, ou menos viagens?
Mais para dentro, ou mais para fora...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Na clausura...

Na clausura da vida, engavetamos sonhos e desejos, e torturamos a própria alma. Ao nos restringirmos, limitamos os nossos próprios passos, acorrentamo-nos às medíocres conveniências e deixamos de ousar, de pulsar... Recolhidos, acolhemos amarguras e frustrações, contrariamos a dádiva da própria vida e nos ajudamos a morrer, a cada dia.

Assim a vida passa, enquanto fazemos planos para o futuro e nos lamentamos pelo passado, enquanto procuramos respostas sem ao menos sabermos as perguntas, enquanto desejamos aos outros, tudo aquilo que não nos serve mais. Ressonantes, multiplicamos indecisões, replicamos um universo na doença, e continuamos catalisando a morte, a cada dia.

No limiar das emoções um sentimento vazio, pela morte anunciada, pelos castelos de areia construídos nas lâminas frias de uma navalha. Um coração senil em plena jovialidade, no claustro das nossas razões. Um peito cansado, escancarado na mácula infame da hipocrisia vã. Um corpo nu, envenenado por si só e infestado pelas impurezas do descrédito.

Oxalá, que nos libertemos...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Trocadilho!

no gesto
o encanto
no encanto
a euforia
na euforia
o riso
no riso
a paz
na paz
a vida
na vida
a luz
na luz
o gesto

no gesto
a luz
na luz
a vida
na vida
a paz
na paz
o riso
no riso
a euforia
na euforia
o encanto
no encanto
o gesto

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Um brinde às pessoas e aos acontecimentos!

Existem algumas épocas do ano em que nos mostramos muito mais sensíveis. Não simplesmente carentes, mas atentos aos valores e à importância do ser, em detrimento a uma série de outras escolhas. Fazemos uma reflexão profunda das nossas realizações e das nossas relações, colocamos tudo isso em uma sensível balança e nos confrontamos. Imaginamos o que queremos para o nosso futuro, e começamos a desenhar, ou redesenhar o nosso destino.

Não obstante aos encontros planejados para esta época natalina, onde abraçamos afetivamente nossos familiares, calorosamente nossos amigos e solidariamente pessoas necessitadas, que muitas vezes não conhecemos, o que buscamos no fundo e transbordamos, é um reencontro com nós mesmos. Não o simples arrependimento por decisões equivocadas, ou o ressentimento pelas perdas, tampouco o êxtase pelos sucessos, mas sim claridade. Uma luz espiritual e um sopro na alma.

Arrebatamos aquela sensação presente de que o bem nos abraça, e de que ao nos permitirmos, mergulhamos em um universo harmonioso e caloroso, iluminado pela chama que ascende em cada um a imensidão do amor, indivisível amor. Brindamos assim à complexidade e à fragilidade de cada um de nós. Elevamos-nos, ousamos a experimentar novos encantos, que nos suspendem, nos irradiam e nos remetem ao âmago da razão das nossas próprias existências.

Enlevo-me quando meu peito está brando, preenchido de afeto, e assim entendo que cuido e sou cuidado, cultivo e sou cultivado. À minha volta os laços inabaláveis dos elos rígidos da cumplicidade. A fé, no próximo e no próspero, e a angústia vã que se dissipa, no radiante manto da simplicidade de amar e ser amado.

Aos amigos e amigas, o meu agradecimento pela solidez das nossas convivências e das nossas conivências. O meu pedido de perdão pelas minhas inconstâncias, pela minha intensidade e urgências. Um afago nos corações, um apertado abraço e um grande suspiro, tal qual um brinde pelos nossos acontecimentos e pelas nossas verdades.

Namastê!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Letra

Outro Lugar
Composição: Elder Costa
Interpretação: Milton Nascimento

Você sabe que as canções são todas feitas pra você
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor
Não vê que ta errado, ta errado me querer quando convém
E se eu não to enganado acho que você me ama também

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contém
O céu já está estrelado e cansado de zelar pelo meu bem
Vem logo que esse trem já ta na hora, ta na hora de partir
E eu já to molhado, to molhado de esperar você aqui

Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija-flor,
De flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a história passa e pode me levar

E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum
Enquanto não voltar
Não quero que isso aqui dentro de mim
Vá embora e tome outro lugar
Talvez a vida mude e nossa estrada possa se cruzar
Amor, meu grande amor, estou sentindo
Que está chegando a hora de dormir

http://www.youtube.com/watch?v=vA9pLgSSU2w

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tenho mesmo que ir...?

Sempre adorei fazer academia, malhar...,tanto que já devo ter iniciado umas 50 vezes no decorrer dos meus quarenta e poucos anos. É motivador, na medida em que a gente se sente melhor fisicamente para desempenhar outras atividades, como encarar doze horas em uma rave, ou agüentar uma noitada de charutos e uísque com amigos e ainda terminar em um motel, com uma garota que a gente não lembra bem quem é. Outro ponto, nem tão bom assim, mas necessário para a saúde financeira e das relações no lar, é que nos afasta um pouco dos botecos, permite que conheçamos outras pessoas e sejamos mais sociáveis, além de entendermos que sempre tem gente muito pior do que nós, o que também é estimulante...

Voltar à academia é uma saga, que enfrento novamente desde os últimos dias. Ao começar pela escolha de um local, o qual não pode ser tão longe de casa, para não desanimar, e nem tão perto, para que não nos sintamos na obrigação de ir todos os dias, já que estamos pagando. O importante é começar. Passar pela avaliação, que ao contrário do que se vê nos filmes, com belas garotas de jalecos curtinhos, normalmente, é conduzida por alguém meio de mal com a vida, que faz questão de lhe dizer verdades que você já sabia, e está disposto a minimizar, como fadiga, excesso de peso, gorduras localizadas, maus hábitos, entre outras coisinhas desagradáveis. Só que ela faz questão de reforçar tudo isso, em um tom sarcástico. Eis aí o primeiro desafio: mostrar para aquelazinha que você é capaz.

Os instrutores, professores formados ou estagiários, sempre são muito atenciosos e solícitos, mas o fato de preferirem dedicar 95% do seu tempo para aquelas gatinhas saradas, não deve nos desanimar, já que ainda iremos dispor de 5% do tempo deles para dividir com o restante de descompensados, que por algum motivo em um dia de reflexão ou revolta, resolveram retornar à academia. Irão nos ensinar os movimentos que já sabemos, nos aparelhos que já conhecemos, em repetições que já praticamos – 3 séries de 12 ou de 15. A única diferença, que também não foge da normalidade, é que sempre diremos para eles que a carga está leve, como uma forma de mostrar-lhes que não estamos tão fora de forma assim como eles imaginam. Mentira... Quanto às dores musculares, nada que um bom relaxante muscular, com um drink não resolvam...

Atletas de academia aplicados, com olhares centrados, e extrema dedicação, são os terrores dos instrutores, pois os chamam a todo o momento. A necessidade de atenção, de interagir com outras pessoas talvez seja a motivação deles. Meninas de corpos esculturais, com malhas apertadas, normalmente escolhem aparelhos e exercícios que as exponham mais, tal como alongamentos provocantes em locais inesperados, o que às vezes também é estimulante, quando não é vulgar. Garotos musculosos, com regatas cavadas, fazem questão de exibirem-se e trocam de aparelhos a todo instante, como dominadores do local. Há ainda a turma dos quarenta, correndo atrás da jovialidade, para se perpetuarem nas noites curitibanas, como lobos e lobas.

Para mim, as horas de academia são interessantes. Não direi maravilhosas, pois existem coisas mais atrativas para se fazer, ao menos para o meu gosto. Encaro firme a missão, que estabeleci para mim mesmo e vou levar adiante essa idéia, até ficar satisfeito. Tenho minhas metas, assim como todos que lá estão, e não possuo nenhuma clarividência, mas ao olhar para as pessoas consigo identificar facilmente os objetivos de cada um, ao se exporem ao sacrifício de “suarem a camisa” em uma sala abafada, com uma música de má qualidade em alto som.

Com relação à saúde, ainda acredito que atividades nos parques, viagens, sexo intenso e esportes sejam mais saudáveis, apesar de não estar praticando muito de nada... Mas em épocas de praticidade, vamos ver em que dá..... Tô lá!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Licitudes!

Sempre soube que nem toda licitude faz bem a si, ou aos outros, mas assim mesmo decidiu levar adiante um dogma, e tornou tudo factível. Diante dos nós que decidiu desatar, ao querer se libertar, aceitou, soprou o pólen da vida para longe e entregou-se. Vida que já não o contentava, que não mais o pertencia.

Desde que ela sumiu da sua vida, uma semente foi plantada em seu peito, e ele decidiu morrer. Prometeu para si, que não deixaria o tempo dominar o seu destino. Prometeu transigir, tanto o quanto necessário, para suprir de negro o vazio da sua alma. Prometeu não causar dor maior, chorar, ou se lamentar. Prometeu morrer; desapercebidamente morrer.

Ao delimitar seus passos, construiu um plano perfeito. Elevou-se, e transferiu para o seu personagem a alegria que costumava dividir. Continuou a contar histórias e escondeu as verdades. Sepultou-se. Enterrou os próprios sonhos, deixando que as coisas simplesmente acontecessem. Multiplicou em si uma dor tamanha, só sua..., e por mais que quisesse ou tentasse comparti-la, era somente sua.

Desde então, tem vagado por aí, procurando um grande encontro, que certamente virá, mas tarda. Envenena-se e potencializa o louco de si, extrai o essencial do próprio néctar, e o dissipa. Conta o seu tempo de horas mortas e despede-se, a cada olhar, a cada sorriso e a cada beijo. Abstêm-se das próprias raízes, e seca seu caule, desfazendo-se das folhas, das flores e dos frutos. Tudo na mais plena e pura licitude.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Vou ao Paço...

Enquanto estamos atribulados com as nossas rotinas do dia a dia, o tempo vai passando. As exigências que nos são impostas, ou que impusemos a nós mesmos, fazem com que tenhamos que nos empenhar muito em tudo que fazemos, ou quase tudo, para que possamos nos mostrar e nos sentir melhores, de forma que os nossos resultados sejam satisfatórios e nos sintamos felizes, ou no mínimo aliviados.

Acordar cedo, trabalhar muito, dialogar com pessoas, resolver problemas, correr para academia, aula de idioma, responder e-mails, dar atenção à família..., ufa! Nossos dias andam mesmo corridos... E o pior é que o final de semana sempre demora a chegar, e normalmente passa muito rápido, sendo às vezes insuficiente para também nos dedicarmos às outras coisas: leituras atrasadas, visitas aos familiares, mais atenção à pessoa amada, passear..., enfim, estamos sempre em débito com nós mesmos.

Alguns especialistas têm orientado tecnicamente, espiritualmente, ou mesmo estimulado reflexões sobre a nossa rotina de vida e sobre o que buscamos. Um exercício dolorido de desapego, do repensar as nossas próprias histórias. Olhar o outro e criticá-lo, é tão fácil..., mas olharmos para o nosso interior e reflexionarmos sobre a nossa vida, nossos anseios e o nosso próprio destino...

Existem pessoas que ousam, e talvez sejam mais decididas e corajosas. Todos conhecem gente que, de uma hora para outra, mudou seus hábitos, abandonou suas profissões e até escolheram vidas alternativas, esquecendo as vaidades e dando maior valor às coisas mais essenciais, mais ao “ser”, e não tanto ao “ter”. Vivem felizes com suas escolhas, imagino, ou retornam às suas vidas vazias após um tempo de não adaptação. Eu conheço várias...

Não consigo ir à ilha da fantasia, mas sempre que possível vou ao Paço da Liberdade, após dias estressantes de trabalho, e desgastado das minhas reflexões e confusões afetivas. Lá, um local acolhedor, um café gostoso, e um silêncio só meu, que me permite repensar algumas decisões equivocadas e reforçar outras assertivas, sempre embalado por um som encantador, como o de ontem, quando fui agraciado com um repertório de Hermeto Pascoal, Pixinguinha entre outros, interpretados por um quarteto profissional, maravilhoso. Um oásis...

Eu recomendo...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Deixo rolar?

No universo das relações, um tema tem incomodado muita gente, e tem sido motivo de análises, diálogos e posicionamentos diversos, envolvendo a mídia, profissionais especialistas, gurus, ilusionistas e até videntes: quando uma relação evolui, do simples ficar, e torna-se "séria".

Não há dúvida de que a sociedade evoluiu, e muito, quando o assunto é a “vida a dois”, e diversos tabus envolvendo relacionamentos, foram quebrados. A revolução sexual, a independência e equiparação das mulheres, o volume de informações disponíveis, além de uma necessidade de auto-afirmação, motivado pelas doenças sociais, são alguns catalisadores deste processo que vivenciamos, o qual confronta a solidão e a independência, com a decisão por uma vida ao lado de alguém.

Por natureza, o ser humano necessita de um parceiro, e busca no outro, um complemento às suas necessidades, sejam elas afetivas, profissionais, ou mesmo para coisas simples da convivência no dia-dia. Não me refiro a uma dependência, mas sim ao bem estar e ao querer, pois ao encontrar no outro, interesses comuns e afinidades, desejos e sonhos convergentes, tornam-se grandes as possibilidades de a relação estar selada.

Acontece, porém, que as pessoas têm se colocado espontaneamente em um jogo perigoso, do ficar por ficar, do satisfazer simplesmente os seus desejos egoísticos, do usar o outro. Noites casuais, seduções e provocações vazias e um desejo incontrolável de se mostrar capaz, para depois dividir com as amigas ou amigos, as conquistas e os louros, sob suspiros e ovação da platéia medíocre. No vazio das emoções, o arrependimento e a culpa e a frustração pela incapacidade de se relacionar, além da infelicidade pela incapacidade de amar.

“Sou tão maravilhosa, que não param de me ligar ou mandar mensagens”, frase que ouvi de uma pessoa próxima e infeliz, no seu narcisismo motejo; “Sempre vou morar em um local apertado, para que ela entenda que não cabe mais uma pessoa na minha vida”, outro depoimento infausto, como se o mais importante fosse o espaço físico e não o do coração. “Quero a minha independência para poder aproveitar a vida”, como se para aproveitar a vida, o importante é estar só...

Incongruências, obtusidades, impropriedades. Neste cenário, dois predicados, sem nenhum preconceito, cabem às pessoas, e sintetizam esses comportamentos e atitudes – imaturidade e promiscuidade. Podem estar isolados ou combinados, serem supérfluos ou intensos. Podem ser atemporais ou momentâneos. Podem ser frutos da escolha pessoal, ou da imposição. Podem ainda, ser controlados ou libertos. Podem influenciar, e orientar o destino. Em um sentido amplo, ser a vida ou a morte.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Que amor é esse!


ao fechar os olhos
descerrou os sentimentos
experimentou uma intensa dor
deflagrou em mágoas

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sobre Curitiba...

Amici, meu grande amigo lá de Foz do Iguaçu, enviou-me a “Desciclopédia das Cidades Paranaenses”, que achei divertido e genial. Assim como ele, não conheço o autor e nem a fonte, por isso não os estou citando (caso alguém conheça, informe-me), apesar de inserir no blog. Trago por hora a capital, mas para os leitores mais críticos, paranaenses, ou simpatizantes, estarei inserindo, posteriormente, outras cidades.

Boa diversão!


"Curitiba - É uma cidade-estado que fica encravada no sudeste do estado do Paraná, vive num mundo cor de rosa à parte e não costuma se misturar com as demais cidades e habitantes do Paraná. Na capital paranaense, ninguém assiste a Globo ou o SBT. Lá eles vêem o 12 ou o 4. Sua influência nas demais regiões do estado é nula. Foi desmembrada a força do estado na década de 40 pelo povo caipira do interior, a partir daí gaúchos e paulistas dividiram o estado em três, a parte gaúcha ao sul, com capital em Cascavel e paulista ao norte, com capital em Londrina e a zona Neutra (ou fresca) em Curitiba. Acha que possui 3 times de futebol que se acham grandes, porém que nunca ganham nada e por isso só tem torcida dentro dos muros da cidade-estado e suas influências não vão além do primeiro pedágio em cada saída da cidade. Se um indivíduo em qualquer outra cidade do Paraná estiver usando uma camisa desses times é considerado louco e vira rapidamente motivo de gozação. É a cidade onde os polaco-arianos costumam morar. É um povo receptivo e amistoso, isso se "receptivo" e "amistoso" tem o mesmo significado de "povinho chato" e "de nariz empinado" para você. É o lugar das mulheres mais lindas, gostosas e quentes, mas em geral cobram muito caro. A cidade que se orgulha em ser "um modelo de capital" a ser seguido. Tem ônibus coletivos que só andam lotados e possui as calçadas mais toscas e indecentes de todo o planeta, onde as pessoinhas do sexo feminino parecem deusas ao andar sobre aquele chão. Curitiba tem o melhor transporte do mundo e os curitibanos vivem se gabando: "Poxa, é muito legal andar de bi-articulado (vulgo salsicha veloz)!"

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A vida que segue...

Mais uma vez ele acordou cansado, como se tivesse ficado por toda a noite atento, à espera que estrelas cadentes lhe permitissem um pedido, ou ao menos que sinalizassem uma nova era, de paz e de tranqüilidade. Por mais que pensasse no futuro, as boas lembranças não lhe deixavam esquecer o passado, e os dias maravilhosos de paixão e agora de ressentimentos, ainda o sufocavam e o inundavam, empobrecendo a sua alma.

Aniquilado em suas emoções, deixou que o dia tomasse conta do seu destino e vagou..., na esperança de que algo de novo, lhe fizesse reascender aquele brilho intenso em seu olhar, o qual tantas vezes iluminou não só a sua vida, mas a de todos que o circundavam. Difícil livrar-se das amarras, mesmo quando muito se quer, pois existe algum significado para a relação, um intenso amor se perpetua, ao léu.

Ao notar que estava em uma segunda-feira, traçou novas metas e planos, e mergulhou no trabalho, como uma forma de entreter-se com outros assuntos, tentando esvaziar, então, o seu peito, das angústias que o afligiam. Segundas-feiras são marcos na vida das pessoas, por trazerem aquela sensação de reinício. Assim, uma nova jornada dolorida e silenciosa fora iniciada, tal qual um rito de autoflagelo, em mais uma tentativa de conter os seus sofrimentos.

Ainda que a dor fosse exterminada, com essa voraz atitude, restavam-lhe ainda as lembranças, bens pessoais e situações únicas, cuja destinação também precisaria ser deflagrada. Como esquecer o romance e os beijos acalorados, os presentes trocados e os toques no coração? Como apagar a imagem dela, seu sorriso, seus trejeitos? Como esquecer o seu cheiro? Como...?

Sem olhar para trás seguiu, fingindo que os seus dias se mantinham coloridos, que a intensidade do sol acalorava o seu destino, que as coisas estavam bem. Retirou seus papéis, manteve sua rotina e seguiu. Cumprimentou as pessoas e participou das suas atividades sociais como de costume. Encarou a semana, como nas últimas semanas. Fez de conta que tudo caminhava bem e simplesmente deu seqüência à sua vida sem brilho e sem graça...

domingo, 22 de novembro de 2009

O que divide e o que expande?

A raiva e os ressentimentos dividem, o amor expande...
O egoísmo e o desprezo dividem, o carinho expande...
A mentira e a traição dividem, a verdade expande...

Nas nossas relações, vibramos com cada avanço... Quando estamos bem, todos os atos e acontecimentos, que atendam ou superam as nossas expectativas com o relacionamento, nos elevam, e nos trazem a certeza de termos encontrado a pessoa certa, com a qual queremos compartilhar todos os momentos da nossa vida, sejam eles bons ou ruins, complicados ou banais.

Colocar mostarda em um hot dog, esparramar as roupas na cama e descabelar-se, lavar o carro, voltar à academia, arrumar a casa, dividir a última bala, deixar um recado na caixa postal, não incomodar-se com os atrasos, comer torta ou lasanha sem culpa, são exemplos de situações, que por mais simples que sejam, em sintonia, possuem um significado imenso para a relação...

Assim como, preocupar-se com o futuro, arrancar um sorriso nas horas difíceis, abrir mão de coisas e situações, dividir as preocupações, ignorar a TPM, acalmá-la com um abraço acolhedor, expor-se perante os amigos, são exemplos de situações mais complexas, que também possuem um grande significado, mas que quando se tem a certeza daquilo que se quer com a relação, tornam-se simples...

Finalizando esta postagem, nos relacionamentos, o que divide ou expande são as escolhas, que podem nos remeter ao amor ou à raiva, à acolhida ou ao desprezo, à verdade ou à mentira. Escolher estar junto com alguém, deve ser uma decisão madura, pois sempre existirão avanços e renúncias. Felizmente, se escolhermos a pessoa certa, as alegrias sempre serão muito maiores do que as frustrações!

Boa semana, e boas escolhas!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ah essas mulheres!

“Acho que as mulheres são muito boas em fazer um monte de coisas simultaneamente. Homens não conseguem. Meu namorado não consegue falar ao telefone, responder a uma pergunta que eu fiz e se vestir ao mesmo tempo. Já eu consigo fazer tudo isso e ainda me maquiar”, diz a top. A explicação? Bebês. “Quando se tem filhos, é preciso conseguir fazer tudo junto”.

Essas afirmações são de Kate Moss, que é uma celebridade da moda. Sem dúvida, a sua percepção sobre essa diferença entre os homens e as mulheres faz todo o sentido, se não na abordagem generalista, na forma como encarar a vida com muita disposição e ser feliz, diante de uma agenda repleta de compromissos. Cumpri-los, sempre..., com satisfação!

O assunto que ora compartilho com os leitores e leitoras do blog, polemicamente, é fruto de conversas com algumas mulheres próximas, que escolheram abrir mão da maternidade por questões profissionais, por não quererem, ou por não se acharem capazes de realizar as suas diversas atividades e cuidar de filhos. Reações das mais diversas, como “filhos atrapalham a vida”, ou “não saberia cuidar de uma criança”, ou ainda “não colocaria filhos no mundo para sofrer”, são afirmações que ouvi.

Às vezes, tenho a sensação de que uma onda de insegurança e medo, de egoísmo e auto-afirmação, tem assolado parte das mulheres. Respeito profundamente àquelas, que por algum motivo de saúde, evitam, e também aquelas que não tiveram a oportunidade de encontrar alguém para dividir tamanha responsabilidade, ou ainda, aquelas que simplesmente não querem, por questões pessoais. Porém, algumas mulheres fazem questão de levantar uma bandeira de que filhos são empecilhos para a felicidade, e condenam, em meio às suas incapacidades, outras, que carinhosamente experimentaram, pretendem ou buscam essa relação de amor incondicional.

Na minha avaliação, as mulheres mais bem sucedidas, independentemente da atividade, conciliam filhos e o lar, com carreira, com ações solidárias e com a construção de um mundo melhor. Cuidam de tudo, exemplarmente, e deixam a sua marca e o seu legado. Outras, que sempre criticam a maternidade, mergulham na frustração, na resignação, no fel das suas próprias palavras e na aspereza das suas vidas sem sentido. Em algum momento das suas vidas, lhes faltarão abraços e carinhos, acolhimento e colo. Quando mais precisarem...

Finalizando, talvez, diante dos insights desta postagem, possamos concluir que algumas mulheres estão realmente se aproximando dos homens, ao deixarem esvair as suas principais fortalezas, que as diferenciam e as tornam melhores em um mundo competitivo: a sensibilidade, a devoção, a determinação e a beleza do cuidar.

domingo, 15 de novembro de 2009

A dicotomia da vida e as escolhas!

As coisas sempre nos parecem mais difíceis do que realmente são. Acordar em um domingo ensolarado de Curitiba, e refletir sobre os acontecimentos da semana anterior e ter a certeza de que tudo caminhou bem, apesar das dificuldades, é estimulante. Ao projetar a semana que se inicia, me sinto capaz, muito capaz.

Por mais obtuso que possa parecer ao olhar do outro, deixarmos a vida passar e não sermos intensos naquilo que fazemos é um desperdício. Entre o caórdico e o cartesiano existe uma métrica de cada um, que determina quando e o quanto de energia será imputado para que os nossos sonhos aconteçam, e para que dos nossos atos eclodam as nossas histórias e sejamos felizes. Assim, entendo que dádiva da vida é estarmos pulsantes.

Na noite passada, sonhei novamente com um anjo, que me estimula sempre e me dá sentido à vida! Entre as palavras de conforto, a crítica e a dicotomia das minhas ações, entre o céu e o inferno. Ao final, uma calorosa acolhida, em meio às suas inexplicáveis razões para o caos. Sempre que isso acontece me sinto vivo...

È possível ficar da janela vendo a vida passar, assim como entrar no trem. É possível sonhar o sonho dos outros e ser feliz, um pouco. É possível querer e fazer acontecer os nossos sonhos, assim como limitá-los. Tudo é possível, se quisermos. Eu não deixo a minha vida, timidamente, passar...

Namastê!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Satisfação aos amigos...

Cultivo minha violeta
E acho que nem ela acredita
Mas já que a cuido tão bem
Ela me gratifica

Presenteia-me desde então
Com flores todos os dias
E como se não bastasse
Irradia

Não sei se isso é loucura
De um cara largado e sozinho
Mas sempre que chego em casa
A vejo alegre e sorrindo

Meus amigos me invejam
As amigas incentivam
Acho-me um grande pirado
Curtindo essa alquimia

Nunca pensei que um dia
Daria tamanho valor
Em mundo louco e vão
A uma bela e simples flor

Finalizo essa prosa
Com louvor e emoção
Ao perceber que uma flor
Aquece meu coração

Para quem não me entende
E busca explicações
Digo se acalme e entenda
Cansei de tantas emoções

Agora fico quietinho
Louco para chegar em casa
Cuido bem de quem me cuida
Agrado quem muito me agrada

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Hipócritas!!

Em meio às confusões em Brasília, como as falcatruas do PAC, a crise no Senado, a farra com dinheiro público, e a vergonha em que se encontra o Estado perante o seu povo, enfim um novo escândalo, para aliviar um pouco a pressão que anda assolando a desmoralizada classe política do nosso grande pequeno Brasil: a hipocrisia e o falso moralismo.

Todos devem ter acompanhado o caso da estudante Geisy Arruda, de 20 anos, com seus trajes ousados, e que após estar no centro de uma enfadonha manifestação na UNIBAN, teve a sua expulsão deflagrada por aquela instituição, por “uma postura incompatível com o ambiente”. Na justificativa da faculdade, Geisy “sempre gostou de provocar os meninos”, como, infelizmente, disse o seu procurador jurídico.

É óbvio que um assunto como este é vergonhoso. Inicialmente, pelo fato de que em meio à modernidade e à liberdade conquistada pelas mulheres, uma classe intelectual, de forma hipócrita e desprezível, nos remete aos primórdios do absurdo, prejulgando, julgando e condenando, arbitrariamente e com extrema violência, incitando à discriminação, ao preconceito e ao desrespeito. Uma instituição de ensino deve ter como prerrogativas, além do ensino com qualidade, a cidadania plena e a preservação da democracia. Outro ponto que me chamou a atenção foi a enorme repercussão do caso, fazendo renascer lideranças arcaicas, as quais não perderam tempo em manifestarem-se conforme o vento, além de sociólogos, psicólogos, ONGs, grupos diversos e é óbvio, membros do governo, todos em busca de holofotes.

Esse episódio serve como um alerta para todos nós, para que façamos uma reflexão profunda sobre as bases e os valores da nossa sociedade, sobre o nosso futuro e o que queremos construir. Um exame sobre, para quem, e sob que condições estamos entregando a educação dos nossos jovens. O que ensinar e aprender... Triste cenário, ora dominado por lobos em peles de cordeiros, que esquecem que o ser humano deve prevalecer perante os outros interesses.

Oxalá, saiamos dessa!

domingo, 8 de novembro de 2009

A Letra

Pra te Lembrar
(Nei Lisboa)

Que é que eu vou fazer pra te esquecer
Sempre que já nem me lembro, lembras de mim
Cada sonho teu me abraça ao acordar
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar

Que é que eu vou fazer pra te deixar
Sempre que eu apresso o passo, passas por mim
E um silêncio teu me pede pra voltar
Ao te ver seguindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar

Que é que eu vou fazer pra te lembrar
Como tantos que eu conheço, e esqueço de amar
Em que espelho teu sou eu que vou estar
A te ver sorrindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Na vã escuridão...

Tal qual morcegos vampiros, sugou o sangue e a energia reluzente da alma sã. Infundiu em si uma confiança vulgar, por não aceitar o nascente. Enganou a si e aos outros, enterrou as próprias possibilidades. Vagou transitória no bem e fez as suas escolhas, em viver no limiar das aparências.

Tal qual vermes incubados, eclodiu antes que fosse percebida. Dilacerou em si, o que mais tinha de valor, por malograr ao léu. Iludiu a si e aos outros, implodiu a própria reputação, com uma insensibilidade voraz. Mergulhou no seu mundo falso e re-estreou seu velho espetáculo medíocre e falido.

Tal qual lagartos, borboletas e outros insetos, escondeu-se. Incorporou em si, em camuflagem, a utopia, por não querer seguir em frente. Mentiu para si e para os outros, magoou propositadamente. Rasgou a felicidade e depositou o manto negro e sombrio da tristeza e decepção, sobre as estrelas brilhantes.

Lamentou-se em silêncio e na escuridão, pois já era tarde demais, e ninguém mais quis percebê-la...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Crônica do fim do amor!

Inexiste remédio que cure a dor da perda, pois as saudades aliadas ao amor perene inundam a alma, desencadeando um mar de sofrimentos. Tentamos nos socorrer com as boas lembranças, mas o fato de não estarmos perto de quem amamos nos traz a sensação de que estamos padecendo, partindo, com resignação pelas contrariedades da vida.

Naquela manhã, ele levantou mais triste do que o normal, por pressentir a partida daquela pessoa que ele tanto amava. Ao olhar-se no espelho, teve a certeza de que algo havia mudado, já que o brilho em seus olhos relutava em surgir. Ela se fora, e por mais que o tempo tenha se empenhado em curar as mágoas, o ressentimento e a dor o desafiavam, o deflagravam, o afligiam.

Muito tempo já se passara, e ele ainda guardava consigo as boas lembranças daquela relação. Despretensiosa relação, inexplicável paixão, rebento das similaridades, tal qual um vento brando e agradável que poderia soprar para sempre, e nunca fender-se. Um desejo incontrolável de estar perto, de construir os destinos, alçando-os à felicidade eterna.

As lágrimas foram poucas, como uma autodefesa do próprio organismo, ao poupar-se para suportar um longo período de sofrimento. As manhãs, as tardes e as noites, tornaram-se cinzas, e aquele cenário combinou com a apatia com que ele conduzia a sua vida. Deixou de se dar valor, de se cuidar, e talvez melhor fosse à morte, questionava-se insistentemente em suas reflexões.

Não mais perguntou, não mais ouviu falar, não mais lhe contaram. Desistiu, por cansar de sofrer, guardando para si uma impetuosa revolta, por não entender tal sórdido fim. Afastou-se e silenciosamente trancou as portas de seu coração, deixando inelutavelmente a vida seguir seu curso. Sem expectativas, sem grandes sonhos, sem planos, simplesmente deixou.

A vida dá um jeito na vida, ouvia dizer, e mesmo sem aprofundar-se nas reflexões, ainda acreditava que tamanha desilusão tinha um significado. Que tamanha dor, tinha uma razão outra. Que tamanha perda havia de ser reparada, pois sua trajetória não poderia ser frívola, por mais levianos que fossem os seus princípios, quando julgados ao olhar dela. Recolheu-se e sofreu calado. Guardou uma infinita tristeza, que não era sua, não era, merecidamente, sua.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Pryscila, Paixão e arte!

É impossível fazermos somente as coisas que gostamos, mas ao gostarmos daquilo que estamos fazendo certamente nos mantemos mais motivados e satisfeitos com a atividade realizada. Os resultados também tendem a ser sempre melhores, uma vez que utilizamos todo o nosso potencial e as nossas habilidades, e queremos o melhor. Isso é paixão!

Ao decidimos levar adiante uma idéia, nos certificamos de que aquilo que nos propusemos a fazer tem um grande significado para nós mesmos. Assim, nos esforçamos para que tudo ocorra bem, e apesar das dificuldades, superamos os obstáculos e vencemos, e mesmo que ao olhar dos outros, o que fazemos possa parecer irrelevante, para nós faz todo o sentido. Isso também é paixão!

Sempre acreditei que cada um traz consigo um dom, explícito ou não, que de alguma forma influencia para o bem, outras pessoas. Por isso, encanta-me conhecer e estar perto de pessoas como Pryscila e Paixão, cartunistas, que levam informações e instigam as pessoas à reflexão. Utilizam os seus dons ao captarem situações cotidianas, e transmitem com muita simplicidade, assuntos complexos.

Certamente eles gostam do que fazem, e fazem o que gostam, e quanto à competência e talento de ambos, é indiscutível. Existem coisas que não precisamos entender, ou explicar, mas fui buscar similaridades entre os dois, fora da profissão, e encontrei no significado dos seus nomes alguns termos comuns e interessantes: “em busca da paz a qualquer custo, mesmo que para isso tenha que brigar”, ou “além de paz, seu coração vive em busca de muito amor”.

Para conhecerem um pouco mais do trabalho de ambos, basta acessarem o portal RPC, ou Gazeta do Povo, para as charges de Ademir Paixão e as tirinhas de Amely, criação da Pryscila Vieira, ou ainda o site http://www.pryscila.com.br/.

Sou fã do trabalho deles!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tu és responsável...



“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...”

Antoine de Saint Exupéry

Atiramos ao léu as nossas conquistas e as nossas relações, sempre que abrimos mão do cuiidar. Deixamos as coisas seguirem e até ignoramos aquele que tanto nos quer e nos faz bem. Comportamos-nos tais quais irresponsáveis extrativistas, ao sugarmos arbitrariamente o sulco que tanto necessitamos, e que nos alimenta a alma. Deixamos..., enganamos ao outro e a nós próprios, e assim matamos aos poucos a relação e a razão da nossa própria existência.

Seguimos com nossas vidas obtusas, deixando para trás um infinito mar de decepções, que as outras pessoas carregam por nós. A mágoa incessante, alimentada pelos espinhos incrustados na vã existência, em um mar de lágrimas e sofrimentos. Os enganos, expansão das ilusões e dos sonhos despetalados. Os ressentimentos e as marcas deixadas no âmago das nossas vidas, e nas reflexões, a turbulência incessante do desgosto. Maltratamos a rosa, menosprezamos o amor e silenciamos as borboletas.

Ódio é pouco, mas não é o ódio. Raiva é pouco, mas também não é a raiva. A decepção sim, pela escolha em nos entregarmos de corpo e alma à luz, e ao nos sentirmos acolhidos, um mergulho frio na escuridão voraz do abandono. Doce ilusão, cristais despedaçados, tempestade de culpas.

Resiliência!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Que amor é esse!

ao deixar-me
cruelmente
subtraiu-me a alegria
descoloriu minha vida
implodiu meus sentimentos
envenenou minha alma

terça-feira, 27 de outubro de 2009

As amizades e o tempo!

Quando crianças nos ensinaram piamente sobre a cronologia, sobre as nossas responsabilidades e o cumprimento das nossas obrigações. Sobre como sermos cidadãos decentes e o nosso papel na sociedade. Sobre como exigirmos os nossos direitos, e cumprirmos os nossos deveres, para uma cidadania plena. Ensinaram-nos também, que a família, a escola e a religião são instituições fundamentais para a formação do nosso caráter.

Sem que nos ensinassem, aprendemos que a convivência com outras pessoas é uma tarefa difícil, na medida em que dividir, compartilhar e aceitar o outro é uma decisão de cada um, e entre as broncas dos pais, dos professores ou dos clérigos, pelo nosso egoísmo nato, nos sentimos acuados, confusos e aprendemos que sempre que os interesses forem convergentes, o caminho se torna mais ameno, fácil e divertido, se bem acompanhado.

Assim, aprendemos a confiar no outro, e de alguma forma, inicialmente, nos tornamos dependentes por pleno interesse, cujos vínculos se transformam, quando bem cuidados, em afetivos. O tempo cronológico não tem muito a ver com este tipo de transformação, a qual acontece quando os corações se encontram próximos, e respira-se o outro. Respeita-se o outro. Admira-se o outro.

Experimentei no último sábado, compartilhar minhas alegrias com amigos de mais de 35 anos de convivência, amigos de mais de 20 e 10 anos, amigos recentes, todos plenos na minha caminhada. Em cada olhar e em cada abraço, um sentimento puro de bem estar, de amor e de felicidade, simplesmente por tê-los próximos, e uma saudade imensa daqueles que por algum motivo ali não estavam.

Indelével o sentimento mútuo que permeia as pessoas que se querem bem, e que ultrapassaram as razões das conveniências. Admirável o sentimento puro que perpetua a vida das pessoas que escolheram seguir juntas, e que continuam as suas jornadas lado a lado. Louvável o sentimento das pessoas que cultivam as amizades, e que se doam ao outro, nos simples gestos, na magnificência da alma.

Finalizo esta postagem com uma carga imensa de emoção, seja pela imperdoável perda ou distanciamento de algumas pessoas com as quais deveria caminhar junto, e pelo agradecimento às amizades construídas e consolidadas ao longo da minha natividade.

Um brinde ao outro!

Namastê!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

As mulheres no futuro!

Cada um vive ao seu tempo, considerando o seu ambiente e tudo aquilo que lhe foi proporcionado para as suas escolhas. Nosso modo de vida, da infância à velhice, nós escolhemos, de acordo com os insights que recebemos e com as nossas preferências - somos os responsáveis por elas. O futuro encanta, ao mesmo tempo em que muito nos preocupa, pois queremos sempre o melhor para nós e para quem queremos bem. Ao menos a maioria das pessoas.

Essa loucura pela beleza a qualquer preço, pelo rejuvenescimento; essa luta pela juventude eterna, como um troféu que abre as portas para a sociedade é uma hipocrisia, traz uma devoção fingida. Cuidar-se, sim, óbvio, mas a obsessão pela beleza é doentia, uma deformação não só do corpo, mas também da mente.

Li na folha online, um artigo que fala sobre o futuro das mulheres, e tenho a certeza de que algumas estarão muito felizes com a notícia, por viverem o hoje. Outras nem tanto. Outras nem se importarão. O fato é que, segundo as pesquisas de Stephen Stearns, biólogo evolucionista da Universidade de Yale, “as mulheres do futuro serão levemente mais baixas e rechonchudas, terão corações saudáveis e um tempo reprodutivo mais extenso”.

Ainda, o grupo de pesquisadores atesta que: “a mulher média em 2409 será 2 cm mais baixa e 1 kg mais pesada do que ela é atualmente. Ela dará à luz ao seu primeiro filho cinco meses mais cedo e entrará na menopausa dez meses mais tarde, em relação à média atual”. Não entendi a relevância desse estudo, mas certamente há, pois do contrário não se aplicariam infindáveis recursos e nem seria conduzido em uma universidade referência.

A ciência é fascinante, instigante, intrigante, e muitas vezes curiosa. Interessa-nos sempre que o assunto tem um significado próximo, ou íntimo, com a nossa realidade. Passa ao largo quando não nos afeta, ou quando não percebemos a sua importância em nossas vidas. Ciência é vida, ditado assertivo, apesar dos contraditórios.

Para quem quiser ler a matéria completa, vai aí o link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u640507.shtml