segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O querer de cada um...

Há alguns dias atrás estava conversando com um casal de amigos, enquanto tomávamos alguns drinks lá no Jockers, que particularmente considero o melhor pub de Curitiba. Falávamos sobre pessoas, sobre relacionamentos e sobre as nossas escolhas, que nos trazem alegrias e que nos fazem sofrer.

No centro do diálogo, o querer de cada um: estar, admirar, estimular, amar, escolher, viver... O ceder, abrir mão, esforçar-se, sacrificar-se, tudo pelo querer. O mergulhar em um novo universo, construindo a dois um futuro muitas vezes incerto. O deixar levar-se, com as boas intenções e os frutos de um amor intenso. O levar, colocando purpurina nos vazios da relação. À margem, mergulhamos na imaturidade, nas atitudes descabidas, no ressentimento e na mágoa. Uma conversa estimulante, com grande carga de emoções.

O que mais me instigou em nosso bate-papo, e que ainda tem me provocado reflexões intensas, foi a afirmação de que “às vezes empoderamos demais o outro, e pagamos um preço alto por isso”. Gostei muito, pois realmente os excessos que cometemos em favor da outra pessoa, nos tornam mais dependentes dela, seja pela admiração, paixão ou amor. Não acreditamos que as relações possam chegar ao fim e ficamos reféns de uma incerteza, e vítimas das nossas próprias escolhas. Adorei...

É bom falar sobre relacionamentos, ainda mais quando buscamos incessantemente a felicidade, e felicidade tem tudo a ver com estar com a pessoa que você ama. A pessoa com quem você escolheu estar. Algumas pessoas dizem serem felizes sozinhas, mas isso não passa de desculpas, para justificar a incapacidade de viver o outro e com o outro. Escondem-se, enganam, vivem e morrem amarguradas, nos seus pseudos mundos perfeitos e cruéis... Desacreditam e praguejam, invejam. Nas suas frustrações, sonham com dias melhores, os quais virão somente com as suas próprias transformações.

Acho que é isso, e agradeço aos amigos pela vivência...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vamos embora que esperar não é saber...

A maioria das pessoas já ouviu, ou conheceu o seguinte desabafo: “Pra vocês que continuam pensando que me apóiam vaiando... A vida não se resume em festivais...”. No ano de 1968, no 3º Festival Internacional da Canção, promovido pela Rede Globo, diante de um Maracanãzinho lotado – falava-se em mais de 30 mil pessoas, a música “Pra não dizer que não falei das flores” ou “Caminhando”, como também era denominada, de Geraldo Vandré, foi derrotada por “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque. A multidão, enfurecida, demonstrando insatisfação com a escolha do júri, passou a vaiar incessantemente a decisão, e somente transformaram o manifesto em palmas acaloradas e gritos histéricos, após essa intervenção de Geraldo.

Geraldo Pedrosa de Araujo Dias nasceu em 12 de setembro de 1935, na cidade de João Pessoa/PB. Seu nome artístico teve origem na fragmentação do nome de seu pai, José Vandregísilo. Sua mãe chamava-se Maria Eugênia. Formou-se em direto em 1961 e militou junto aos movimentos estudantis contra a ditadura militar. Em 1969, após ter suas músicas censuradas e a cabeça colocada à prêmio, escondeu-se por um período em uma fazenda da esposa de Guimarães Rosa, então falecido, e exilou-se no Chile e depois na França, retornando ao Brasil em 1973. Após o retorno do exílio, nunca mais pisou em palcos brasileiros e cumpriu a promessa que fizera durante o exílio. Na profunda depressão encontra-se explicações para sua decisão, apesar de continuar compondo mergulhado na genialidade e na beleza infinita da sua poesia. Músicas como “Disparada”, “Samba em Prelúdio”, “Quem Quiser Encontrar Amor”, “Canção Nordestina”, entre tantas outras, levam a sua autoria.

Decidi trazer estes esclarecimentos, por ter visto fotos do Vandré (a primeira é de 1968, nos festivais, e a outra de 2005, aos 70 anos de idade) no blog do Zé Beto (Jornale), as quais inseri nesta postagem, o que estimulou em mim boas lembranças da época em que eu tocava nos bares da cidade de Curitiba, e mantinha Geraldo Vandré em meu repertório.

No link http://letras.terra.com.br/geraldo-vandre/46168/, você encontra a letra maravilhosa de “Pra não dizer que não falei das flores”.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Mesóclises!

nunca colocarei pronomes átonos
entre o radical e a desinência
seja em que tempo for
para puni-la ou perdoá-la

não julgá-la-ei
pois condená-la-ia

não perdoá-la-ei
pois consenti-la-ia

melhor esquecê-la
pois jamais conseguiria remediar
minha dor e o meu sofrimento
nas simples mesóclises

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Esse meu coração!


Meu coração não se acalma
Nem mesmo quando eu consinto
Faz de conta que é autônomo
Impõe-me um labirinto



Meu coração esquisito
Faz sempre que não dá conta
De tudo aquilo que sinto
Quando eu insisto me afronta

Meu coração traiçoeiro
Dissimula meus argumentos
Toda vez se faz de tonto
Destroça meus sentimentos

Meu coração desordeiro
Bagunçou a minha vida
Faz-se coitado, indolente
Sangrando minha ferida

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Encerrando Ciclos!

Impressiona-me o fato de estarmos sempre nos prendendo ao passado, querendo que as boas experiências vividas retornem, talvez com uma nova roupagem, mas que tenham igual significado e nos reproduzam aquelas boas emoções. Assim, não nos libertamos... Vivemos presos àquele amor antigo e intenso e queremos que os novos amores sejam iguais, ou com pequenas modificações, para melhor, claro! Estabelecemos um referencial com a empresa ou o trabalho passado, e ficamos em uma zona de conforto, torcendo para que tudo se mantenha no mesmo formato, para que não tenhamos que nos expor. Mantemos nossa casa idêntica, há tempos, pois gostamos de como está e assim sabemos o local das coisas, e não temos que nos preocupar em exercitarmos nossa criatividade, e em inovar. Vamos vivendo, deixando a vida passar...

Esse ser humano expansível, genial, magnífico, estabeleceu para si próprio os seus limites, escolheu o tamanho da sua caixinha e lá permanece..., escondeu-se. Ao longo do tempo deixou de acreditar nas suas potencialidades e parou. Sempre acha que já fez demais e que carrega consigo um ativo imenso. Trata o tempo quase como seu inimigo, como um limitador das suas novas possibilidades, ações e experiências.

Fernando Pessoa retrata bem este tema, em seu texto “Fechando Ciclos” (http://www.pensador.info/p/fernando_pessoa_encerrando_ciclos/1/), e evidencia que encerrar etapas em nossa vida nos abre para novas oportunidades, para seguirmos adiante, com maestria. Acho o texto genial, e caso estejamos dispostos a refletir sobre aqueles pontos que nos fazem sentido...

Ao finalizar, reafirmo que cada um é dono do seu destino, e que as etapas que passamos em nossas vidas, as experiências profissionais, as amizades e os amores conquistados, correspondidos ou não, os vínculos afetivos, os ganhos e as perdas, nos elevam a construir uma relação significativa nossa, com nós mesmos, e com os outros. Que as escolhas que fazemos, se desapegamos, trazemos conosco ou não, esse emaranhado de sentimentos, fruto das nossas vivências, serão determinantes para induzir a nossa felicidade, por toda a nossa vida.

Namastê!

domingo, 4 de outubro de 2009

Que amor é esse!

alcei-a dona do meu coração
e entreguei-lhe os segredos da minha felicidade
ela trancafiou os meus sentimentos e me anulou
inconseqüente e cruel

fechou a porta e jogou as chaves fora

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A morte é a vida!

Um breve olhar para o retrato em sua mesa de cabeceira, e o resgate de uma vida repleta de momentos felizes. Desde que ela se fora, os dias não eram iguais, e a intensa saudade, mística melancolia, nunca mais desabitou aquele imenso coração. A morte traz um significado profundo para a vida das pessoas, um questionamento íntimo sobre as escolhas passadas, sobre as realizações, as alegrias e frustrações. Traz um impulso para o futuro, que se projeta e se deseja para si. Retroalimenta e faz renascer.

Teve que aceitar a perda, e conviver consigo, pois apesar dos nebulosos dias, do incessante sofrimento, ainda tinha muito a fazer, não somente para si mesmo, mas também pelos outros. Outros, que ainda esperavam dele algum tipo de reação, que retomasse o sentido dos seus sonhos e o rumo das suas inquietudes, que retornasse ao seu próprio eixo e voltasse a inspirar tantas pessoas a expandirem as suas emoções. Um egoísmo se faz necessário diante da morte. Pensar em si e esquecer por um momento os outros. Fortalecer-se, mesmo que os outros se enfraqueçam pela sua ausência. Resgatar-se, mesmo que após, tenha que tecer a colcha da vida com retalhos. Inundar-se de sentimentos, para depois acontecer, diante das escolhas.

Por mais que a ferida ainda sangrasse, e a dor intensa o sufocasse, lhe remetendo ao mais hostil desagravo, decidiu seguir em frente. Enxugou as lágrimas e desapegou-se gradativamente das lembranças. Esforçou-se em apagar os sonhos, que insistiam em não deixar esquecê-la. Tentou confortar-se e recolheu-se. Inspirou-se nas suas próprias capacidades e nas letras reencontrou-se para a vida. Seguiu em frente. Não existe desamor sem dor, e a dor do desamor, assim como o próprio amor, caminha no fio da navalha, no limiar das emoções. Sangrar é a conseqüência de doar-se, de ser intenso. E isso, mesmo que inconseqüentemente, ele sempre foi.

A morte é a cessação da vida, mas também a ausência, uma dor violenta, a imobilidade ou a ruína. Uma privação intensa, uma perda, de alguém, de algo, ou de si mesmo. Em sua antítese, uma transição e um desabrochar. Um reencontro com a própria vida.

terça-feira, 29 de setembro de 2009


"... a morte é anterior a si mesma. Ela começa muito antes, é toda uma luminosa e paciente elaboração."

Nelson Rodrigues

Deslizes!

Deslizes são desencontros de expectativas, os quais frustram um desejo explícito de se vivenciar algo. Tal qual uma flor, que ao deitar ao solo antes da hora nos entristece, e nos remete à reflexão do cartesiano mundo que atribuímos a nós mesmos e cujas inflexões de ordem nos espantam. Deslizes são alertas para a vida, que pode seguir outros rumos, muitas vezes distantes do nosso domínio e dos nossos sonhos. Podem ser oportunidades, renascimento e glória.

Tentamos explicar os erros exaustivamente, como se não fosse possível errar. O mundo nos ensina a sermos duros. Aprendemos muito com os outros sobre os modelos de sucesso, mas pouco sobre os fracassos. Somos cobrados e rotulados como bons ou ruins, bem ou mal sucedidos. Supervalorizamos os desacertos e elevamos às frustrações tudo aquilo que não conseguimos realizar, mesmo as pequenas coisas. Assim, somos regidos pelo medo e pouco ousamos. Sepultamos emoções e cobramos auto-estima. Sentimos-nos impotentes e vazios e cimentamos nossos passos, diante das vicissitudes.

É preciso mudar..., e abrir a janela da alma exige coragem. Deixar entrar os bons ventos que nos impulsionam aos mais amplos desejos. Provar os saltos longínquos de uma vida caórdica. Não impor desinências aos sonhos. Acumular histórias e pintar a vida com um colorido tão intenso, que o cinza e o negro da melancolia não se atrevam a revelarem-se. Ousar, ousar e ousar...

Um olhar profundo para tudo aquilo que nos é essencial. Sorrir. Expandir as nossas virtudes e compartilhar os momentos com todos, por mais que estejamos enclausurados em nossos micro-mundos. Sermos protagonistas dos nossos destinos e influir, entusiasmar aquelas pessoas que ainda não perceberam o quanto somos capazes. Viver muito, viver e viver...

E quanto aos deslizes, são meros escorregões, descuidos, enganos, pequenos tombos. Assim aprende-se a caminhar, caindo.

Namastê!

domingo, 27 de setembro de 2009

A gente se acostuma!

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de Volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. E se com a pessoa que a gente ama, a noite ou no fim de semana, não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.
Clarice Lispector

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Que amor é esse!

mesmo que eu não tenha
teu sorriso como alimento
viverei feliz
e o meu amor será eterno

e quando a saudade do inverno chegar
e eu em outra não encontrar abrigo
serei forte e não vou chorar
pois amar-te é meu maior incentivo



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sucesso?

Alguns dias atrás eu vi, adesivado no vidro traseiro de um carro, a seguinte reflexão: “Nenhum sucesso compensa o fracasso do lar”. Uma afirmação forte e verdadeira, a meu ver, que me fez refletir mais aprofundadamente sobre as relações entre homens e mulheres, do ponto de vista das expectativas, desejos e sonhos.

É sabido que, no Brasil, os divórcios aumentaram em 200%, segundo as últimas pesquisas realizadas pelo IBGE, e um em cada quatro casamentos fracassa. Também, que diversos fatores são elencados como possíveis causas de um rompimento, desde questões financeiras (principal causa) até a ideologia da liberação de homens e mulheres.

Tenho ouvido muito, frases do tipo: “ninguém é de ninguém”, “minha liberdade não tem preço”, “quero aproveitar a minha vida”, e me assusta a tranqüilidade com que as pessoas se posicionam assim, demonstrando uma imaturidade tão grande, que jamais poderia sustentar qualquer tipo de relação. Ao mesmo tempo, vejo homens e mulheres solitários, frustrados e muitas vezes desesperados, descrentes do afeto e do amor. São pessoas que passam pela vida, carregam e distribuem amarguras. Às vezes, fingem e enganam os outros, mas matam aos poucos aquilo que de mais importante lhes foi dado: a vida!

Não é necessário perguntar, basta olhar nos olhos de uma pessoa solitária e que se diz feliz assim, para entender que certamente ela oculta e guarda consigo, no fundo do coração uma mágoa e uma desilusão cruel, que lhe consome e lhe remete aos piores sentimentos e crenças. Ao distorcer a sua própria realidade, transfere, e racionaliza, para as plantas, animais ou para o trabalho o seu amor fraterno e incondicional. Faz um esforço para esquecer que estamos aqui para vivermos relações a dois.

Ao refletir sobre os casais, e o fracasso deles, não posso me furtar de abordar a dor e o sofrimento de um desamor. Por mais que se busquem justificativas, o sentimento de perda impele para momentos de resignação, difíceis de dissimular. Ainda mais se o rompimento for unilateral, e se o outro ainda guarda consigo expectativas, sonhos e um amor profundo, que tão cedo não irá se dissipar.

Por natureza temos o dom de ser feliz, cada qual ao seu modo, mas brindar o sucesso diante de um fracasso amoroso é no mínimo lamentável, para não se dizer vexatório e patético.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Primavera!

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

No limiar das emoções...

O tempo sempre foi o responsável por curar feridas profundas, abertas em função dos relacionamentos frustrados, dos desejos traídos, da dor e da perda de um grande amor. Todos sabiam que isso iria acontecer, inclusive ele. Preferiu ignorar os fatos e fechou os olhos. Deixou que a vida seguisse, lhe levasse, alimentando um sonho arriscado, volátil, no emaranhado das inúmeras relações vazias que permissivamente lhe habitavam.

Julgou, que mais uma vez, mais uma, o amor lhe sorria, e foi dominado pela paixão! Como se lê em qualquer livro de poesias, paixão não impõe limites, surge, invade e rasga o peito. Impulsiona, impele ao coração uma música única, uma nota solitária e intermitente, um grito impetuoso, um mar revolto, que deflagra não só os desejos mais íntimos, mas cega a alma e desfaz a realidade.

Assim, partiu para conquista, fortalecido pela vontade sua de ter, de possuir, de entregar-se, por querer muito. Sem limites, inundado por um desejo absurdo, por uma paixão incontrolável, atirou-se de peito aberto, já que mal algum seria maior do que a ausência dela. A paixão, como o sentimento mais egoísta do ser humano, ignora o outro, pois no ímpeto, a si próprio basta para se obter felicidade. Já o amor, consolida, transforma os picos de euforia e deslumbramentos em satisfação e serenidade, os desprazeres em aprendizados e novas oportunidades. Dá sentido à vida!

Quando se quer muito, e algo se torna muito importante na vida das pessoas, conquista-se! Assim aconteceu com ele..., trouxe para o seu lado, o seu bem mais precioso, fruto dos seus incontáveis sonhos, dos seus incontroláveis desejos. Acolheu-a em seu peito e deleitou-se. Lambuzou-se, e seus olhos dilatados pela adrenalina da paixão e pelo êxtase das emoções, se acalmaram. Por alguns instantes teve a certeza de que a sua vida tomaria outro rumo, a dois, construída com cuidado para que fosse eterna, tal qual o filme que passara em sua mente infinitas vezes, desde a primeira vez que a vira.

Puro engano! A frágil construção ruiu, tal qual castelos de areia, ou cartas de baralho em brincadeiras infantis. A inseguraça e o medo emergiram de forma irascível, e dominaram a relação. Ela nunca estivera com ele. Matou-se a paixão e o carinho, suprimiu-se os desejos. A dúvida, dissipou a confiança, e o amor morreu. Da admiração, nada! ...nem mesmo uma amizade, pois a brutalidade do rompimento corroeu a relação. Da paixão audaz, mágoas e ressentimentos.

De volta à razão, restos de uma bela história. Pequenas lembranças a serem esquecidas. Tristezas a serem diluídas nas possíveis novas experiências. Uma saudade fugaz e uma amargura, nódoa da alma marcada. Expectativas enterradas e no limiar das emoções, opostos. Novas relações vazias...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dificuldades e oportunidades...


“Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente.”

“Os Irmãos Karamazov”, de Dostoiévski, foi considerado por Freud como o melhor romance já escrito. Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, escritor russo, que morreu em 1881, é considerado pela crítica literária como um dos maiores romancistas e um dos artistas mais inovadores de todos os tempos. Também, diz-se, que o mesmo é o fundador do existencialismo, considerando o viés das suas obras, que exploram a autodestruição, o caos familiar, a humilhação e os estados patológicos que levam ao suicídio, ao homicídio e à loucura. Influenciou a grande maioria dos autores contemporâneos, como Gabriel Garcia Marques, Franz Kafka, Hermann Hesse, entre tantos outros.

Esta postagem menciona Dostoiévski, não pela sua genialidade, ou pela sua história, ou ainda, simplesmente, pela imensa contribuição para a formação intelectual, mas sim, por um acontecimento do qual participei. Longe do preconceito, ou do pré-julgamento, da luta de classes, ou mesmo da clausura ao conhecimento, imposta a uma infinidade de pessoas, ao visitar o Paço Municipal, local de cultura na região central de Curitiba, percebi que o porteiro, ou segurança, da instituição, entre os educados e simpáticos cumprimentos aos visitantes, mergulhava nas páginas de uma obra de Dostoiévski. Ao olhar para o mesmo, pude perceber um belo sorriso, e o encantamento com o acesso à obra de um expoente da literatura.

Minha reflexão atém-se à surpresa, em um primeiro momento, mas ao regozijo, após. A literatura, a cultura e o conhecimento estão mais próximos dos cidadãos comuns, e o acesso facilitado às bibliotecas, à internet e aos centros culturais tem permitido àqueles que queiram, e possuam iniciativa para tal, participarem mais amplamente dos diálogos para a construção de uma sociedade mais justa. Isso me encanta! Inclusão e cidadania são palavras que devem estar presentes no cotidiano das pessoas de bem; pessoas que fazem diferença...

Finalizando, trouxe este exemplo, justamente para ilustrar as enormes diferenças que existem em nosso país, assim como as oportunidades. Quero reforçar que, apesar das imensas dificuldades que enfrentamos no dia a dia, depende da escolha de cada um despertar e trilhar um caminho, que poderá ser rumo ao sucesso ou ao fracasso. Mesmo diante das adversidades, é possível esforçar-se e vencer!

Para reflexão!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Meras coincidências..

O desconhecido me fascina, assim como, a muitos. Percorrer caminhos obscuros, onde a mística permeia a realidade e nos projeta a planos ocultos, é no mínimo instigante. Percebo que muitas pessoas seguem piamente ancoradas nas orientações de signos, astros, números, entre outras leituras. Alguns, incrédulos, lêem também, e apesar de duvidosos, simpatizam com as mensagens positivas que os estudiosos projetam e assim, se sentem estimulados.

No plano das coincidências, simultaneidades e sincronicidades, todas as pessoas já tiveram algum tipo de experiência. Sonhar com algo..., que acontece em seguida; pensar em alguém..., e receber uma ligação despropositada; querer muito alguma coisa..., e obtê-la sem esforços, é comum, apesar de surpreendente. Não busco explicações e nem polemizar um assunto como este, apenas compartilhar.

Curitiba e Região Metropolitana agrega em torno de 3 milhões de habitantes, sendo que aproximadamente 52% são mulheres. Neste universo, 17% estão na faixa etária entre 30 e 39 anos de idade. Busquei na web conhecer algumas pessoas interessantes para ampliar os meus relacionamentos, e entre milhares de pessoas que também procuram encontrar alguém, cada qual com as suas intenções, encontrei algumas poucas, que valeram à pena e com as quais tenho conversado. Entre essas pessoas, uma muito especial, cujo perfil me pareceu encantador, apesar de muito diferente do meu.

Após algumas conversas, as constatações: a primeira é de que, para a minha alegria, realmente os nossos perfis são bem diferentes – meus amigos (as) devem me entender, pois acho que não suportaria conversar com alguém igual a mim por muito tempo... Ela é muito melhor do que eu! A segunda, é que mudei de residência há alguns meses e ela mora quase ao lado de onde eu morava anteriormente, e agora, o seu trabalho, está do outro lado da rua, da minha nova casa. Sempre fomos estranhos, mas próximos, e por muito tempo estivemos nas mesmas redondezas! A terceira, que realmente me instigou, é que ela, ao abrir as cortinas do seu apartamento e ao olhar para a casa em frente, possui a visão da foto acima, mas ela nunca havia percebido! No mínimo, sinistro...

O que significam, e como tratar as coincidências?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quando despertar?

No berço das nossas emoções repousa um gigante, que pode nos impulsionar aos mais ousados saltos, desde que consigamos acordá-lo. Decidir por nós mesmos, muitas vezes nos atormenta, uma vez que, acolhidos no comodismo, ficamos à espera que algo de melhor nos aconteça, apesar de nós. Melhor assim..., é mais fácil!

Ao deixarmos de agir, evitamos os sofrimentos, ou os postergamos, uma vez que os conflitos são minimizados, por hora, ao acreditarmos que a natureza, certamente, dará conta de encontrar o melhor caminho para a solução dos nossos problemas. Ficamos inertes, indolentes, apáticos, imóveis, limitados ao vai e vem das ondas da vida, que vai passando.

Sentimos vontade de fazer muitas coisas, mas não conseguimos dar os primeiros passos, pois não decidimos e não agimos. Assim, nos miramos nos outros, e através deles percebemos aquilo que julgamos ser as nossas limitações. Sentimos-nos frustrados, impotentes de realizarmos os nossos sonhos. Amargurados nos recolhemos, e armazenamos uma dor intensa.

Enquanto esperamos, a vida vai seguindo seu curso, e o gigante que existe em nós, permanece adormecido. Fixamos os nossos olhares para o exterior e nos queixamos, lamentamos as nossas perdas, supervalorizamos os nossos erros, nos mostramos incapazes de tomarmos as rédeas da nossa própria vida. Tem sido assim...

E esse gigante que repousa em nós, por que não o acordamos? Pelo fato de que nos descobrirmos pode ser uma experiência dolorosa. Ao não olharmos para nós mesmos, nos ocultamos, e ao nos ocultarmos seguimos nossa vida míope, sem riscos. Vamos adiante...

Cada um é dono do seu destino e pode despertar. Para isso, no momento certo, basta abrir a porta e acordar. Precisamos lembrar, que essa porta possui maçaneta, que abre somente pelo lado de dentro.

Namastê!

Que amor é esse!

obscuro sentimento é o amor
que ilumina, incandesce e eleva
lhe ofereci um jardim de rosas
você escolheu os espinhos

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Que país é este?

O Brasil realmente é um país de extremos, e por aqui podemos observar os maiores distanciamentos e desigualdades: da escassez à abundância, da pobreza absoluta à riqueza e ostentação, do analfabetismo às mais altas graduações acadêmicas, da injustiça a um dos maiores sistemas legislativos e judiciários do mundo, do fracasso ao risco do sucesso. Viver por aqui exige muita persistência e jogo de cintura, ao menos para as pessoas que escolheram participar e ajudar a construir um país com tantas diversidades.

Minhas relações pessoais e profissionais permeiam por todos os ambientes e o meu convívio com as pessoas - do rico ao pobre, do letrado ao analfabeto – me permite opinar com propriedade sobre diversos assuntos, e principalmente afirmar que, independentemente da situação de cada um, todos querem ser bem sucedidos e todos buscam a felicidade, cada qual ao seu modo.

Ainda tratamos pessoas em classes, e não obstante às ilhas da fantasia, onde poucos ostentam suas posses, muitas vezes oriundas da ilegalidade e de forma egoísta e imoral, essa mesma “classe” insiste em suprimir os valores e incentivar o fortalecimento de uma sociedade doente, pois dessa forma, garantem as suas proles, extraindo não só as riquezas, mas as energias, a sabedoria e a esperança de muitos, para usufruto unicamente dos seus.

Ando muito sensibilizado com a falta de esperanças, com o desânimo e o preconceito; indignado com o sectarismo, de qualquer natureza, enraivecido com os roubos e com o descaso. Percebo, ao olhar para as pessoas, um sofrimento intenso, e um pedido de ajuda. Não por esmolas, pois não querem que sintam pena delas, mas sim que possam ter cidadania e oportunidades para uma vida justa.

Não me calo diante deste cenário e tenho provocado diálogos e mudanças. Na minha zona de influência, replico minha forma de pensar e instigo as pessoas a refletirem também sobre os seus papéis. Assimilo os bons exemplos e as perspectivas de outros e estimulo a sinergia. Não me sento com bandidos, independente da classe social, e recrimino quaisquer ações que induzam à imoralidade. Não me intimido com ameaças e nem ameaço, prezo o diálogo sem manipulações.

Não me limito a reclamar nos botecos ou entre a família. Não me acomodo! Acredito que posso fazer muito mais, mesmo tendo realizado muitas coisas interessantes e com resultados expressivos. E você, o que tem feito?

Para reflexão, e/ou para a ação!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Toques da alma!

Ontem conversava com uma pessoa muito querida, a qual conheci há pouco tempo, mas que temos demonstrado muita sintonia. Entre os assuntos, permeou os “toques da alma”, e de que maneira somos influenciados em nossa vida, físico e emocionalmente, por nossa alma. A conversa foi ótima, apesar de inconclusiva, na medida em que cada um possui entendimentos com relação ao seu etéreo significado, de acordo com as suas experiências e vivências.

Fui buscar maiores informações na Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Alma) e a definição genérica que lá consta é a seguinte: “Alma é um termo que deriva do latim anǐma, este refere-se ao princípio que dá movimento ao que é vivo, o que é animado ou o que faz mover.” ou ainda “Os termos das línguas originais (hebraico: né·fesh; grego: psy·khé), segundo usados nas Escrituras, mostram que a “alma” é a pessoa, o animal ou a vida que a pessoa ou o animal usufrui.”. Diversos outros esclarecimentos constam no link acima, e acho que vale a pena conhecer. Aprofundando um pouco mais, busquei no dicionário algumas correlações, e a palavra “alma” está também relacionada à vida, mas também à consciência e ao espírito.

Entendi, então, e compartilho, que sempre ao utilizarmos “alma”, como estímulo ou um sentido à vida, diversas situações podem ser explicadas ou justificadas à partir dela. Quando utilizamos uma conotação espiritual, outras explicações podem ser alçadas, mas nem sempre as mesmas, para planos diferentes. Também, que aquilo que sentimos, naquele momento, cada um, cada pessoa, é o que define se estamos ancorando as nossas reflexões em um plano espiritual ou não.

Será que é preciso haver concordâncias em tudo? Penso que não..., pois cada um é único. Por momentos assim é que louvo a diversidade. Trocar experiências, vivências, respeitando o outro, suas crenças e os seus entendimentos, nos engrandece e nos eleva. É um exercício da “alma”, enriquecendo a nossa vida e o nosso espírito!

Fantástico...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Eu erro mesmo!

Quantas explicações precisamos dar..., quantas respostas? As coisas vão acontecendo e muitas vezes não conseguimos justificar os nossos atos. Cheguei tarde, não porque quis, mas porque aconteceu... Faltei com os outros, ou mesmo comigo, faltei! Disse tudo aquilo, sem pensar, disse... Quis que as coisas fossem assim, e elas são!

Tenho construído a minha vida, seguindo as minhas intuições. Nem sempre acerto, mas a importância que dou às coisas que me fazem sentido, impulsionam os meus sonhos e permitem que eles se realizem. Ao meu olhar, sereno, deixar que o som do coração invada a minha vida, potencializa as minhas realizações. Tenho sentido uma vontade louca de voar, e sei que posso...

Ontem passei a mão na minha própria consciência e tentei justificar os meus erros. Errei, mais uma vez... Não existem justificativas. Erros são erros e o que nos resta são as oportunidades de aprendermos com eles. De alguma forma tenho crescido com isso tudo..., amadurecido....

Sempre que acendo a luz da minha alma, me conformo com tudo aquilo que me acontece. Conforto-me com o aquilo que faço e tenho coragem por isso, simplesmente pela oportunidade que me é dada de fazer tudo de novo, diferente. Eu posso..., e eu faço!

domingo, 6 de setembro de 2009

Na pintura da alma!

Algumas coisas acontecem em nossas vidas ao acaso, mas ao refletirmos, muitas vezes nos parece que já estavam programadas. Um abraço, um carinho, uma palavra, uma frase; um telefonema, um encontro inusitado, um convite, uma surpresa.; um sorriso, um simples gesto, na hora certa! Bingo..., gotcha! Quando mais precisávamos, ou menos esperávamos, aquilo de melhor aconteceu...

Coincidências não são somente fatos da vida, pois acreditamos que tudo conspira a nosso favor, apesar das contrariedades. Ninguém almeja nada de mal para si, ou ao menos, não deveria. Todos queremos o melhor, e nossas reflexões canalizam boas energias para que as coisas aconteçam nos momentos certos. Por mais que alguém deseje um mal para si, em seus momentos de dificuldades, essa não é a natureza, já que o cosmos somos nós, e prolongamos a nossa existência, por nós mesmos ou por tudo aquilo que dividimos.

Partilho um pouco de dor, ou de amor, de alegria ou de esperança, ou ainda de prazer, na pintura da vida, onde dos rabiscos surgem as grandes obras, que podem ser apreciadas por muitos, mas ao olhar de tantos outros podem não representar nada. Na acepção das experiências, encontra-se tudo aquilo que queremos perceber e que nos faz sentido. Um olhar míope podemos dar às coisas que não nos tem significado, ou um olhar ampliado, às milhões de pequenas coisas que dão razão às nossas vidas, e à nossa felicidade.

Namastê!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O amor acontece!


Conheço dois tipos de paixões: aquelas arrebatadoras, que nos tiram do chão em segundos e nos remetem ao céu, ou ao inferno, e aquelas contidas, tão fortes quanto a primeira, mas que construímos com os pés no chão, passo a passo, e que nos dão a certeza de que vale à pena evoluirmos com aquela pessoa, para uma relação mais séria. Não que a louca paixão não possa frutificar, mas conhecer o par, e decidir, em meio a um turbilhão de emoções...

Tanto uma forma, como a outra, nos eleva! Traz-nos a certeza de estarmos vivos - o coração dispara e as pernas tremem, diante da possibilidade de encontrarmos um grande amor. Pessoas buscam a felicidade, querem ao seu lado pessoas que lhes façam bem, que lhes apóiem, que lhes impulsionem e que de alguma forma acrescentem algo em suas vidas. Querem alguém para sempre. Por mais que saibamos que relações para sempre são escassas, mesmo assim, é o que queremos. “Que seja infinito enquanto dure”!

As coisas do coração realmente não se explicam, simplesmente acontecem! Às vezes não queremos e somos surpreendidos; às vezes queremos tanto, sufocamos as possibilidades e nada acontece. Outras vezes, acontece somente conosco, e puxamos correntes, até que a outra pessoa perceba e entenda que as nossas demonstrações e excessos, nada mais são do que um pequeno carnaval, para sermos percebidos e aceitos, já que temos tanto amor e carinho para dar, à ela!

Para quem busca alguém, pesquisas demonstram que mais de 50% dos relacionamentos iniciam-se nos locais de trabalho, como um processo natural de descoberta e deslumbramento: a aproximação desinteressada, o conhecimento das aptidões e habilidades mútuas, a percepção dos detalhes e dos valores, a admiração, as brincadeiras despretensiosas, a malícia contida, a troca de confidências e finalmente a paixão. Outra parte, por intermédio de amigos ou mesmo coincidências e encontros às escuras, além da internet, claro. A partir daí cada qual com as suas intenções, usa o seu poder de sedução.

Para quem espera por uma paixão louca, inexplicável, permear por locais desconhecidos aumentam as possibilidades de que em uma determinada esquina, em um bar, no cinema, no curso de inglês, no supermercado, ou até mesmo na igreja, o seu coração dispare, lhe falte ar, e você seja inundado pela outra pessoa. A partir daí, também valem os seus interesses e o seu poder de sedução. É com você...

A maioria das pessoas insiste em negar, mas esperam ansiosamente por um grande amor, e para o amor, o primeiro passo é estar disposto, pois o restante, acontece!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Crônica de um Sofrimento - Ato I

Mais um dia clareou e ela novamente não se deu conta de que as horas, os minutos e os segundos passaram, deixando somente as vivências. Os próximos, trarão novas chances para se dar sentido a todas as coisas trancafiadas nas gavetas da alma. Escolheu ficar, recolher-se, assim como tem feito nos últimos meses.

Cobrir o rosto com a fina manta acrílica e esperar, fechar os olhos para a vida. Como se as soluções para todos os seus problemas fossem surgir do nada, em toques de mágicas. Simples mágicas! Ainda prefere olhar a vida da cama, esquecendo-se, que da cama, ou do quarto, ou da janela, ou da porta para dentro, o mundo é muito menor do que para fora. Que as oportunidades estão lá, assim como as chances de ser feliz.

Falta-lhe energia, falta-lhe fé, falta-lhe coragem. Falta-lhe a humildade de segurar as mãos que lhe estão estendidas. Escolheu o lamento e a dor, e usa das suas últimas forças para negar, imputando àqueles que tanto lhe querem bem, uma culpa, um desvio, um pesar. Todos choram, baixinho, e escondem as suas lágrimas, pois entre a realidade e o glamour, não cabem sofrimentos, não os verdadeiros...

Resignação à conformidade. Foi deixando a vida passar e agora não se sujeita às suas contrariedades. Sofre..., solitariamente sofre, silenciosamente sofre, absurdamente sofre! Escolheu sofrer...

Uma espera dolorida e sem fim...

Crônica de um Sofrimento - Ato II

Já trabalhei demais nessa minha vida, aceitei desafios e fiz acontecer. Minha alma dominadora sempre ditou as regras, e como tudo deveria ser feito. Pouco me importei com quem estava ao meu redor, muito menos ao meu lado, pois era um preço a se pagar, e eram os outros. Ser simpática bastou, sempre acreditei nisto, pois aprendi, assim, a não fechar as portas. A mim foi designado esse destino, que aceitei plenamente.

Tantas vezes eu quis ser diferente, mas me faltou a coragem. Optei por esconder-me atrás de uma cortina de purpurinas, como se a vida fosse feita somente de futilidades. Agarrei-me nas poucas oportunidades que me foram dadas e criei um universo meu, e de poucas pessoas, com as quais compartilho minhas superficialidades. Guardo comigo as minhas lágrimas, e os meus sofrimentos mais profundos, derramo-os em meus travesseiros.

Nunca entendi as pessoas e o porquê são tão diferentes de mim. Se ao menos fossem iguais, tudo seria perfeito. Não teria que aceitar aquilo que não me é conveniente. Preciso me manter aceita. Hoje, participo, dou muitas risadas, e mal percebem o quanto me angustia estar distante dos meus propósitos, dos meus sonhos. O quanto quero mudar...

Raiva, claro! Por que fui ser tão impulsiva? Se ao menos ficasse em silêncio e me curvasse à evasão dos meus sentimentos, preservaria alguns poucos momentos bons. Poderia contar aos outros minhas pequenas façanhas, as quais fazem com que a minha vida tenha graça, tenha vida!

Minha vida está passando e eu pouco fiz....

Crônica de um Sofrimento - Ato III

Ainda não entendo porque as pessoas fazem essas coisas, e porque isso acontece justamente com quem tanto amamos. Ao vê-la envolta em suas cobertas, com uma voz cadente, com um vazio fugaz, fico apavorado... Minha tristeza se propaga por meu corpo e minha insanidade se agrava. Ela não me deixa entrar, me sinto impotente...

Esse pensamento que não se esvai. Pela minha cabeça transitam todas as virtudes, e todos os pecados. Todas as vontades lascivas e todo o pudor. Deveria deixá-la, para que sofra muito, e para que sofra só... Se eu não souber de mais nada, talvez a minha alma acalme os meus sentimentos nocivos. Não consigo!

Queria poder tocá-la, alçá-la aos mais nobres sonhos e trilhar caminhos menos tortuosos, para que pudéssemos então, encontrar o que tanto procuramos, e sermos felizes, imensamente felizes! Não posso, pois ela não nos deixa nos aproximarmos. Hoje, somos tal qual vampiros, sugando a energia um do outro, trocando gotas de luz pela mórbida escuridão. Matamos aos poucos um grande amor...

Tal qual parte única, ela assim habita a minha vida, e eu a dela. Somos donos de um mesmo destino, que tanto relutamos em aceitar. Partes únicas que não se aceitam. Partes únicas que não se enxergam. Partes únicas que não se entregam. Partes que sofrem...

Nem que nos violentássemos, poderíamos nos expulsar de nós mesmos...

sábado, 29 de agosto de 2009

Soneto do Maior Amor

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Quem já não sofreu por amor?

Uma desilusão amorosa é uma das causas dos maiores sofrimentos para as pessoas, na medida em que o rompimento, como a própria palavra diz, dilacera, despedaça, destrói. O desamor provoca a resignação, os sentimentos de raiva, indignação, frustração, desilusão e dor, além da famosa “dor de cotovelo”.

Independente do estilo, as letras de músicas reproduzem, em sua grande maioria, histórias de amor. Histórias da perda de um grande amor! Nesse universo, Lupicínio Rodrigues, compositor nascido em Porto Alegre, em 1914, destacou-se. Sua sensibilidade em retratar as traições e as mágoas ganhou notoriedade, e canções como Nervos de Aço, Vingança, Volta, Nunca, entre tantas outras, ainda hoje levam muitas pessoas às lágrimas, e ao inevitável porre!. Ele tinha três grandes paixões: a música, o bar e as mulheres.

Não se pode atribuir a ele a expressão “dor de cotovelo”, mas certamente ele era um dos grandes incentivadores. Segundo a história, o termo foi criado em referência à desilusão amorosa, onde o sofredor se recolhia aos bares e apoiava o cotovelo no balcão, lá permanecendo por várias horas, a ponto de o cotovelo doer. Para Lupicínio, existiam três tipos de dores de cotovelo: as “federais”, que exigiam uma embriaguez total para curá-las, as “estaduais”, que eram suportáveis e o tempo as curaria, e as “municipais” que não poderiam servir nem mesmo para inspirar a composição de um samba.

Lupe, como era chamado desde criança, morreu em 1974, mas as suas músicas ficaram eternizadas. Inspiram lágrimas e brindes e retratam a razão da permanência de muitas pessoas apoiadas em um balcão de bar.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Amor virtual?

Um pouco me assusta o fato do exponencial crescimento das pessoas solitárias, que buscam, virtualmente, encontrar soluções para acalmarem os seus inquietos corações. A Revista Veja tem trazido, nas últimas semanas, algumas reportagens sobre o assunto, e aos menos preparados, o tema é bastante delicado! Como entender uma pessoa que possui mais de 2.000 amigos virtuais, mas que na vida pessoal não consegue conviver com mais de 15 ou 20 pessoas? ... ou ainda, a obsessão por encontrar novos relacionamentos virtuais, sem ao menos ter a intenção de conhecê-los pessoalmente?

Deixando de lado os perigos, ou os cuidados que devem ser tomados ao se conhecer pessoas através da web, realmente não sei bem como tratar o tema: quebra de paradigmas, uma nova onda, ou insanidade. Talvez uma mescla de todos!

O ser humano sempre teve uma queda pelo desconhecido, grandes curiosidades sobre o oculto e uma excitação pelo perigo. Ao menos aquelas pessoas que estão vivas, nas quais pulsam uma energia incontrolável, ou algumas vezes latente, que quando se dissipa as eleva às alturas e dá um pleno sentido à vida!

Insatisfações e obscenidades, como a traição ou outros delitos ainda mais graves, fazem da internet um campo próspero para abusos. Conhecer alguém, brincar, trocar elogios e até relacionar-se, pode ser uma prática sadia e segura, desde que algumas regras sejam observadas. A primeira regra, é o entendimento de que nenhuma relação virtual substitui o afeto e o carinho de uma relação pessoal. O toque, o abraço, o beijo, as cócegas..., são sensações únicas, que nos fazem nos sentirmos vivos, prontos para novos riscos e para novas vivências. Outra regra fundamental é ter muito claro o que se quer com relações assim, para evitarmos as frustrações, frutos de interesses difusos. Ainda, caso realmente se esteja buscando conhecer alguém, devemos agir com maturidade, naturalidade, transpondo a relação do mundo virtual para o real, sem prejuízos emocionais, e encontrando pessoas que queiram você como você realmente é, sem fantasias.

Conheço pessoas próximas que se conheceram de forma virtual, se apaixonaram no mundo real e vivem felizes, muito felizes! Assim como outras, cujas expectativas não se confirmaram. Tenho feito boas amizades, ao conhecer pessoas na rede, e acho que pode ser uma forma de se vencer algumas barreiras, como o medo e a timidez, na busca de se fazer novos amigos, ou encontrar um grande amor.

Lembre-se, a web e as redes sociais estão presente nas nossas vidas, não podemos ignorá-las. Assim como em todo o mundo, existem pessoas mal intencionadas, porém a grande maioria, são boas pessoas, procurando se relacionar com boas pessoas. È assim na rede e é assim na vida real. Sejamos bem vindos à modernidade!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

As escolhas!

Nossas vidas estão baseadas nas nossas escolhas, que são decisões únicas, unilaterais, que nos alçam às novas experiências, e que nos impulsionam ou limitam. Sou um bom observador, e no meu círculo de amizades percebo claramente as atitudes dos amigos, como fruto de decisões ou de escolhas, com o objetivo único de seguir na rota da felicidade. Não os julgo, pois não me compete; estimulo-os, sempre que solicitado a opinar, incentivo-os, quando percebo que as dificuldades tentam restringir os seus sonhos.

As pessoas tendem a se aproximar de pessoas com as quais tenham afinidades. Penso que as relações de amizades estão baseadas na confiança. Também, que a construção de uma relação duradoura, exige muita paciência, diálogo e compreensão, para se entender e aceitar as diferenças do outro. Por fim, que a maturidade nos traz a certeza do quanto ser tolerante é bom, ainda mais ao olharmos o passado e percebermos que este valor nos permitiu trazer conosco uma infinidade de pessoas, com as quais caminhamos juntos, nos lamentando, sorrindo ou brindando.

Nem sempre as escolhas que tenho feito, têm me trazido os resultados que desejo, pois às vezes ouso demais e me atiro em universos desconhecidos. No obscuro da vida, me permito mergulhar em novas experiências, boas e ruins. Para mim, viver é isso, pulsar! Cresço com os sucessos e com os insucessos e não me arrependo, pois, se necessário, sempre existirão oportunidades para se fazer diferente. Minha vida tem sido de acertos, apesar dos erros! Porém, sou o único responsável pelas minhas decisões. Temos que confiar em nós mesmos...

Namastê!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Aconteceu...

Por força do hábito, temos entendido o pavor como uma expressão ligada a sentimentos ruins, frutos de situações desagradáveis. A primeira vez que a vi, senti um pavor. Minha respiração alterou-se, meu coração disparou, minhas pupilas dilataram e minhas pernas tremeram. Gelei. Jamais havia sentido algo assim..., um turbilhão de indecifráveis emoções. Entrei em choque...

Entendi que ali estava tudo aquilo que buscava, se é que buscava algo. Sem sequer saber seu nome, ou quem era, sem sequer dirigir-lhe uma única palavra, sem sequer reparar a sua celestial beleza, sem sequer indagar-me sobre nada, encantei-me e encontrei-me. Perdi a lógica e o raciocínio... Lembro-me como se fosse hoje, e foi a sensação mais maravilhosa que já senti em minha vida!

Encontros assim, não ocorrem ao acaso, não com essa intensidade, não com essa certeza. Inesperado encontro, somente meu, que enraizou em meu peito um caleidoscópio, que me provoca as mais absurdas reações, sempre inexplicáveis, que me fazem pulsar absurdamente. Sinto pavor até hoje. A cada momento, e a cada lembrança, minhas pernas tremem e meu coração ainda dispara. Adoro isso!

Não existem explicações para os sentimentos, simplesmente sente-se. Não existem explicações para a paixão, simplesmente acontece. Não existem explicações para o amor, simplesmente surge. Brotam como uma nascente, renovando o espírito e a alma e jorrando vida em nossas sinuosas vidas.

Quando acontece, simplesmente, não existem explicações. Quando você percebe, já aconteceu!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mulheres! "A Louca!"

Aqui estou eu, novamente, falando das mulheres! Não sei se é desejo ou obsessão, mas a realidade é que, independentemente das características, mais ou menos acentuadas, elas são maravilhosas! Quem não concorda com esta afirmação que me desculpe, já que cada um se apega naquilo que lhe encanta. Uns se apegam em selos, outros em carros velhos, outros em futebol de botão, outros preferem outros... Eu sou verdadeiramente apaixonado por elas!

Diante de insistentes pedidos, juro que tenho tentado escrever definições sobre os homens, mas os assuntos não fogem de controle remoto, futebol e cerveja, recaindo novamente em mulheres. Homens realmente são sem graça, condicionados e repetitivos. Ufa..., mesmo às vezes nos odiando, ainda bem que as mulheres gostam muito da gente, pelo menos grande parte delas!

Assim, voltando às definições de Mario Kostzer, em seu livro “Tratado sobre Mulheres”, e para finalizar a minha insistente divulgação dos vários comportamentos “delas”, até para não criar inimizades, trago o estereótipo da “louca”. Acredito que todos os homens, em algum momento da vida, já tiveram a oportunidade de se apaixonar por uma mulher assim, e certamente experimentaram uma nova sensação, talvez implícita, mas incrível e inesquecível: o desejo de matá-las. Na minha experiência pessoal, confesso: mesmo adorando-as, por pouco escapei de ser um homicida!

A Louca

Certamente a mesma coisa que lhe agrada na louca é aquilo que mais a desagrada. Imprevisível. Irascível. Simpática e antipática. Fogosa e frígida ao mesmo tempo. A louca é várias mulheres em uma só, embora você não deva achar que por ter uma delas tem várias mulheres. Não se sinta polígamo. Sua vida pode acabar sendo uma tortura já que ela vem sem o manual que lhe diria que papel assumir ou como fazer para desativá-lo. Descobrir isso implica sérios riscos para sua saúde mental.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sorrir exige talento!

Diz-se que “rir é o melhor remédio”, mas após duas horas em uma aeronave, em um vôo que não durará menos do que cinco, ainda mais no retorno, para casa e para as rotinas, não é tão estimulante assim. Passado algum tempo, parece que o relógio para, e cada minuto demora uma eternidade. Não tem mais graça, a monotonia toma conta e por mais que você se esforce, entre os lanchinhos e a sintonia dos canais de música, rir, torna-se cada vez mais difícil.

Estive pensando o quanto deve ser complicado para elas, lindas, vistosas, muito bem treinadas, com aqueles belos sorrisos e gentilezas. Além de maquiagem, elegância no andar e sobrevivência na selva, certamente “como sorrir” deve fazer parte do portfólio de capacitação, ainda mais em um universo desconhecido, onde o “outro” é sempre um estranho, mas que pagou a conta. Os manuais de qualidade de serviços, sempre denominam os estranhos que pagam a conta, como clientes, preferenciais.

Lembro de Aline, uma amiga, linda, com seus grandes olhos verdes. Era aeromoça da Varig, para vôos internacionais. Na época, uma posição muito desejada no universo corporativo desse segmento. Aline não fazia força para sorrir, pois irradiava simpatia. Uma bela amiga! No apartamento dela, tomei meu primeiro porre com Jonny Walker Red, pago pela Varig, em meio às diversas histórias, de como se livrou, ou se vingou, daqueles clientes engraçadinhos e inoportunos, e como fazia para se manter sempre cordial. Não descia do salto nunca!

Hoje, neste vôo, em que estou, há 152 passageiros à bordo, e elas, apaixonadas pelo que fazem, pacientemente, simpaticamente, sorrindo e agradecendo um a um, repetidas vezes... Na entrada, na hora do lanche, na coleta do lixo, na entrega dos fones de ouvido, na nova passada com refrigerantes, na entrega de revistas e quando aqueles “estranhos” apertam o chamado, para fazer perguntas pouco usuais, como: “quantos passageiros estão à bordo?”...

Não sei bem, mas talvez exista um compartimento de bordo onde elas possam gritar, extravasar e livrar-se da tensão, e ali guardarem energia, tal qual naquela animação, onde monstros recolhiam os gritos das crianças transformando-os em energia para o planeta deles. Quem sabe, em breve, possamos deixar a dependência dos combustíveis fósseis na aviação comercial...

Deixando as brincadeiras, quero realmente ressaltar o talento das aeromoças e comissários. Haja paciência! Sei que cada profissão exige comportamentos e atitudes diversos. Também, que cada um faz as suas escolhas, e assim aceita conviver com as exigências das funções assumidas. Isso é bom, pois sempre existe tempo para se mudar de profissão, quando a adaptação torna-se difícil, ou quando o esforço para a realização das atividades, supera os ganhos.

Apesar de tudo, acredito mesmo, que sorrir seja um santo remédio, desde que se sorria espontaneamente.

sábado, 15 de agosto de 2009

A vida vale à pena!

É natural do ser humano estar sempre associando o seu cotidiano às catástrofes, muito mais do que às benesses. O que dizer do medo do terrorismo, diante de tantos ataques pelo mundo afora, dos acidentes aéreos, das gangues e quadrilhas organizadas, da violência doméstica, da extinção das florestas, do bug nos computadores e tantos outros? O que fazer? Sair de casa? Melhor desconfiar e sumir...A mais recente das aterrorizadoras catástrofes é a gripe AH1N1. Percebe-se claramente no olhar das pessoas, o quanto estão apavoradas.

Estou em viagem, juntamente com meu filho, rumo à Fortaleza, para a comemoração do aniversário de 80 anos, de uma grande e querida pessoa..., meu Tio! Escrevo esta postagem do interior da aeronave, um Airbus, do mesmo modelo daquele envolvido na tragédia de Congonhas, há meses atrás. Percebe-se claramente que as pessoas estão desconfortáveis, tensas..., desconfiadas, desconfiantes. Aos menores solavancos, no tossir, na carência de informações, parece que o pânico habita as mentes e remete todos a um estado de alerta, absurdo.

Ainda me preocupa, o fato de que as pessoas são induzidas, ingenuamente, pela mídia, a retro alimentarem esse processo. Comentam exaustivamente os assuntos ruins, muito mais do que os bons. Eis a razão de estarmos submersos à desesperança! Acordamos, nos alimentamos e vivemos sob esse negro universo, esse medíocre pano de fundo. Alteramos os nossos comportamentos de forma drástica ao imaginarmos que estamos em uma roda viva, ou melhor, morta.

Tenho sentido uma dor e uma preocupação, pelo fato de não conseguirmos romper esse elo rígido, dessa corrente que nos amarra ao fundo do poço. Penso que o grande passo para nos libertarmos é darmos as mãos e seguirmos juntos, em uma corrente do bem, atravessando essa lama de terror, para nos exaltarmos e brindarmos à vida!

Depende de nós, pois a vida vale à pena!

Que amor é esse!

amor
gotas de
sentimentos
oceanos de
emoções

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A dor de um desamor!

Como é difícil ainda te amar..., sonhar todas as noites contigo e acordar com muitas saudades, e com poucas esperanças de te ver de novo. Conto repetidamente os dias, as horas, os minutos e até os segundos. Às vezes, tenho a impressão, e quero acreditar, que a dor diminuíra e que a vontade de estar ao seu lado vem passando; que as lembranças vão encontrando o seu encaixe e que o sombrio preto e branco da vida começa a adquirir cor e brilho. Mentira!

Não há limites para a dor e a mágoa, nem para o amor e o desejo; planos que nunca se encontrariam, se os sentimentos fossem mais puros e verdadeiros, se as escolhas tivessem sido adequadas e se a impulsividade não marcasse tanto uma relação intensa. Devolver presentes, cruel, pungente, tal qual um último golpe, uma negação ao afeto, como se não tivessem havido momentos mágicos, majestosos.

Intromissões de outros, por meros interesses, conselhos vazios, ressentimentos. O resgate de um passado ruim. Insegurança de um coração machucado. Diante do medo do novo, de entregar-se e de viver, trai-se os próprios sentimentos, congela-se as emoções, sepulta-se as possibilidades, impede-se o desabrochar e enterra-se um grande amor. Faz-se de conta que tudo caminha bem...

No balanço, algo para não se esquecer nunca: uma só certeza e muitas dúvidas, o fim e as razões, ou a falta delas. Um sonho desfeito violentamente, um sofrimento fervoroso, uma ferida que não cicatriza, uma intermitente dor, uma imensa frustração e revolta. Uma amizade esfacelada, delidos o carinho e a admiração. Um mergulho profundo na lâmina fria da sombria solidão. Uma ranhura na alma, um desamor!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Furacão!

Compartilhar os sentimentos e as experiências é a missão deste blog, e não posso deixar de comentar sobre o filme Hurricane – O Furacão, de 1999, com o excelente Denzel Washington no papel principal, que assisti ontem na HBO. Já havia assistido anteriormente, mas sempre que refazemos um mesmo percurso temos a oportunidade de melhor apreciarmos, nos aprofundarmos, percebermos detalhes e extrairmos o júbilo da experiência.

Na história, verídica, da década de 60, Rubin Carter é um lutador de boxe que ascende rapidamente na carreira, mas seu passado é bastante crítico, sendo então, injustamente, acusado de um triplo homicídio. Cumpre quase vinte anos em uma prisão estadual. Durante o período em que está sob a custódia do estado, por diversas vezes tenta a liberdade. Vários ativistas e artistas da época tentaram intervir nos julgamentos, mas foram ineficazes, entre eles Bob Dylan, que fez um protesto em forma de canção – Hurricane (http://www.youtube.com/watch?v=26YnlOwUq-Y). Em meio às reflexões profundas sobre o sistema, sobre a vida e sobre a sua própria pessoa, corre o drama, e foi aí que me encantei, nos detalhes...

Um dos termos que Hurricane utiliza, é de se designar “o senhor do tempo” e a partir daí isolar-se do mundo exterior e voltar-se para si mesmo, por acreditar que não deveria fazer parte de um injusto sistema. Uma fuga para dentro de si, para amenizar a tamanha revolta e dor, a vulnerabilidade e a frustração. Associei a Goethe, em sua obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, que li recentemente, onde diz “Meto-me dentro de mim mesmo e acho aí um mundo!”. Fantástico!!!
Pode-se perceber no filme, além dos preconceitos e da injustiça, os valores, a solidariedade, o amor, o afeto, o sonho - situações cotidianas, que estamos acostumados a presenciar e participar e que se estivermos dispostos a refletir sobre elas, podem fortalecer as nossas atitudes. Ainda, associando à vida real, as inconstâncias, as frustrações, a persistência, as amizades e a vitória. Se conseguir dissociar do americanismo do cinema, torna-se muito proveitoso.

Penso que todos nós seguimos uma jornada e não existimos para o fracasso. Também, que as derrotas são um trampolim para conquistas ainda maiores.

Recomendo o filme, mesmo tendo contado um pouco da sua essência, e a reflexão!
(Postado no Colarinho, na sensibilidade e na moderidade do Bar)

domingo, 9 de agosto de 2009

Amizade!

Algumas imagens nos dizem tudo!

sábado, 8 de agosto de 2009

A arquitetura dos sentimentos!

Na arquitetura dos sentimentos tentamos racionalizar as nossas emoções, atribuindo culpas e desculpas, ou explicações vazias. Sentir o amor e o afeto, a dor e a perda, a euforia e o conforto, é simplesmente sentir. Dar vazão àquilo que temos de melhor e mais puro em nós mesmos, aflorar a sensibilidade, entregar-se a si próprio, elevar-se.

Na arquitetura das emoções não existem especialistas, magos ou gurus, mas sim cada ser único, cada qual com o seu querer, com o seu momento, com a sua intensidade, com os seus desejos, explícitos ou implícitos, se permitindo mergulhar na imensidão tenra e terna da alma ao fazer as suas reflexões e as suas escolhas. No revés das emoções, o vazio da escuridão.

Na arquitetura dos especialistas não existem emoções, mas sim perdas e ganhos, razão para se acumularem bons e maus momentos e adoecer com eles. Buscar explicações para o inexplicável, sofrer com a ausência de racionalidade, embalsamar os sentimentos, e em uma gaveta escondida guardá-los, para então subtraí-los nas horas mais adequadas, quando nos faltarem vicissitudes.

Na arquitetura da vida, os momentos já existiram e serviram ao passado. Ao guardarmos esses sentimentos e ressentimentos, perdemos oportunidades de florescer e não nos abrimos para o novo. Contabilizamos os nossos acertos e erros, as nossas perdas e ganhos, para nos definirmos como bons ou ruins, melhores ou piores. Submergimos na dor, e passamos a meros expectadores dos outros, das suas alegrias e tristezas, tais quais bons artistas, encenando, e não vivendo a nossa própria vida!

É preciso racionalizar as emoções? Para que?

Namastê!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sonhos femininos!

Assim como os homens, as mulheres também possuem sonhos e desejos íntimos, que inundam o subconsciente, o que faz com que se repitam com freqüência. Elas não admitem francamente, mas os sonhos femininos permeiam dois aspectos: a segurança e a felicidade.

Sob este prisma, situação financeira, casa, filhos e homens são os preferidos, além da afirmação profissional, da beleza e da competição entre elas mesmas, não necessariamente nesta ordem. Também, os sonhos eróticos, reproduzindo cenas quentes de filmes consagrados, como Instinto Selvagem, entre outros. O fato é que mulheres não seguem padrões! O que dizer do sonho de deleitar-se em um shopping, com um cartão de crédito ilimitado, lógico, ou de galgar posições na carreira, superando seus colegas do sexo oposto, ou ainda de ser a dona de uma casa de praia cinematográfica? Nem sempre os sonhos se realizam, e o importante é que de forma alguma esse tipo de sonho gere uma expectativa excessiva, e vire frustração. Sonhar é maravilhoso...

A fim de ser mais objetivo nesta postagem, questionei algumas amigas sobre o sonho delas, e quase nenhuma quis me contar. Acho que pensam que eu não sou tão confiável assim! Mas George Clooney estava na fantasia de uma delas. Não quis ser indelicado, ou demonstrar ciúmes, tampouco ser desmancha prazeres, mas enviei-lhe uma foto mais atual do galã..., meio fora de forma, para que ela entendesse que não é necessário sonhar tão longe, pois muito próximo pode estar o seu belo presente. Fui deletado e ainda não entendi bem a razão!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sonhos masculinos!

Não é pelos olhos azuis, ou pelo corpo escultural, tampouco pela boca perfeita ou pela forma de se expressar. Muito menos pela história de vida dessa sul-africana, que aos dezesseis anos de idade iniciou a sua vida de artista.

Dramas..., viveu muitos, tanto na vida pessoal, quanto nos filmes que interpretou. Alegrias..., imensas, assim como tristezas. Amores..., teve vários, e escolheu aqueles que quis. Poder..., tamanho, pela beleza, pelo talento, pela fortuna pessoal, mas principalmente pelo carisma. Uma pessoa charmosa, delicada, forte, vitoriosa!

Alguns homens sonham com uma Ferrari ou um Porsche, outros com golfe, outros com viagens exóticas, com safáris. Luiz Fernando Veríssimo sonha com Patrícia Poeta. Alguns sonham em ser salvos por Pamela Anderson. Tenho um amigo, do balcão de notáveis, que há muito tempo sonha com Roberta Close; outro, que um dia seu time medíocre será campeão. Eu sonho com Charlize Theron, mas não sei bem o porquê!

Sonho não se explica. Sonho, simplesmente se sonha!

http://www.charlizetheron.com/


terça-feira, 4 de agosto de 2009

Que amor é esse!

amor
dicotomia
dos corpos cansados
inerência
das almas gêmeas

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Palavras do coração!

Não é difícil de falar sobre as pessoas, ainda mais quando um arco-íris se projeta como um elo entre elas. O difícil é contentar-se com a ausência e com a distância, já que a louca vida, muitas vezes nos remete à corredores longos, que temos que atravessar se quisermos seguir.

Não é difícil de sentir as pessoas, o carinho, a admiração, ainda mais quando o tempo não corrói as relações e ao contrário, apesar das nuances, demonstra que estas estão cada vez mais solidificadas. Tal qual um sinuoso rio, que encontra melhores caminhos para manter-se perene.

Não é difícil de viver as pessoas, as suas angústias, alegrias e tristezas, os sucessos e a luta, ainda mais quando os ombros largos suportam o peso da alma inquieta e irradia-se amor e fé. Sem exigir nada em troca, no abraço mútuo, mesmo no silêncio, tem-se um porto seguro.

Não é difícil expandir-se com as pessoas, basta estar perto, sentir, participar, torcer, incentivar, coibir, rir ou chorar, permitir-se. No palco da amizade permeiam todos os sentimentos, as verdades e o respeito. Conjuga-se com intensidade, o verbo amar.


Escrevi estas palavras em agradecimento a minha amiga Anne, a quem pude abraçar na tarde do último sábado em comemoração ao seu aniversário, mas que partilho, também, com todos os amigos. Sobre essa amiga especial, guerreira, mãe, mulher, artista e coração pulsante, me permito falar, sentir, viver e expandir-me, há muito mais de 20 anos. A alegria e a gratidão que sinto em nos mantermos ligados e sermos amigos é uma benção, um bálsamo que me dá a certeza de que estamos seguindo por caminhos que nos levam aos mesmos destinos.

Que o dom que lhe foi dado com essa áurea, perpetue essa alegria intensa que você traz consigo e que contagia, ao irradiar muita luz!

sábado, 1 de agosto de 2009

A dádiva da vida!

Todos os dias acordo bem..., inspirado..., feliz! Pronto para encontrar pessoas e dar o melhor de mim naquilo que faço. Muitas vezes atrasado, sem dinheiro, com muitos problemas a solucionar, reconheço a dádiva da vida, apesar das suas asperezas. Encanta-me ajudar as pessoas a sorrirem, não simplesmente por uma piada engraçada, para ser agradável e aceito, ou para quebrar o gelo, mas semeando, para que uma corrente do bem se expanda.

Nas minhas reflexões penso muito sobre o quanto as pessoas boas atraem e influenciam pessoas! Penso também no quanto podemos ajudar a transformar o outro e assim transformamos a nós mesmos, em um processo virtuoso e infinito, metamórfico. Sem medos, sem dúvidas, com coragem e ousadia as coisas fluem. As amizades se consolidam, os amores prosperam, a vida segue. Vamos evoluindo em um solo próspero, rico em alegria e satisfação. Adubado com muito amor e afeto.

Um grande desafio meu é conviver com pessoas pragmáticas, que acreditam que sofrer seja o melhor caminho. Passam a vida sofrendo e racionalizando. Lançando aos outros as culpas pelos seus próprios fracassos: o casamento, o negócio, a festa, a casa, a saúde, a vida... - Se o mundo e as pessoas não fossem tão cruéis, eu seria bem sucedido, praguejam! Querem retornar ao passado para fazerem diferente, mas esquecem que aquilo que acontece entre as reclamações sobre o passado e as frustrações projetadas para o futuro se chama vida, que ora escorre pelas mãos e não retorna, nunca!. Sempre existirão novas oportunidades para se fazer diferente, e seguir!

Sei que a escolha do destino compete a cada um, e torço muito pela felicidade dos outros. Diluo as minhas mágoas em luz e carrego comigo um ditado: “O mal que os outros me fazem não me faz mal, o mal que me faz mal é o mal que eu faço”.
Namastê!!