terça-feira, 21 de abril de 2009

Receita de Mulher!

Indiscutível o talento e a obra de Vinicius de Moraes, esse libriano, carioca da Gávea, que nasceu em 1913 e encantou o mundo com sua genialidade. Foi diplomata, boêmio, nosso poetinha! Uma estrela iluminada que aqueceu corações ao irradiar o amor e que estimulou e continua a estimular as mais loucas paixões com seus sonetos e versos. Lançou ao mundo um lirismo cativante, do tamanho do peito de todos os que puderam conhecer e admirar a sua obra.

Casou-se por nove vezes e foi feliz em toda a sua vida, pois à vida foi alçado e para ela existiu. Admirador das mulheres, do Rio, do mar, do amor....

Para aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecer, trago este poema - "Receita de Mulher", onde ele ousa, inflama e polemiza, com ousadia, entre o céu e o inferno.


Viva Vinícius...

"As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser frescas nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar.
Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher de sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável."

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Perdas e Ganhos...

Estive refletindo sobre como todas as passagens e momentos de nossas vidas podem ser traduzidos em chegadas e partidas. Quando da nossa concepção chegamos ao mundo, com uma missão, e partimos quando a nossa missão está concluída. Começamos na escola e nos formamos, para recomeçarmos novamente e finalizarmos algum estudo. Iniciamos uma comemoração para chegarmos ao fim da festa. Com um beijo, nos apaixonamos e começamos um romance, que em algum momento termina. Começamos uma refeição, e satisfeitos encerramos. Uma decoração, que se esgota. Um cuidado que se esvai. Uma nova história que chega ao fim. Uma viagem que se encerra com o retorno. Iniciamos e finalizamos momentos durante toda a nossa vida...

A música “Encontros e Despedidas”, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, nos dá uma idéia dessa viagem em metáforas, que muito bem podem ser entendidas no trecho “e é assim, chegar e partir..., são só dois lados da mesma viagem”. Uma bela música, uma bela poesia, a crua realidade da vida.

Quando nos despimos das inconformidades e olhamos a vida com naturalidade, percebemos que esse é o curso natural. Porém, quando depositamos expectativas e sentimentos excessivos, geramos em nós mesmos frustrações e sofrimentos muitas vezes insuportáveis. Perdermos um ente querido, que ao olhar do curso natural finalizara sua missão, mas mal conseguimos conviver sem ele. Rompemos um romance, que durou o quanto necessário, mas uma mágoa nos inunda por perdermos o domínio sobre o outro. Deixamos que as boas lembranças e as lágrimas de saudade e de bons momentos sejam transformadas em tormentas, e que o curso de nossas vidas seja alterado. Matamos parte de nós e tentamos conviver com a melancolia. Somos pouco, ou nada resilientes.

Acho que não entendo muito de nada, mas um pouco de muitas coisas, e tenho aprendido que o fim é sempre um impulso para um novo começo e quando você chega ao fundo do poço, percebe que não é o fundo do poço. Quando nos libertamos dos apegos e inundamos nossos corações de amor, temos novas chances de reescrevermos as nossas próprias histórias e de continuarmos felizes, acumulando em nossa bagagem algumas perdas e muitos ganhos!

“Penso que seguir a vida seja simplesmente conhecer a marcha, ir tocando em frente...”

terça-feira, 14 de abril de 2009

Rio 40 Graus!

Voltando à rotina, nada melhor do que sair da rotina! Viajar estimula instintos adormecidos e hábitos esquecidos. Da minha parte me surpreendeu o fato de eu caminhar no calçadão de Copacabana todos os dias, motivado, além de ter ido à praia, coisa que não gosto muito, mesmo que esteja na praia. Penso que nos sentimos libertos e mais capazes de enfrentar o mundo.

Também enfrentei fila, coisa que não faço nunca, pela minha falta de paciência. Fui ao “Lapa 40°”, um bar na Lapa, assistir a um show de Diogo Nogueira, filho do grande sambista João Nogueira. Quase uma hora na fila, garoando, e para minha surpresa não consegui entrar. Ou melhor, não conseguimos entrar (todos que estavam, na fila depois das 10 horas da noite). Antes, fui jantar com Lisboa e uma amiga dele, Vanessa, lá no Garota de Ipanema, em Ipanema, que não possui mais charme algum além da localização e do nome. Somente um banner com o Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Morais, que é lindo! Me decepcionei com o bar, não com os amigos. Por isso cheguei tarde ao show.

A conversa na fila estava boa e a surpresa foi quando uma pessoa, da fila, fez um convite e deu a sugestão para quem quisesse ir para outro bar. Mais de 15 pessoas que mal se conheciam seguiram, inclusive eu. O bar se chama Heavy Rock, um reduto de rock´n rol no meio das muitas casas de samba. Uma Harley na entrada, um telão com show dos Roling Stones e um gato preto curtindo o movimento, o que aos olhos de Ozzy Osbourne seria uma benção. A minha surpresa nas conversas foi o fato de duas amigas comentarem uma característica comum: haviam sido casadas com uma mesma pessoa, em épocas diferentes, se conheceram e consolidaram uma grande amizade. Lógico que não me contive e tive que perguntar se ambas falavam mal do “falecido”. Afirmaram que "sim, claro que sim", em meio a boas risadas. Os paradigmas vão sendo quebrados e temos que entender esses movimentos sociais para uma vida harmoniosa e feliz.

Ainda tive a oportunidade de conhecer um bar chamado Esch Café. Um lugar maravilhoso no Leblon, indicado por meu irmão, onde se toca muito jazz. Cheguei na noite errada e o som era MPB e bossa nova, mas com uma qualidade imensa. O ponto também agrega apreciadores de charutos e é inevitável chegar em casa impregnado. Vale à pena mesmo! Lembrei-me da minha experiência com charutos no Hermes, quando depois de autorizado pelo Lulo, dono do bar, vi meu charuto ser apagado por uma megera. Queria matá-la, mas me contive. Estava no bar no Leblon na mesa ao lado a atriz Angelina Muniz, muito bonita, moderna e cortês.

Volto a falar da minha característica de viajar sozinho, nem sempre por opção, e observar que nessas situações estendemos a nossa relação de confiança a garçons, motoristas de táxi, porteiros e outras pessoas estranhas. Um exercício de convivência para quem quer construir e viver em mundo melhor, na diversidade e respeito.

Namastê!

sábado, 11 de abril de 2009

Uma Quinta Iluminada!

Nos últimos tempos, também em função do meu trabalho, adquiri um hábito solitário de viajar. Conhecer novos lugares, pessoas, costumes, bares e ares, sozinho. Confesso que às vezes sinto falta de uma companhia, mas essa minha solidão me obriga a interagir com pessoas que não conheço, já que gosto muito de uma boa conversa, e a refletir muito sobre o meu dia a dia, desejos e sonhos. Muitas vezes chego com uma carga imensa de reflexões e preocupações, as quais vão se dissipando no decorrer dos dias. Volto muito mais leve e com saudades das pessoas próximas. A minha solidão é minha!

Hoje estou no Rio de Janeiro e já tenho histórias interessantes, como a minha chegada em plena lua cheia. Penso que a lua me energiza demais, mais do que o sol, talvez por isso eu não durma e goste de ficar na rua o maior tempo possível, à noite. A lua estava linda e o meu caminhar no calçadão de Copacabana estava iluminado. Uma verdadeira bênção nestes dias de Páscoa!

Por recomendação do amigo Lara, fui ao Cervantes, um bar e restaurante muito antigo e tradicional, localizado entre o Leme e Copacabana. Sempre que recebo alguma indicação de amigos faço o possível para conferir, por dois simples motivos: normalmente deve ser uma boa indicação e o amigo para de ficar indicando aquele lugar. Gostei muito e tive o privilégio de sentar ao lado de João Donato e Paulo Moura, com os quais troquei algumas palavras, pretensiosamente. Eles são uns gênios da música popular e da bossa nova. Inicialmente fui ao bar, mas estava lotado e não consegui chegar ao balcão (tinha até um labrador preto, lindo, nas dependências). Contornei e fui ao restaurante saborear um sanduíche de peru com queijo e abacaxi. Tentei furtar um cardápio, mas fui pego no ato...rs.... Valeu a indicação Larinha...

Em seguida fui à Lapa, no Carioca da Gema – bar que eu gostei muito da última vez em que aqui estive. O som estava maravilhoso e a acolhida a um curitibano sem nenhum samba no pé e conversador foi ótima. Fui apresentado à banda e o cantor, Toninho das Geraes, fez questão de ficar comigo em conversas por um longo tempo. Ouve uma grande empatia e trocamos telefones. Ele compõe grande parte das músicas cantadas por Zeca Pagodinho e Beth Carvalho e trouxe consigo para me apresentar Ataulfo Alves Junior, filho do grande Ataulfo, que este ano terá diversas homenagens pelo seu centenário. Foi muito bom!

Outro que entrou na roda de conversa foi o Furacão, Jairzinho, com o qual conversei também por um bom tempo, mas não nos entendemos. Eu acho que ele estava passado e ele certamente deve achar que quem estava era eu... Tocou tamborim com a banda e foi reverenciado. Não enfrentava a fila do banheiro, pois todos davam preferência a ele. Ser campeão tem suas vantagens.

Encontrei aqui na Santa Clara, próximo ao hotel, Dori Caymmi, de bermuda e chinelo e tão esculhambado quanto eu. Engraçado como a gente venera tanto os nossos ídolos a ponto de esquecermos que eles são pessoas normais que simplesmente levaram adiante os seus sonhos e os seus dons.

Isso tudo ocorreu na quinta-feira e já tenho a sexta para contar (foi agitada), além de hoje, que irei a um clube de jazz, daqueles com muita fumaça e som de primeira.

Estes depoimentos são simplesmente para ilustrar o quanto podemos transformar as nossas vidas e conviver com as diversidades. Lembrar que da janela para o fora o mundo é muito maior do que para dentro e que as oportunidades nunca devem deixar de ser aproveitadas.

Apesar de estar longe, me sinto muito feliz e quero compartilhar esta felicidade com todos.

Namastê!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Renascimento da Vida!

Aos olhos do Cristianismo, o significado da Páscoa está ligado à ressurreição de Cristo, que crucificado e morto ressuscitou após o terceiro dia, período em que o sol se recusou a brilhar e a lua a iluminar a terra. O renascimento da vida!

Hoje, em nossos tempos, com um olhar reflexivo, o acontecimento nos remete a ressuscitar as virtudes e inundar os nossos corações das mais puras e belas intenções. Resgatar não só a fé, mas os princípios que regem e conduzem uma vida harmoniosa e feliz, os bons sentimentos e o amor que desejamos para nós mesmos e para os outros. A solidariedade, a bondade, o compartilhar, o abraço...

Família reunida, amigos, comemoração. Agradecimentos, resgate, repensar. Íntimo Ser!

Que consigamos com nossas preces e com nossas próprias vontades, nos sensibilizarmos para a vida. Realinharmos as nossas atitudes, as nossas ações, irradiando amor, paz, carinho e fraternidade. Esse é o verdadeiro sentido da Páscoa!
Tenham todos uma boa Páscoa!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Putz, a vida é vida!

Se existe uma coisa que faço com a maior satisfação é refletir sobre o passado, como uma forma de entender os meus desvios e ajustá-los, seguindo sempre em frente. Não me prendo a fatos específicos, mas às situações e suas conseqüências, e nem sempre faço diferente. Muitas vezes cometo os mesmos erros, consciente. Fico esperando o reverberar. Existem ganhos e perdas, sempre. Escolho entre as opções e algumas vezes me arrependo. Cresço. Volto a cometê-los...

O passado funciona como um espelho retrovisor, para o qual eventualmente devemos olhar, mas sem perder o rumo. Para frente é que se anda! Ditado antigo, mas certeiro.

É comum as pessoas se fixarem no passado, na crença de que as vivências são cíclicas, ou seja, que sempre teremos o mesmo final para um mesmo começo. Balela! Perdoem-me os mais reticentes, mas manter-se em inércia por achar que o jogo já está definido é perder. É coisa de perdedor. Deve-se entrar para jogar e mudar o resultado e o rumo, se for capaz. Outra frase antiga: “ninguém lhe disse que era impossível, ele foi lá e fez”!

Fico imaginando o quanto as pessoas andam acorrentadas, presas aos seus próprios passados e também aos passados dos outros. Perdem a oportunidade de escrever as suas próprias histórias. Esquecem o livro em branco que receberam e vivem do plágio. Reduzem os seus sofrimentos, mas também as suas alegrias. Vivem do plágio e o plágio não traz aplausos. Todos precisam de aplausos. Precisam de reconhecimento.

É claro que persistir é muito diferente de insistir. Há que se saber a hora certa de parar. Tenho insistido em demasia em algumas situações, reconheço! Meus amigos que me perdoem, pois têm sofrido comigo. Enquanto o peso da dor for menor do que o sonho, persista, pois vale a pena. Quando for maior, é hora de mudar, de desligar os aparelhos!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Diamantes Brutos!

Somos valorosos, impetuosos, magníficos. Somos raros e desejados. Somos únicos. Nos encontramos nos locais mais inóspitos, mas também à flor d`água. Somos frutos da natureza, desejosos por sermos encontrados.

Ao olharmos para o que somos, enxergamos profundas diferenças entre nós mesmos e aquilo que desejamos ser. Comparamos-nos ao incomparável, uma vez que somos únicos. Ao olharmos atentamente para o que somos não nos enxergamos, pois projetamos em nós o outro. Ao buscarmos nos outros a nossa imagem, nos ocultamos, pois não nos reconhecemos.

Temos uma riqueza imensa, sólida, mas nos atemos à poeira, que ao menor vento se esvai. Esperamos que alguém nos prenda, ou nos solte. Que nos guie ou nos tire dos trilhos. Que mergulhe por nós e que extraia toda a nossa magnitude. Que nos mostre o belo que somos e que não queremos enxergar.

Somos diamantes não lapidados, à espera de alguém que apare as nossas arestas.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Botecando!!

Circular pela cidade e Curitiba está ficando muito difícil. Não pelo trânsito ou por questões de segurança, mas sim pela quantidade de opções que a cidade está oferecendo para quem gosta de curtir um bom bate papo em um bar. Isso mesmo, estou falando de happy hour, festa e relaxamento.

Além da grande quantidade, vários bares tornaram-se temáticos, atraindo públicos específicos que possuem afinidades com um ou outro estilo, como mexicanos, irlandeses e os tradicionais botecos. Escolher quando se está só, tem sido difícil. Imagina quando um grupo combina de se divertirem juntos e cada um tem um leque de opções e preferências...

Nos últimos dias estive em três locais, interessantes: Santa Marta, John Bull Master Hall e Hermes. Locais amplos e com um público bastante heterogêneo. Para quem conhece e teve os seus acontecimentos, talvez discorde ou eleve ainda mais os meus relatos.

Gostei muito do Santa Marta. Uma música boa, um cardápio interessante e preços acessíveis, apesar da nossa conta ter ficado salgada – também com o time de peso que estava junto, não poderia ser diferente. Entre atrapalhos e confusões, todos sobreviveram. A decoração é moderna e me chamou muito a atenção a acolhida e o bom atendimento.

Fui ao John Bull, ali no Rebouças, a convite de uma pessoa amiga, para assistirmos ao show da Banda Azeitonas dá um Tempo, da qual o seu marido faz parte. A casa foi totalmente reformada e está muito bonita. O atendimento bom, apesar da pouca quantidade de pessoas presentes. Gostei da banda, que trouxe na retaguarda algumas pérolas da música curitibana, como Glauco no baixo, Mario Conde na guitarra, Saul no trompete e Matoso no sax. Pelo que me explicaram, a banda existe há mais de quinze anos, porém não se reúne com freqüência, pois é formada por músicos amadores que tratam o projeto como um hobby. Tentam fazer planos, mas esbarram nas individualidades. O que me chamou a atenção foi a motivação do grupo, que apesar de realizar poucos ensaios, deu seu recado no palco. Gostei muito, mas lá perdi uma pessoa extremamente preciosa e importante para mim, por minha insensibilidade. Espero reconquistar a confiança...

Falando do Hermes, o bar sempre me intrigou, pois tem alternado shows riquíssimos e maravilhosos, com novas bandas, algumas muito fracas para um público exigente como eu. Gosto muito do atendimento e os amigos sempre fizeram com que eu fosse muito bem recebido. Gosto de freqüentá-lo. O público também é variado e a banda, ou a música, é que tem determinado se você vai encontrar cocotinhas e garotões (ainda se usa estes termos?) ou balzaquianas (os).

Cabe a cada um estar escolhendo o ambiente que mais lhe convém, mas se eu puder externar as minhas preferências, digo que sou eclético.

Bom proveito. Namastê!

A foto do alto é lá no John Bull, com a banda atuando. A de baixo foi tirada do balcão do Hermes.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Poeminha para uma Paixão Louca!!


Teu sorriso me encanta,

Teu beijo me incandesce,

Teu abraço me acolhe,

Teu amor me irradia,

Teu silêncio me angustia,

Tua ausência me anula.

As Escolhas e o Tempo!



Eu sempre gostei muito de inserir um componente místico em minha vida e acredito que grande parte das pessoas também o faça. Acompanhar os movimentos das marés, ou as fases da lua para tomar algum tipo de decisão, olhar o alinhamento dos planetas, ler os signos, acender velas e incensos para purificar os caminhos, meditar muito, são algumas formas de energizar a alma e estimular a mente e o corpo para a ação. Crer e encontrar um apoio espiritual que nos faça bem, nos conforta e nos traz leveza no caminhar.

Imaginar que todos os acontecimentos já estavam previstos, ou escritos por alguém, e que a vida das pessoas segue um caminho determinado é no mínimo instigante. Assim crêem algumas pessoas. Levam consigo uma tranqüilidade invejável. São pacientes, apaziguadoras, serenas. Ousadia e conflito são palavras que não se aplicam. Confronto então, nenhuma chance! Vivem felizes, desapegadas, passam pelo mundo no seu mundo, perfeito. Realizam-se.

Ainda, aqueles, que ao contrário, trazem em seu DNA características transformadoras, provocam mudanças, terremotos, vivem no limiar da saúde e da doença e muitas vezes morrem cedo. Sofrem, lutam e não se conformam. Reescrevem a própria história várias vezes, acumulam e perdem; ganham novamente. Não estão para perder e não se entregam. São felizes também, ao seu modo, e as conquistas os propulsionam ao sucesso, mesmo que momentâneo, e à auto-realização.

Há ainda outras pessoas, que descobrem que queriam ser ousadas mas foram serenas demais, ou que lutaram a vida toda e quando lhes faltam forças, questionam-se se tudo aquilo valeu a pena. Pouco sabem lidar com as frustrações e racionalizam as suas derrotas, culpando aos outros. Acham-se infelizes, mas agora incapazes de mudar a própria história. Lastimam-se e tentam propagar suas decepções ao mundo. Praguejam.

Não existe uma forma melhor ou pior, não existe um modelo ideal, completo. Não existem cartilhas, não existem comparações. Cada um é único e fruto das suas escolhas. Temos muito a fazer e um tempo que nunca corre a nosso favor, por isso a pressa. Millor Fernandes tem uma frase sábia: “Quem mata o tempo não é um assassino, mas um suicida.”. Alguns colocam guizos nos sapatos, outros asas, outros chumbo.

O importante é que aquilo que conquistarmos em nossas vidas seja do tamanho dos nossos sonhos, para então sermos felizes!

Dê-me um simples abraço e lhe mostrarei o quanto posso inundar-lhe de amor!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Os Desafios e as Escolhas!


Os estudiosos dos comportamentos humanos dizem que uma pessoa normal, em média, toma uma decisão a cada minuto. Assim, se excluirmos oito horas de sono, em torno de 960 decisões são tomadas diariamente por cada um de nós, totalizando mais de 350 mil em um ano e em torno de 30 milhões durante uma vida.

Essas decisões variam, daquelas mais simplórias, como mandar consertar a máquina de lavar roupas e evitar de se lavar lençóis na mão, até as mais complexas, como casar, ter um filho ou mudar de rumo na carreira profissional. Almoçar na sogra, abrir a janela de casa, teclar o computador. Comprar maçãs, e por que não bananas? Avançar no sinal vermelho, cortar a calça jeans e transformá-la em uma bermuda..., mas de que comprimento? ... mais uma decisão a ser tomada!

Para todas as situações da nossa vida, estamos tomando decisões, as quais nos favorecem ou de alguma forma nos prejudicam, muito ou pouco. Às vezes protelamos, e assim trazemos uma infinidade de outras decisões que precisaremos tomar.

No último sábado, após convite de amigos, tomei a decisão de ir almoçar no Mercado Municipal, de tomar chopp de uma nova marca (OPA!), lá de Joinvile, de comer um sanduíche de queijo quente e uma porção de mortadela esquentada na chapa e não fria, lá no Maia Box, e de não me importar muito com os acontecimentos do dia anterior, os quais não foram muito animadores. Decidi pagar a conta em dinheiro, trocado, e correr na chuva. De parar no sinal vermelho para roubar um beijo; que não abasteceria o carro naquela hora e correria o risco de ficar sem combustível; que iria ligar para meu filho. Decidi trocar o canal do rádio várias vezes, para fugir dos comentários de alguns apresentadores chatos, e que realmente gosto de música!

Com estas pequenas passagens, minhas, fiquei imaginando a complexidade da vida das pessoas, mesmo quando optam pela simplicidade. Se realmente formos nos ater aos detalhes e relacionarmos por um dia as decisões tomadas, independentemente de boas ou ruins, fica fácil entendermos o porquê da necessidade do nosso organismo desligar por algumas horas e relaxar, mesmo que durante o sono também estejamos em atividade.

Estou estudando um pouco e refletindo muito sobre as escolhas e as renúncias, as conseqüências dos atos e dos caminhos seguidos, após sugestão do tema pelo Rubão, e com muito cuidado estarei compartilhando minha ótica durante a semana. Falar sobre ousadia, oportunidades e riscos, conservadorismo, é realmente muito difícil. Primeiro pela individualidade do ser humano, e depois pela forma como cada um lida com o sucesso e com o insucesso das suas decisões.

O que impulsiona ou retrai as pessoas, como a motivação?... que é uma porta que possui maçaneta somente pelo lado de dentro! O que nos faz melhores, ou piores? Por que aceitamos desafios? Quando é a hora de mudar?

Querendo contribuir com as reflexões mande um e-mail, fale sobre o que pensa e conte a sua história...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Flores!


O cair de uma flor nem sempre significa o fim! Vai depender do que se quer, do que se entende e do que se espera. Pode ser renovação, natural, o término de um ciclo, o renascimento e a vida, a perpetuação. Pode ser a reação ou a resposta às infinitas intempéries, ou ainda o resultado de um descaso. Pode ser a luz ou a falta dela, o sol ou a chuva. Uma provação. Mas também pode ser o fim, ou o começo!

As flores não são eternas, são breves; se pouco cuidadas morrem, cedo, e frustram. Se plenas, nos detalhes, perpetuam-se; mesmo que sequem e caiam algum dia, dão lugar a outras, mais fortes e mais belas. Vivem em uma linha tênue entre o muito e o pouco, entre o calor e o frio, entre a vida e a morte. Alimentam-se dos nutrientes do ambiente onde estão inseridas e são fruto do cuidar. Brotam por si só, mas murcham à menor desatenção.

O amor é a flor, sempre nobre e belo, forte e frágil. Vive no fio da navalha, que corta e sangra. Derrama o vermelho intenso dos seus sentimentos, das suas alegrias e sofrimentos. Faz rir, mas também chorar. Morre, mas também frutifica!

terça-feira, 17 de março de 2009

A Fé e a Igreja!



Sou católico por formação, mas confesso que não tenho praticado muito. Não sou nenhum exemplo a ser seguido quando a referência é a religião, e cada vez que acompanho alguma nova manifestação das igrejas ou religiões em geral, meus sentimentos e minhas reflexões me afastam ainda mais dos ensinamentos de Deus, aos olhos dos homens.

Na minha avaliação os atuais posicionamentos de vários clérigos agridem os princípios da natureza e da evolução humana, pois intimidam violentamente as pessoas, com ameaças de punições divinas e condenações ao céu ou ao inferno. Remete-as aos primórdios da idade média, criando um terrorismo emocional, aproveitando que as fragilidades por questões como saúde, finanças ou relacionamentos, as expõem a momentos de fraquezas. Presa fácil!

De forma alguma quero desrespeitar as orientações ou os princípios da igreja, mas estamos em um momento onde se prega que encontrar a paz, somente nos braços divinos, estabilidade financeira, na base de muita oração e contribuições, e a cura de enfermidades, mediante a recusa de uma vida normal, com pedidos de perdão e a redenção dos pecados.

Para não perder a fé, tenho me dedicado à leitura, às orações e às reflexões. Tenho procurado extrair do Taoísmo e do Budismo, principalmente a sabedoria da convivência harmoniosa e do respeito à natureza e ao próximo. Do catolicismo, reflexões sobre a minha própria interpretação de algumas passagens da Bíblia. Do judaísmo a eficácia e o poder do arrependimento, e do Islamismo, na sua essência, a tolerância e a paz.

Dessa forma, quando o assunto é religião, tenho convivido bem comigo mesmo e rezado para que as relações de todas as pessoas frutifiquem. Tenho procurado ser solícito e altruísta, mesmo nesse mundo tumultuado, otimista com relação ao futuro e cético quanto aos nossos guias religiosos.

Mesmo sendo uma posição simplista, ainda acredito que a descoberta seja única e muito particular, e que tanto Deus quanto a igreja, encontram-se dentro de cada um!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Plasticidade


Ao longo da história, os seres humanos têm sido colocados à prova e exigidos em diversos aspectos, como força física, vontade e determinação, inteligência e agora plasticidade, como condições básicas para a própria sobrevivência.

Ter que encarar as feras, lutar contra os inimigos, matar ou morrer, querer e conquistar algo realmente significativo para si e para os próximos, sempre guiaram o desenvolvimento humano pelas centenas de anos de existência.

Hoje trazemos conosco, enraizado, todo esse passado que, agregado ao ambiente em que vivemos, de alguma forma contribui para a formação da nossa personalidade e nos guia nas nossas ações, pontos de vistas e sonhos. Como querer suprimir de um povo a característica da guerra, se desde os primórdios da sua existência sempre esteve inserido naquele contexto, indispensável para a sua própria sobrevivência? Como querer ocidentalizar pessoas que carregam aspectos culturais milenares? Como querer que alguém que sempre foi diferente, seja igual ao outro?

Dessa forma surgem os clãs, as tribos, os grupos e até as amizades, partindo de características semelhantes e interesses comuns. Os punks, os mauricinhos, os yuppies, a turma do bairro, os notáveis do Colarinho, os emos e tantos outros... Cada qual com as suas verdades, rivalidades, diversidades e crenças, manisfetadas para o bem ou para mal.

Nos semelhantes encontramos uma acolhida, um reflexo de nós mesmos, dos nossos anseios e de nossos sonhos. Mantemos-nos seguros em uma zona de conforto, sem termos que nos arriscar, nos defender ou atacar. Aquele que não participa dos mesmos princípios, das mesmas crenças e dos mesmos valores não pode pertencer ao meu mundo.

Assim, limitamos o nosso crescimento, por deixarmos de compartilhar histórias, culturas, pensamentos e sentimentos. Estimulamos os confrontos ao não sabermos lidar com os conflitos, sempre que queremos ser melhores que os outros. Não respeitamos a diversidade e os limites. Pregamos um mundo sem fronteiras, mas não nos libertamos dos nossos próprios preconceitos. Internalizamos a paz como uma solução contra as guerras e a dor e não pelo reconhecimento, pelo respeito e pela harmonia comum.

Brasileiros espancados na Inglaterra, pessoas torturadas, homossexuais assassinados, cidadãos excomungados, minorias exterminadas...

Nos dias atuais, falamos na importância da plasticidade ao ser humano, como capacidade e flexibilidade para a adaptação, que devemos ter para convivermos em um mundo global, com tantos desafios a serem enfrentados conjuntamente. Refletimos sobre a necessidade da boa convivência como fator fundamental para a nossa felicidade e sobrevivência, mas temos medo por nossos filhos e netos.

Achamos-nos plenamente capazes e indispensáveis, mas na maioria das vezes nos sentimos inúteis. Estamos tão perto e tão distantes, tão confiantes e em dúvida, tão seguros e perdidos. Estamos evoluídos e atrasados, plenos e vazios.

Manifestamos as nossas opiniões e os nossos desejos ao léu e aguardamos solitários e ansiosos que os bons ventos nos tragam boas notícias.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Política, Politicagem e Arte

A situação está complicada e “confiança” é uma palavra difícil de ser inserida no atual contexto, ainda mais se seguida da palavra “plena”. Todo mundo quer acreditar e apostar, todos gostam e precisam, mas ninguém quer dar o primeiro passo.

Nesse cenário, fazer cinema neste país não é fácil, ou melhor, escolher qualquer arte como profissão é um desafio. Falta de tudo..., principalmente apoio e investimentos. Nos últimos anos o cinema nacional tem se destacado nos festivais pelo mundo, com muito esforço e coragem. Pessoas ousadas que enfrentam as mais diversas dificuldades em prol do sonho, arriscam e fazem acontecer. O difícil para os brasileiros é pagar a conta!

Trago este assunto hoje, para refletirmos sobre essa grande produção cinematográfica nacional, que está em curso, sob a direção de Fábio Barreto - “Lula, o Filho do Brasil”, baseado na obra de Denise Paraná, que expõe um período da vida do atual presidente, 1945 a 1980, sob a ótica de sua mãe, Dona Lindu. O sofrimento de uma retirante em criar seus sete filhos.

Certamente o filme será belo, recheado de cenas fortes e emocionantes, como foi até então a vida de Lula. A miséria da infância, as dificuldades da criação, a superação e o sucesso (e agora a decadência?). Um clichê comum, como de tantos outros personagens do Brasil e do mundo.

O que está chamando a atenção particularmente nesta produção, que será lançada no início de 2010 são dois fatores: o grande orçamento, maior do país em produções deste tipo, custeado integralmente pela iniciativa privada, e o fato do lançamento do filme ocorrer justamente em um ano eleitoral. Pelo que li, tem muita gente feliz com a iniciativa, desde os produtores, os financiadores e o próprio presidente Lula, que aprovou o roteiro após conhecer algumas passagens, dizendo confiar plenamente nos cineastas.

16 milhões de reais é o valor inicialmente orçado e praticamente já captado junto à iniciativa privada. Empresas como Carmargo Corrêa, OAS e Odebrecht, do ramo da construção, GDF Suez e EBX, de energia, Oi, de telefonia, Ambev e Nestlé, de alimentos e Embraer, já confirmaram seus patrocínios. Nega-se veementemente que exista qualquer interesse dessas empresas em algum favorecimento do presidente. Trata-se simplesmente de uma oportunidade comercial e amor à arte.

Ao olharmos pelos financiadores, todos mantém uma interferência grande do governo em seus orçamentos, seja pela liberação de obras e investimentos, ou pelo controle das agências de regulação. Nos transparece um grande jogo, com players de peso.

Outro fato que chama a atenção é de que nenhuma das empresas fará uso das leis de incentivo vigentes, que as permitiriam abater os investimentos dos seus custos operacionais, economizando no pagamento de impostos. Fascinante! ... uma nova engenharia de financiamento, difícil de se entender, aos olhos de um cidadão comum.

Para se ter idéia, o filme que contou a vida dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano captou 13,5 milhões, sendo que 40% deste valor foi compensado pelas empresas financiadoras com as leis de incentivo fiscal. Era o maior orçamento para o cinema nacional, até então.

O segundo ponto que incomoda é o fato do mesmo ser lançado em ano eleitoral. Cena perfeita nesta reta final de disputas eleitorais: libera-se cada vez mais incentivos aos “pobres” através dos diversos programas de governo, o que já vem ocorrendo, e insere-se um forte componente emocional. Combinação perfeita para quem quer perpetuar-se.

Vejo a cena de “Lula, o Filho do Brasil”, em exibição pública nas praças das cidadezinhas pobres, em empresas públicas e sendo distribuído como um souvenir, já que nos cinemas pagos, cuja grande maioria de espectadores não tem acesso, não deva ter muita aceitação. Ah.. e é claro, amplamente divulgado pela mídia...

Voltando à confiança, eu acredito plenamente no trabalho da família Barreto de cineastas, pelo histórico e sensibilidade, e pelas diversas produções realizadas, porém não compro essa idéia, a menos que me seja provado o contrário. Talvez nem tenham culpa disso tudo e nem queiram saber disso, mas eu não darei um primeiro passo a favor dessa iniciativa, e por hora prefiro contrariar, contrariado.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A Harmonia na Diferença

Gosto muito da forma e dos textos que Danuza Leão produz. Acho uma escrita doce, sagaz, acolhedora e, sobretudo realista. Ela escreve sobre a vida cotidiana e sobre relacionamentos, temas sobre os quais também gosto de refletir e sempre que o faço fico com a impressão de que temos dado muito mais importância para coisas simples, básicas e pouco relevantes, e esquecido daquilo que é essencial. Esbanjamos-nos desesperadamente com as cascas e pouco sentimos o doce da polpa. Alimentamos o corpo e esquecemos da alma.

Trouxe um texto agradável, mas um pouco polêmico, para quebrar as deferências que fiz às mulheres nos últimos dias e mudar o foco das reflexões, apesar de admirar demais aquelas que nos tornam grandes. Estranho é constatar que mudar sempre gera um estresse, muitas vezes ruim, mas benéfico para aquelas pessoas que carregam uma inquietude no peito.

Quando nos propomos a fazer algo diferente, parece-me que as dificuldades criadas são tantas e os obstáculos se potencializam diante do novo, que nos falta energia a ponto de desistirmos, simplesmente por ser algo novo.

Um novo relacionamento, um novo trabalho, um novo desafio, uma nova idéia, trazem consigo uma teia emaranhada de complexos e complicações, advindos de nós mesmos e das pessoas próximas. A famosa dúvida, que se sobrepõe e sufoca a nossa capacidade de realização. Será que temos em nosso DNA um “freio de mão” que nos delimita a sermos pequenos?

Danuza estimula, nesta obra, a reflexão sobre uma pequena, mas importante, passagem nos relacionamentos, descrito agora, mas presente também há 50 anos e provavelmente projetado à frente. Um sentimento que se multiplica pelas gerações e se mantém vivo, imortalizado. Um exemplo dos fantasmas internalizados em nós próprios e que nos faz perguntar: vale a pena um novo? Neste caso em especial, um novo relacionamento...

A harmonia na diferença
Danuza Leão


Se eu morrer você vai casar de novo?” Só uma mulher é capaz de fazer esse tipo de pergunta, e a resposta tem que ter vários, mas vários “nãos”, misturados com milhões de beijos e seguidos da frase: “Ficou louca?”. Sinceramente: você já ouviu falar de algum homem que, mesmo de brincadeira, tenha feito alguma pergunta parecida com essa? É claro que não.

Ah, as mulheres... Elas querem provas de amor eterno o tempo todo, mesmo depois da morte. Passam a vida testando os pobres dos homens para saber se eles gostam mais delas ou da mãe, ou do barco, ou do carro novo, ou do Flamengo, ou – sutilmente – dos filhos.

Se ele não lembrou que hoje faz oito anos e 17 dias daquela tarde de chuva em Paris em que se abrigaram debaixo da marquise para se beijar – e não mandou flores, como homenagem à data –, é um sinal claro de que o amor (dele) acabou. Se num incêndio, no meio das labaredas, não lembrar que precisamente naquele dia, 15 anos atrás, falaram pela primeira vez em casamento, ela é capaz de se jogar da janela ou – pior – de amarrar uma bela tromba por dias seguidos. Isso se tiverem a sorte de escapar com vida, o que, no caso, talvez não seja o melhor negócio.

Ah, as mulheres... Se quando ela entrar no carro ouvir um CD que não tem nada a ver com a história de amor dos dois, é sinal de que alguma coisa não anda bem, e mais: a prova de que existe uma história rolando com outra.

Se for a fita de Caetano cantando em espanhol e ele cantarolar LA BARCA sabendo a letra todinha de cor, me diga: é ou não é prova evidente de traição?Já os homens são diferentes. No caso inverso, são capazes de dizer, numa boa: “Parece que você adivinhou, eu estava louco para comprar essa fita”. É possível ter uma relação com alguém de cuca tão fresca? Claro que não. Ah, esses homens...

Quando uma mulher vê o seu de gravata nova e caprichando na frente do espelho, já fica com a pulga atrás da orelha: “Aí tem”, é o mínimo que pensa. Já o homem, quando vê sua mulher lindona, de salto alto e corte de cabelo novo, convida logo para jantar fora, feliz de poder exibir a mulher, que, para ele, é a mais linda do mundo. Difícil a harmonia entre esses dois seres tão diferentes. Difícil, mas não impossível.

Ele bem que tenta, mas, se chega em casa com um ramalhete de flores, ela pensa: “Alguma andou aprontando”. Se propõe uma viagem, nunca ouve um sim logo de cara. As crianças vão entrar em provas, a casa precisa de uma reforma, talvez seja a hora de trocar de carro. E, quando concorda, começa a discussão sobre o roteiro. Atravessar Portugal e Espanha de carro, nem pensar. Tem que ir a Paris ver as modas, conhecer a ala nova do Louvre, contar que St. Germain não está com nada, que o único lugar onde se pode ficar agora é no Marais.

Ele às vezes pensa em como seria feliz se pudesse viajar com dois amigos só para dizer uma porção de bobagens, esticar o almoço às vezes até 5, 6 da tarde, exagerar no vinho apenas para se sentir bem livre, não ter que reservar um restaurante e chegar na hora marcada com a mulher do lado contando de todas as compras que fez. Mas e a coragem?

quinta-feira, 5 de março de 2009

Maravilhosas!


A coletânea que trago demonstra que em todosos tempos, as mulheres sempre foram amadas e idolatradas. Razão dos movimentos da história, das conquistas, das paixões, dos mais impetuosos sentimentos, de se viver!


“As mulheres vêem tudo ou não vêem nada, segundo as disposições da sua alma: a única luz delas é o amor.”
Honoré de Balzac

“Não gosto de lágrimas, ainda em olhos de mulheres, sejam ou não bonitas; são confissões de fraqueza, e eu nasci com tédio aos fracos. Ao cabo, as mulheres são menos fracas que os homens, ou mais pacientes, mais capazes de sofrer a dor e as adversidades...”
Machado de Assis

“Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.”
Provérbio Chinês

“Há uma luz nos olhos das mulheres que fala mais alto que as palavras.”
Sir Arthur Conan Doyle

“A mais tola das mulheres pode governar um homem inteligente.”
Rudyard Kipling

“As mulheres fazem habitualmente da confiança a primeira necessidade da amizade.”
Madame de Stael

“Nas mulheres tudo é coração, até a cabeça.”
Jean Paul

“As mulheres são esfinges, sem segredos.”
Oscar Wilde

“Mulheres são como a lua, com suas fases. Às vezes ficam escondidas, mas nunca perdem o seu brilho encantado.”
Desconhecido

“A amizade é o grande palavrão das mulheres, quer para permitir que o amor entre, quer para o pôr para fora da porta.”
Charles Saint-Beuve

“As mulheres que não são vaidosas na sua roupa de vestir são vaidosas de não serem vaidosas da sua roupa de vestir.”
Mark Twain

“A graça é um reflexo do amor sobre um fundo de pureza. A pureza é a própria mulher.”
Jules Michelet

“As mulheres constituem a metade mais bela do mundo.”
Jean Jacques Rousseau

quarta-feira, 4 de março de 2009

Nem com uma Flor!



"Em Mulher não se Bate Nem com Uma Flor"

Continuando minhas reflexões sobre as mulheres, um problema que aflige a nossa sociedade e que de forma alguma deve ser negligenciado é a violência contra a mulher. Por si só a violência não deve ser admitida em nenhuma hipótese, mas quando inserimos nesse contexto as crianças ou as mulheres como vítimas, o problema se amplifica, pela crueldade, pela covardia.

Para tocar neste assunto, pesquisei o portal da Patrícia Galvão, senadora, que em sua plataforma de trabalho mantém este tema bastante ativo. Também o portal “Violência Contra a Mulher” traz informações importantes: estatísticas, pesquisas e o acompanhamento de casos clássicos, como do assassino Pimenta Neves, que vitimou a sua namorada, também jornalista.

Em todo o mundo o combate à violência contra a mulher se constituiu em uma preocupação fundamental dos movimentos sociais, a começar pelo movimento de mulheres em meados da década de 1970.

Para marcar a importância do tema e mobilizar ações e a atenção da sociedade, são destacadas as seguintes datas relacionadas à violência contra mulheres e meninas:
  • 18 de Maio- Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes;
  • 06 de Junho – Dia da Adoção da Convenção de Belém do Pará – Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violênciqa Contra a Mulher (OEA, 1994);
  • 25 de Novembro – Dia Internacional da Violência Contra a Mulher
  • 06 de Dezembro – Dia do Massacre de Montreal (Canadá 1989)
  • 10 de Dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos (celebrando a aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ONU, 1948).

Outra data importante no contexto do nosso país é o dia 22 de Setembro de 1996, data em que foi sancionada pelo Presidente da República a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, que passou a punir com rigor os atos de agressão às mulheres. No dia seguinte à sanção da lei o primeiro agressor foi preso, no Rio de Janeiro, por tentar estrangular a ex-esposa. O site http://www.violenciamulher.org.br/, apresenta uma pesquisa recente sobre a percepção dos brasileiros com relação à lei Maria da Penha. Vale a pena conferir.

É fundamental entendermos o que é a violência contra a mulher: “é qualquer conduta – ação ou omissão – de discriminação, agressão ou coerção, ocasionado pelo simples fato de a vítima ser mulher, e cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral psicológico, social, político ou econômico, ou perda patrimonial”.

Busquei mais informações localmente sobre o assunto e encontrei um número preocupante em notícias de jornal, onde em Curitiba e RMC, em média, são registrados 24 casos de agressão às mulheres, diariamente.

É um tema que deve estar presente no diálogo das pessoas que aqui estão para fazer a diferença ao provocar alguma mudança, ajudando a construir um mundo melhor.

Para finalizar, busquei uma frase de Maomé, que desejo compartilhar com todos: “A mulher foi feita da costela dos homens, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada.”.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Essas Mulheres!


Nesta semana, as minhas reflexões estarão voltadas para elas: mães, esposas, companheiras, amantes e amigas; doces, plenas, delicadas, fortes e frágeis, aglutinadoras, lindas e adoráveis; começo e fim, céu e inferno, fortalezas, poesias.


Vou iniciar com um pouco de história, que busquei na internet.



História do Dia Internacional da Mulher


História do 8 de Março
No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).


Objetivo da Data
Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.


Conquistas das Mulheres Brasileiras
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.


Marcos das Conquistas das Mulheres na História
· 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
· 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
· 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
· 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
· 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
· 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas
· 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres
· 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
· 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças
· 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina
· 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

Viva o Carnaval em Curitiba!

Ainda falando sobre carnaval e deixando o tamborim de lado, Curitiba tem se especializado em carnaval, mas não naquele de batucada e samba, de desfiles e bundas, mas sim em uma programação alternativa, proporcionando àqueles que não gostam de agito de litoral, ou de festas de salão, várias opções de lazer e de programas excelentes.

Vou me dar ao risco de associar Curitiba, na sua aspiração à metrópole, à São Paulo, onde em feriados de quaisquer natureza, os apaixonados pela cidade ficam e podem aproveitar as diversas opções culturais e de lazer que a cidade oferece. Teatros, bares, exposições, cinema, tudo mais em conta e com pouca fila, seja de engarrafamento de veículos ou de gente mesmo. Por falar nisto, êta povo para gostar tanto de fila como o curitibano!

Aqui não tem sido diferente, um circuito de rock invade os bares de Curitiba, com música de excelente qualidade, inclusive com bandas internacionais. Estive no Jockers na sexta-feira de carnaval e pude pessoalmente comprovar. Muito som e gente esquisita, inclusive eu e a pessoa que estava comigo..., muito bom! Na terça-feira fui ao Colarinho, um show instrumental de chorinho e música popular brasileira, com uma releitura de acordes e harmonia. Fui ao parque Barigui e não precisei disputar espaço com ciclistas na pista de caminhada, fui a restaurantes e não tive que aguardar, apesar de todos os ambientes que freqüentei estarem cheios.

Percebo que nas grandes cidades, uma boa parte da população tem preferido fugir da confusão de trânsito, de filas, de incômodos gratuitos e aborrecimentos desnecessários. Simplesmente querem curtir aquilo que lhes é importante e saudável, aquilo que lhes traz significados. No Ceará, durante o carnaval, ocorre há anos um grande festival de jazz em Guaramiranga, cidade próxima a Fortaleza; um evento repleto de grandes nomes da música e disputado por moradores daquele estado e de vários outros também. Esses exemplos de “refúgios” mostram que o importante é respeitarmos as preferências e individualidades, para convivermos na diversidade. Demonstra sensibilidade, maturidade e que estamos evoluindo.

O importante é que as pessoas possam fazer as suas escolhas, e encontrem a sua felicidade, cientes de que para tudo na vida existem ganhos e perdas.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Pão, Cachaça, Futebol e Carnaval


Se as coisas no Brasil começam após o carnaval, estamos prestes a entrar no jogo. Nada como se dar ao luxo de empurrar as coisas com a barriga por mais de dois meses para então pensarmos nos compromissos e no futuro.

Acho que ando mais intolerante, mas assim como dois meses de águas mornas, quatro dias de carnaval é um exagero. Nada contra a multidão que adora, mas aturar todos os canais de televisão, revistas, jornais, sites e outros, idolatrando marchinhas pejorativas e as “musas”, para mim é demais.

Não desmerecendo os corpos maravilhosos nos micro adereços emplumados, mas têm algumas que já deram o que tinham para dar e foram muito além, viraram a curva do cabo da boa esperança! Deixando a ironia e a hipocrisia de lado, para grande parte dessa turma vale tudo para aparecer, pois quem sabe surge um convite para ilustrar páginas de revistas masculinas ou a grande coqueluche do momento, um filminho pornô.

Até o Presidente Lula esteve por lá... Pão, cachaça, futebol e carnaval! Basta para o povo ficar feliz...

Os desfiles também não me encantam mais (acho que realmente ando intolerante). Rio de Janeiro, São Paulo e até Curitiba tem desfile de escolas de samba e são uma lástima. Pelo menos o nosso aqui de Curitiba é incompreensível. Curitibano sambando na avenida, ao som da batucada da escola de samba “Unidos do Leite Quente”. Fico pensando se existe uma escala de grandeza, onde os melhores atores, atrizes, musas e BBBs na mídia, iniciam pelo Rio, quando em queda desfilam em São Paulo, e no fim de carreira vem à Curitiba mostrarem seus atributos. Uma lógica cruel, mas interessante.

Se olharmos do ponto de vista social, existe mérito no carnaval, pela geração de empregos e outras ações sociais que ocorrem principalmente nas comunidades, quando o tráfico autoriza, ou também pelo turismo, gerando divisas para o país, mas em qualquer outro é vexatório. Desde o estímulo à corrupção e às agressões à ecologia, até à prostituição infantil. Uma lástima!!

Paro por aqui, pois já me excedi nas críticas e como o ano começou, preciso recuperar o tempo perdido.

Tenhamos todos um bom ano!!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Há um Grande Vazio!

No popular diz-se que as coisas sempre “começam pelo começo” e que se ainda não deram certo é porque “não se chegou ao fim”.

Muitas vezes empreendemos pelo impulso, imaginamos que simplesmente a nossa capacidade de realização nos dá a certeza do sucesso. No trabalho, no lazer, no amor, na vida, somos carrascos e vítimas das nossas ações e nem sempre colhemos o que plantamos, pois o querer é muito diferente do realizar.

Somos especialistas em tentar. Tentamos o tempo todo burlar as crenças para escrevermos novos capítulos de histórias antigas. Esforçamos-nos em explicar o inexplicável e justificar o injustificável. Gastamos energia demais ao querermos ser o que não somos e ao querermos ter o que não nos é necessário. Escolhemos bens materiais, pessoas, amores e seguimos na conquista. Estimulamos em demasia a cobiça e descartamos nossos sentimentos. Somos abençoados e iluminados, mas temos caminhado para o escuro.

Quando os nossos valores não acompanham as conquistas chegamos ao nada, se tivermos sucesso mergulhamos no vazio e se não, também. De tudo que conquistamos, quando muito é o nada e quando pouco também é o nada.

Assim, deixamos para trás um enorme rastro de incertezas, de frustrações e de mágoas. Perdemos a razão, os amigos e a credibilidade. Afundamos-nos em um mar de dívidas, de juras não cumpridas e de contradições. Mostramos aos outros o quanto somos fortes e destemidos e provamos ao mesmo tempo do doce e do fel. Dosamos nossas trajetórias pelos outros, ostentamos aos outros o quanto somos melhores que eles, mas ocultamos o quanto nosso coração continua apertado, pois no vazio nada cabe, só reflexões.

Na realidade, viramos especialistas em adoecer, em ferir e depois, em tentar remediar.

Sentimentos!

Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos;

Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos;

Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos...

Atos são pássaros engaiolados,
sentimentos são pássaros em vôo.

Mário Quintana

Sandra me enviou este poema de Mario Quintana, em uma passagem delicada e recente da minha vida. Conversamos muito sobre sentimentos, eu, ela, Rubão e outros amigos que estavam conosco.

Considerando o seu distanciamento do clássico, Mario Quintana sempre foi, de certa forma, "esnobado" por outros menestréis. Sua doce obra teve o reconhecimento popular, e somente após os louros da academia.

O mesmo poeta diz que "a amizade é um amor que nunca morre" e portanto agradeço aos amigos pela acolhida.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Amor Eterno!

"Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher."

Nunca houve consenso sobre o amor...! esse sentimento tão profundo e peculiar, pessoal, que provoca as mais belas emoções, estimula os sonhos, que se transformam em vida, fértil, em felicidade. Como abrir mão, mesmo involuntariamente, de um sentimento puro, que todos desejamos e que em vários momentos da nossa vida nos surge com ímpeto de um vulcão e nos eleva, e em outros nos remete a uma busca incessante por uma estrada infinita em um labirinto da mais densa relva. Néctar dos amantes, dos poetas, dos líricos, dos apaixonados. Inferno dos ressentidos, dos amargurados. Acolhida aos casais, às relações entre pais e filhos, um presente... Inveja aos indiferentes, aos desesperançosos, um martírio...

Há pouco tempo atrás li um dos livros do André Gorz, Carta a D. - Uma História de Amor, de onde extraí um pequeno trecho e inseri no ínício deste texto. Mais do que um livro, uma carta, uma declaração de amor. Como pode alguém amar tanto outra pessoa e o tempo impulsionar exponencialmente esse amor? Um amor verdadeiro, um amor fiel, um amor viril, um amor apaixonante.

Vinícius sempre soube retratar as relações, as paixões, o amor. "Que seja infinito enquanto dure". Acredito mesmo que as suas paixôes e o seu amor tenham sido infinitos, mesmo tendo sido casado com sete ou oito mulheres durante a sua vida. Deve ter amado todas, enquanto durou. André Gorz teve um único amor, eterno!

Que amor é este que não sucumbe às décadas de convivência e ao contrário, se expande? Que encanto!

Talvez o meu incômodo esteja no fato de não acreditarmos que isso possa acontecer e não darmos a chance para que ele frutifique. Estarmos sempre à busca de algo diferente, melhor, sem nos darmos conta de que o melhor pode estar ao nosso lado. Vivermos nos questionando se o amor existe, se eu amo e se ela me ama, e até quando esse amor irá durar...

Assim, vamos acumulando perdas, experiências frustrantes, que reforçam em nós mesmos a crendice de que o amor não existe, de que não existe amor eterno. Perdemos o sentido do amor e o desacreditamos, sem nos darmos conta que contrariamos a nossa própria natureza.

Viva o amor! Que seja infinito enquanto dure, mas que dure uma infinidade!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Enquanto isso no boteco!

Na última terça-feira quase perdi uma programação pra lá de interessante, ou melhor, pra lá de boa!! Eu não perdi, mas muita gente perdeu, ao preferir a comodidade do lar, o que também não é ruim, ou por dar audiência ao Bial e à Globo, na eliminação do BBB, o que é péssimo.

Por falar em BBB as últimas notícias dão conta de que Pedro Bial anda de baixo astral, enraivecido, pelo fato de insistir em chamar os participantes do programa de “heróis”, e diversas pessoas estarem criticando essa reverência abertamente, na rede, em jornais e revistas. Também quero entrar nessa polêmica ao tentar comparar se a fulana do programa, que dizem ser mais fruta do que as maçãs, melões e melancias que rebolam pelo país, merece a mesma reverência que o piloto Chelsey Sullenberger, que aterrisou o Airbus A320 que pilotava, no rio Hudson, em Nova Iorque, salvando os cento e cinquenta passageiros e os cinco tripulantes a bordo, após problemas mecânicos. Se estivesse a bordo, preferiria o piloto ao avião, mas fica esse assunto para as análises no boteco!

Voltando à conversa boa, cheguei ao Colarinho lá pelas 21 e fiquei encantado: uma turma boa de música, com muita paixão pelo que fazem, mandando ver nos seus instrumentos em um repertório maravilhoso. Matoso, no Sax, Vini no violão de sete cordas, Daniel no bandolim e um garoto novo que ainda não conhecia e que se integrou ao grupo, tocando um pandeiro moderno, seu nome é Bali. De Cartola a Chico Buarque, de Vinícius a Jacob do Bandolim. Som de primeira..., maravilhoso!

Melhor ainda, que Matoso aniversariava (continuo lhe desejando vida longa!) e estava inspirado. Um bônus para quem apareceu por lá. Quem perdeu, que fique antenado..., aniversário de músico não se perde! Tomei meu vinho e cheguei em casa feliz, meio atravessado, mas feliz!

O Colarinho agora tem música ao vivo as terças e as sextas-feiras.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A CRI$E


Eu não gosto muito de debater sobre a crise financeira que assola o mundo, até porque uma infinidade de pessoas tem falado sobre ela. Alguns comentários esclarecedores, outros assustadores e outros especuladores. Tenho preferido mais ouvir do que falar, procurado mais entender do que replicar.


Gostei muito do texto que o amigo Idgar, lá de Foz do Iguaçu, me enviou por e-mail e que aqui compartilho com todos. Oxalá!

"Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar superado.

Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro.

Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."


Albert Einstein

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A Letra

“A Letra” é uma análise da vida cotidiana que pretendo compartilhar, a partir da letra de alguma composição de mestres da música popular brasileira. O questionamento é sobre o que passou e o que se passa pela cabeça do autor, quando ao escrever uma poesia retrata o momento sob a sua ótica e de alguma maneira se faz entender e influencia uma infinidade de pessoas ao longo do tempo.

A letra que escolhi é antiga, mas se mostra tão atual e permite uma viagem ao desejo e à vontade de transformar, que cada um carrega consigo.

Milton Nascimento é um menestrel, dono de uma voz maravilhosa e um compositor fantástico, com simplicidade retrata as pessoas e os acontecimentos, o amor e a vida.

A sua obra pode ser conferida no site www.miltonnascimento.com.br.

Coração Civil
Milton Nascimento e Fernando Brandt

Quero a utopia, quero tudo e mais
quero a felicidade dos olhos de um pai
quero a alegria, muita gente feliz
quero que a justiça reine em meu país

Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
quero ser amizade, quero amor, prazer
quero a nossa cidade sempre ensolarada
os meninos e o povo no poder, eu quero ver

São José da Costa Rica, coração civil
me inspire no meu sonho de amor Brasil
se o poeta é o que sonha o que vai ser real
bom sonhar coisas boas que o homem faz
e esperar pelos frutos no quintal

Sem polícia, nem milícia, nem feitiço,
cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia que a só a gente
é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia
Eu vou levando a vida, eu vou viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso um dia se
realizar

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Outra Reflexão!


Sobre o Amor, Amizades e Quereres

Hoje acordei bem, um pouco mais preocupado do que nos dias anteriores, mas bem. Tenho refletido sobre as causas do sofrimento e da tensão das pessoas e descoberto que a grande maioria dos motivos são banais e reversíveis, o que de certa forma me conforta ao confrontar os meus próprios problemas.

Por esses dias estava conversando com uma pessoa muito querida e especial na minha vida, sobre as diferenças entre tristeza e chateação. Somente assim pude perceber o quanto depositamos uma carga excessiva de energia para a solução de coisas rotineiras e pouco importantes e o que nos sobra, quando conseguimos, aplicamos sobre as coisas mais importantes, como o amor, as amizades, o querer bem...

No último sábado, lá pelas duas da madrugada tive vontade de ligar para um amigo, para o qual nunca liguei tão tarde e ainda sem motivo especial. Surpreso fiquei, ao saber que o mesmo havia acabado de dar entrada ao pronto socorro de um hospital da cidade. Fiquei assustado, tanto pelo zelo com a saúde dele, quanto pela minha intuição. A cada dia tenho acreditado mais que a energia que depositamos no amor, nas amizades e no querer bem nos aproxima e nos une, não só para uma conversa fiada de botequim, mas também para sentirmos quando as coisas caminham bem e quando podemos ser importantes para as outras pessoas

A princípio ele está bem, deve ser operado amanhã para a retirada da vesícula, órgão que ainda ninguém me afirmou com veemência a razão da sua utilidade, já que várias pessoas vivem normalmente sem ele. Orgãozinho esquisito que serve para infeccionar e doer e quando extirpado não deixa nem saudades. Ele está na fila...

Assim que soube que ele ainda estava na fila para a cirurgia, imediatamente associei à desgraça do sistema de saúde no Brasil e fiquei imaginando a quantidade de pessoas que rezam e pedem à Deus para que o seu problema ou o problema do seu próximo, seja solucionado.

Voei mais longe ainda e lembrei do filme “O Todo Poderoso”, onde Jim Carrey assume o papel de Deus e passa a dar solução para todos os pedidos das pessoas. Projetei aquela situação aqui no Brasil, imaginando que 70% dos pedidos seriam para a solução ou proteção aos problemas de saúde, 15% para o time progredir bem no campeonato, 10% para o grande amor da vida perdoar, e/ou voltar e 4% para ganhar na loteria, Os outros 1% para causas outras, também desesperadoras. Acho que Diogo Vilela seria “O Todo Poderoso” brasileiro... Ele é ótimo!

Finalizando esta reflexão, quero brindar a convivência com todas as pessoas e canalizar as energias não só para a breve recuperação do Grande Notável Rubão, mas para que possamos encontrar em nossos atos uma razão boa para continuarmos existindo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Política ou Politicagem?


Um Congresso Distorcido
Hoje tive a paciência de assistir em vídeo e em tempo real, alguns trechos das eleições às presidências da Câmara e Senado, após tanto alarde da mídia e a importância do momento político do nosso País. Diversas falas, alguns posicionamentos, algumas ameaças, algumas verdades e muita armação.

A velha história de palanque de que “precisamos dar uma resposta à opinião pública e sanear as contas do Congresso”..., vários disseram isso em seus pronunciamentos hoje e ao longo de pelo menos vinte anos que ao largo me interesso pelo assunto, na expectativa de participar mais ativamente. Confesso que me falta coragem, diante de um cenário tão hipócrita.

Ao mesmo tempo em que assistia ao circo, busquei alguns blogs de bons articulistas, como Alberto Dines, Ricardo Kotsho, Gerald Tomas, Nassif, entre outros, para incorporar um pouco dos seus pontos de vista e talvez mudar de opinião..., em vão. Na grande maioria dos acessos que fiz, os letrados se mostravam também indignados com a situação. É duro depreciar uma Instituição, mas a história da ausência de escrúpulos da maioria dos nossos representantes não me dá alternativas. Como aceitar a infinidade de denúncias e comprovações, o descaso e a impunidade.

Nas minhas pesquisas algumas informações interessantes: o orçamento do Congresso para 2009 supera o orçamento da cidade de Porto Alegre; mais de 20 mil empregados; a terceira pessoa na linha de poder do país. Com relação ao processo eleitoral e a vitória do PMDB na Câmara e Senado, o ressurgimento do PMDB como uma das principais legendas para a eleição de 2010, pelo menos como a noiva mais desejada e o declínio do PT, graças à influência do Presidente Lula.

Diante da minha indignação, fui ao blog do Mauricio Stycer e li os seus escritos sobre o livro “Como Montar uma Mulher Bomba”, de Luciana Pessanha, como um “manual prático para terroristas emocionais”. Comprei o livro e acho que agora sim vou relaxar.